Cena do filme "Boi Neon" Créditos: Reprodução Youtube
Cena do filme “Boi Neon” || Créditos: Reprodução Youtube

Juliano Cazarré fala sobre cenas de nudez e sexo no longa “Boi Neon”

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Cena do filme "Boi Neon" || Créditos: Reprodução Youtube
Cena do filme “Boi Neon” || Créditos: Reprodução Youtube

Esqueça o funkeiro tatuado e gostosão da novela de “A Regra do Jogo”. Em “Boi Neon”, novo filme do diretor pernambucano Gabriel Mascaro que teve pré-estreia na noite dessa terça-feira em São Paulo, Juliano Cazarré é um vaqueiro que sonha ser estilista. No filme, Juliano mostra o corpão sarado em cenas de nudez. “Desde o começo, o Gabriel [Mascaro, diretor] queria explorar a potencialidade visual do corpo humano, principalmente o masculino”, Cazarré contou ao Glamurama em conversa na pré-estreia. “As atrizes vivem tirando a roupa em cena enquanto os homens são protegidos, escondidos. O cinema brasileiro é muito machista”, completa.

Além do tabu da nudez, o tabu do sexo também é colocado em questão em “Boi Neon”. Um dos momentos mais impactantes do filme é uma cena de sexo explícito em plano sequência de 10 minutos entre Iremar e Geise, vendedora de cosméticos que está grávida. Isso seria um spoiler dos grandes, mas a cena polêmica vem gerando debates acalorados. “O mercado quer sempre que a gente faça mais do que já fizemos, é difícil você se revelar”, disse Cazarré. “Mas sabe o que é mais difícil do que fazer essa cena de sexo? É aquela cena em que eu to serrando um manequim e conversando com a Cacá, uma menina de 11 anos que mora no sertão de Pernambuco e que não é atriz. Eu tenho que improvisar completamente! Tenho que serrar o manequim na hora em que ela não tá falando, parar pra ela falar, acertar meu texto e, se ela errar o dela, eu tenho que dar um jeito de fazer ela lembrar o que ela tinha que falar sem o público perceber. E ao mesmo tempo eu tenho que fazer as pessoas acreditarem que eu, Juliano, poderia existir naquele universo tão diferente. Embora a cena de sexo seja difícil e a gente pense ‘cara, eu nunca ficaria sem roupa, eu nunca teria uma ereção em cena’, pra complexidade do nosso trabalho de ator, às vezes uma cena de texto como essa é muito mais difícil.”

E como é possível ser um funkeiro carioca e um vaqueiro pernambucano ao mesmo tempo? Simples: sendo ator. “Eu tenho muito orgulho de ter o privilégio de fazer um trabalho extremamente popular e outro extremamente segmentado. E eu faço questão de flutuar nesses dois universos porque acho supercareta esse preconceito, essa hierarquia que quer ditar que uma coisa é arte e outra é entretenimento. Que diferença faz se você faz novela, teatro ou cinema? Você é só uma pessoa que tem um emprego e seu emprego é contar histórias. Só a TV me dá a oportunidade de falar com 30, 40 milhões de brasileiros em uma noite e isso por si só já é muito bonito. Eu tenho o maior orgulho de fazer TV e o maior orgulho de fazer cinema de autor.”

Com estreia prevista para o próximo dia 14 em todo o Brasil, “Boi Neon” foi o grande vencedor do Festival Internacional de Cinema do Rio no ano passado (levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Atriz Coadjuvante para a pequena Cacá) e rodou em mais de 10 festivais mundo afora, inclusive os de Toronto e Veneza. Abaixo, assista ao trailer. (Por Caroline Mendes)

 

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