Adriana Calcanhotto || Créditos: Cristina Granato

Adriana Calcanhotto: homenagem à companheira sem perder o bom humor no Rio

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Adriana Calcanhotto || Créditos: Cristina Granato

Adriana Calcanhotto está de volta depois de um período de dois anos de residência artística em Coimbra. Para marcar esse retorno – e o fato de, apesar da temporada fora, estar se sentindo mais brasileira que nunca – montou o show “A Mulher do Pau Brasil”, feito em formato bem intimista em plena quarta-feira no teatro Oi Casa Grande, no Leblon. Mesmo no meio da semana, a capacidade da plateia era pequena demais para a saudade dos cariocas, lotou, e a cantora decidiu fazer uma sessão extra no mesmo dia, à tarde. E lotou também. Claro…

Adriana abriu a apresentação deitada em uma rede, meio Macunaíma, – e tudo no cenário evocava o vermelho do pau brasil. A primeira canção do setlist já é a que dá nome ao show, composta em Portugal, em tom autobiográfico. “Nasceu no sul/ foi para o Rio/ e amou como nunca se viu/ Depois do rio que tragou/ no além mar onde emergiu […]”. É assim que começa a letra. A companheira dela, Suzana de Moraes, morreu em 2015. Pouco tempo depois, a cantora embarcou para essa fase de estudos.

Não é a única referência a Suzana. Em um momento de pura descontração – quase um stand up comedy mesmo -, Adriana conta que nessa temporada na Europa fez questão de passar um mês estudando em Oxford, em novembro do ano passado, e procurou vestígios da passagem do pai dela, Vinicius de Moraes, pela universidade, em 1938. Em um tom de piadista nata, ela narra as aventuras dele, como fugia por canos de água todas as madrugadas para encontrar a namorada, que ficava em Londres, e só voltava a tempo de ser visto antes do horário em que o dormitório era trancado, à meia-noite… Segundo Adriana, Vinicius dizia para os amigos: “Que universidade moderna, não se importa com o que o aluno faz durante o dia, desde que esteja lá à meia-noite. Estou nessa bolha, com roupas nobres, vejo muita realeza e nenhuma realidade”.

E ela continua: “Nelita, uma das viúvas dele, e não me arrisco a dizer em que posição porque não sou especialista, me contou que uma vez em Oxford passou uma bandeja de maçã, ele pegou uma, comeu e ficou um clima estranho. Quando perguntavam ao Vinicius o que aprendeu lá, ele respondia: ‘a comer maça de garfo e faca'”. E o público caiu na gargalhada. Então ela cantou “Nature Boy” em sua homenagem.

Adriana já havia brincado com Marisa Monte, que ninguém tinha visto, mas estava na plateia. “A Marisa, quando faz show no Rio, sempre fala: ‘Vou dormir em caaaaasa'”, imitou, tipo comemorando. “Hoje vou dormir também, Marisa!” Aliás, a colega, que combinou um look bem estiloso com maria chiquinha, saiu antes do bis, pra passar despercebida mesmo… Quase que nem posa pra foto. Camila Pitanga, Marco Nanini, Aracy Balabanian e Renata Sorrah também foram assistir à apresentação. E voltaram pra casa embalados pelos maiores hits: “Esquadros”, “Vambora”, “Devolva-me”, “Inverno”… Uma delícia. Fora as performáticas, como “Vamos Comer Caetano”. Até coroada a cantora apareceu no palco. Agora a turnê segue para São Paulo, Porto Alegre, Curitiba…

Camila Pitanga, Aracy Balabanian, Renata Sorrah, Marco Nanini e Marisa Monte || Créditos: Cristina Granato

Siga a seta para ver quem mais prestigiou o show:

 

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