Tatuagem
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Tatuagens podem elevar a autoestima? Ciência diz que sim!

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O tema da arte corporal sempre foi sinônimo de expressão, mas nos últimos tempos assumiu um novo papel: um símbolo de empoderamento feminino, correlacionando tatuagens com a autoestima. O tema, inclusive, já virou pesquisa realizada pela Universidade Texas Tech, nos EUA, que analisou a ligação entre as tatuagens e o bem-estar, chegando à conclusão de que mulheres que têm quatro ou mais tatuagens mostram altos níveis de amor próprio.

Liderado por Jerome Koch, Professor de sociologia da universidade, o estudo comparou o número de tatuagens das candidatas aos seus níveis de autoestima, depressão e tendências suicidas. As mulheres com quatro ou mais tatuagens apresentaram “níveis de forma consistente e significativamente mais elevados de autoestima” do que aquelas com menos ou nenhuma tatuagem. Para o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, essa ligação está no fato de se criar visibilidade em forma de arte para o próprio corpo, podendo elevar de forma positiva a imagem que a pessoa tem sobre si. “A possibilidade de usar de forma mais extensa e criativa o próprio corpo, como com as tatuagens, implica em uma maior capacidade de apropriação desse corpo.”, ressalta.

O mesmo estudo também descobriu que as mulheres com tatuagens apresentaram quatro vezes mais probabilidade de terem tentado cometer suicídio ou de terem vivido um período de depressão no passado, levantando à especulação de que fazer uma tatuagem pode ser uma tentativa de recuperar um sentido pessoal. Para Dunker este ponto está mais do que provado, já que muitas vezes as tatuagens estão ligados a processos vitais, como o luto e rituais de passagem, como podemos notar em culturas holísticas, por exemplo. “Pode ser um ato simbólico de separação, como é feito em muitas culturas e comunidades, representando um dispositivo de memória, em que a pessoa tem para si que aquela marca representa um fator de sobrevivência, de superação, ou de vitória”, acrescenta.

Ressignificação do corpo

A influenciadora Maria Eugênia Cordeiro (@mariaeucor) tinha 18 anos quando fez sua primeira tatuagem, em 2014, época em que dava seus primeiros passos trabalhando com a internet. “Foi uma tatuagem pequena, uma folha branca no tornozelo, por que tinha medo de me arrepender”, conta ao GLMRM. Um dos novos nomes que usa sua visibilidade na rede pra trazer uma visão de mundo fora dos padrões tão conhecidos da sociedade, hoje ela usa o corpo coberto de tatuagens para levantar bandeiras como corpo livre, empoderamento feminino e relação saudável do amor próprio e autocuidado. “Hoje eu sou toda dona de mim, uma mulher empoderada, gorda, lésbica, tatuada e me amo exatamente como sou. Meus seguidores veem isso e sabem que também podem ser assim, livres de todas as formas”, explica.

Para ela, a ligação entre os desenhos em sua pele é tão profunda como uma armadura. “No começo, quando eu estava no processo de aceitação do meu corpo, era como uma proteção, como se por baixo das tatuagens, escondido, existisse um corpo frágil e inseguro”, relembra ela. “Então percebi que a cada tatuagem que eu fazia, mais eu me amava, mais amava meu corpo como ele é. Posso não gostar de uma parte do corpo e, no momento em que eu tatuo aquele lugar, é como se eu me ressignificasse. A cada novo desenho, me sinto mais pertencente do meu corpo.”, aponta.

Do lado das tatuadoras

Mas, para além do desenho na pele que empodera mulheres como Maria Eugênia, a tatuagem também é uma forte ferramenta para empoderar as próprias tatuadoras. Como a maioria dos espaços antes só era ocupados por homens, hoje as mulheres também dominam os estúdios de tatuagem, provando ao machismo insistente de colegas e clientes que o lugar das mulheres é onde elas quiserem. Para dar visibilidade a esse movimento, surgem grupos e coletivos como As Tattoistas, que reúne e fortalece tatuadoras que têm em comum o trabalho autoral e o interesse pela arte. Há ainda quem bata de frente com os casos de machismo, como o Coletivo “Não é Não”, que, depois de uma denúncia de assédio sexual dentro de um estúdio em Belo Horizonte, se reuniu para criar uma cartilha informativa sobre tattoo segura e como denunciar um assediador.

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