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Carmen Miranda || Créditos: Reprodução
Carmen Miranda || Créditos: Reprodução

Gisele Bündchen meio que chegou lá, e Xuxa Meneghel tentou se tornar um grande nome em Hollywood nos anos 1990 e por pouco não virou “Shoo-sha”. Mas nenhuma brasileira, até hoje, conseguiu repetir o sucesso que Carmen Miranda fez na meca do showbiz principalmente entre 1940 e 1953. Nascida na região do Porto, em Portugal, mas brasileiríssima desde antes de completar um ano (seus pais se mudaram para o Rio de Janeiro quando ela tinha apenas 10 meses de vida), a “pequena notável” não apenas brilhou como poucas na terra do cinema e da televisão como durante um certo período também foi sua maior estrela.

Miranda, que veio ao mundo no dia 9 de fevereiro de 1909 – há exatos 112 anos nessa terça-feira – na verdade fez seu début americano na Broadway, como atriz da peça “The Streets of Paris”, que entrou em cartaz em 1939. Descoberta pelo produtor Lee Shubert graças ao trabalho nos palcos, a cantora logo trocou Nova York por Los Angeles e nessa última morreu, aos 46 anos e no dia 5 de agosto de 1955, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Em homenagem ao aniversário de nascimento da maior “megastar” brasileira de todos os tempos, Glamurama relembra 5 dos maiores momentos da carreira dela. Continua lendo… (Por Anderson Antunes)

A melhor estreia na telona

Inicialmente batizado “The South American Way”, mas mais tarde lançado como “Down Argentine Way” (no Brasil, “Serenata Tropical”), o musical de 1940 trazia Miranda dividindo os créditos com Betty Grable e Don Ameche, e marcou sua grande estreia em uma produção hollywoodiana. Muito bem recebido pela crítica, que o notou sobretudo por causa da atuação da brasileira, descrita como “algo de outro planeta” por Dave Kehr, repórter do “Chicago Reader”, o filme faturou US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões) nas bilheterias, algo em torno de US$ 37 milhões (R$ 198,8 milhões) considerando a inflação de lá pra cá.

O primeiro arrasa-quarteirão

Oito anos mais tarde, em 1948 e já com vários longas americanos no currículo, Miranda foi uma das três protagonistas de “A Professora de Rumba”. As outras duas eram Jane Powell e… Elizabeth Taylor! Meio musical, meio comédia, o filme foi inspirado em uma série de rádio de mesmo nome muito popular nos Estados Unidos, e faturou quase US$ 4,6 milhões (R$ 24,7 milhões) nas bilheterias – ou perto de US$ 47 milhões (R$ 252,5 milhões) corrigidos pela inflação do período.

Rainha dos hits musicais

Mas não foi só na telona que Miranda fez sucesso, já que ela produziu vários singles nos anos em que esteve na ativa e praticamente todos chegaram ao topo das paradas americanas e internacionais. Um dos mais conhecidos é o “Chica Chica Boom Chic”, de 1941 e parte da trilha de “Uma Noite no Rio”, que chegou aos cinemas do mundo inteiro no mesmo ano. Composto por Harry Warren e Mack Gordon, com letra assinada pelo português Aloysio de Oliveira, o hit estreou na 26ª posição no ranking da “Billboard” assim que foi lançado.

Passe cobiçadíssimo

Com seu nome se tornando sinônimo de sucesso, Miranda passou a ter seu passe disputado por vários estúdios de Hollywood. Mas no fim foi a 20th Century Fox que conseguiu convencer a artista a fazer parte de seu casting, e oferecendo a ela um contrato estimado em US$ 2,5 milhões (R$ 13,4 milhões) em 1941 (quase US$ 44 milhões/R$ 236,4 milhões de hoje). Imediatamente alçada ao posto de uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood graças ao acordo, a brasileira manteve seu vínculo com a Fox até 1946. Aliás, estima-se que a cantora deixou uma fortuna de US$ 85 milhões (R$ 456,7 milhões) para seus herdeiros.

Falem mal, mas falem de mim

De certa forma, e por mais irônico que possa parecer, nenhum artista se torna celebridade sem receber uma certa dose de críticas. E no caso de Miranda isso começou a rolar logo depois da mudança definitiva dela para os EUA, com muita gente no Brasil achando que a cantora tinha se tornado “americanizada” demais. A imprensa americana logo embarcou na polêmica, e um jornal de NY (o já extinto “New York World-Telegram”) chegou a sugerir que de inglês ela só entendia “money” (“dinheiro”). E a resposta da portuguesa mais brasileira de todas sobre tanto falatório não poderia ter sido melhor, e veio na forma de música: “They said I’ve come back Americanized” (ou “Disseram que Voltei Americanizada” foi lançada em 1940 e imediatamente conquistou um público enorme. Foi a glória.

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