Gabriel Isaac
Foto: Divulgação

Influenciadores surdos quebram estereótipos, mas relatam dificuldade com publis

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A internet abriu muitas portas e quebrou barreiras para os influenciadores com deficiência auditiva. A ferramenta os levou a alcançar quem não fala seu idioma materno, a Língua Brasileira de Sinais. Mesmo com esse avanço, eles ainda encontram dificuldade em fechar contratos publicitários e conseguir mais visibilidade.

Leonardo Castilho, poeta, ator e educador que acumula mais de 50 mil seguidores no Instagram, ficou surdo com 10 meses de idade. Em conversa com o GLMRM, o influenciador relatou que as empresas pedem um cachê menor a eles com a justificativa de que o português não é a primeira língua de pessoas com essa condição.

Mesmo tendo estrelado campanhas da Chili Beans, Bradesco e Next, e estampado o vídeo “Os Surdos Têm Voz”, do Dr. Drauzio Varella sobre educar e desmistificar estigmas ao redor da comunidade, Leo vê – e sente – a disparidade acontecendo com influenciadores com deficiência auditiva.

Segundo ele, pessoas surdas e sinalizadas (que conversam por meio de gestos) precisam usar legendas e às vezes contratar um intérprete para fazer a voz em português em vídeos de campanhas, enquanto influenciadores não surdos não precisam.

Gabriel Isaac, pessoa com deficiÊncia auditiva desde o primeiro ano de vida, acumula mais de 98 mil seguidores somados em suas redes e já chamou atenção até de Anitta. Mesmo assim, só conseguiu um único grande patrocínio em um período de cinco anos para o Dia do Surdo. Para ele, algumas marcas desacreditam no engajamento e impacto de influenciadores surdos.

“Isso mostra o quanto a comunidade surda é inviabilizada”, afirma Isaac, que tem até um vídeo em seu canal no YouTube sobre a importância da valorização de pessoas com deficiência auditiva no mercado.

Furando bolhas

Ambos os influenciadores veem na internet uma forma de furar bolhas e atingir um público maior. “Percebi que eu podia alcançar muita gente, quebrar barreiras e fazer as pessoas conhecerem o nosso mundo”, conta Isaac.

Já Leo complementa: “A internet não só furou bolhas, mas também ajudou as pessoas surdas a encontrarem a sua comunidade e cultura. É impressionante que, hoje em dia, muitos ouvintes não sinalizados seguem a nossa comunidade”.

Conquistas como essas só foram possíveis devido ao avanço de pautas sobre diversidade. Ainda assim, Leo e Isaac dizem ser necessário haver um aprofundamento na educação para a comunidade surda ser cada vez mais inserida na sociedade.

“As pessoas devem parar de olhar para os surdos como se fossem monstros”

Gabriel Isaac
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