Foto: Lucas Seixas

Gabriel Leone fala sobre “Dom” em entrevista e ensaio à PODER: “Tenho aprendido a me cuidar mentalmente e fisicamente, porque ele é muito forte, muito denso”

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Por Carol Sganzerla

Das novelas às minisséries, Gabriel Leone ocupa todos os espaços com seu talento e versatilidade. Prestes a lançar Eduardo & Mônica nos cinemas e gravando a segunda temporada de Dom, o ator carioca ainda vai dar o que falar ao lado de Andréa Beltrão na novela Um Lugar ao Sol.

Gabriel Leone tinha apenas 3 anos quando o vocalista da Legião Urbana deixou uma geração desamparada com sua morte, em 1996, mas nem por isso o menino deixou de se apropriar das canções de Renato Russo. Pelo contrário. Em sua casa na Tijuca, bairro carioca onde cresceu cercado de vinis, a banda tocava repetidamente; seus pais eram fãs e ele logo herdou o mesmo gosto. Natural, então, que Gabriel tenha vibrado ao ser escolhido para viver o adolescente de Eduardo & Mônica, longa inspirado em uma das músicas mais famosas da década de 1980 e que narra a história de amor de um casal improvável.

O desejo de contar essa história era tanto que, lá em 2015, pediu para refazer o teste de tão insatisfeito que saiu. Na segunda tentativa, levou o papel. “Passou a ser um objetivo de vida estar nesse projeto. Seria um presente fazer um personagem que saiu da cabeça do Renato. Gosto de me transformar para os papéis, e esse, acima de tudo, tinha a energia de um menino de 16 anos que viveu os anos 1980”, conta o ator de 28. Dirigido por René Sampaio, o mesmo de Faroeste Caboclo, outro grande sucesso da banda musicado para os cinemas, o longa estreia no início de janeiro e tem a atriz Alice Braga como Mônica.

“Meu trabalho tem uma força política e de transformação enormes com as histórias que conto.”

Da mesma forma que aconteceu com tantos outros filmes, este teve seu lançamento adiado por causa da pandemia, mas chegou a ser exibido no Festival de Cinema de Miami no começo de 2020, antes de tudo fechar. Leone, que vinha num ritmo intenso de trabalho, se perdeu com a vida em suspenso. “Nunca tinha ficado tanto tempo sem trabalhar. O trabalho me equilibra, fiquei bem instável psicologicamente”, conta. Encontrou apoio na terapia, assim como na música. “Voltei a compor, comecei a estudar piano, fiz um curso de harmonia. A música foi minha válvula de escape”, explica.

Quem segue o perfil de Leone nas redes sociais pode acompanhar mais sobre seus gostos musicais, além dos filmes e séries que fazem sua cabeça. Ele
diz gostar dessa troca e da possibilidade, como figura pública, de se conectar com tantas pessoas. “Acho que meu trabalho por si só tem uma força política
e de transformação enormes com as histórias que conto. Mas tem questões que sinto a necessidade de colocar minha opinião, de trazer reflexão. Estamos
vivendo um período tenebroso da história do Brasil, principalmente a condução do governo ao longo da pandemia, realmente trágica e genocida. Ajo de acordo com o que estou sentindo”, diz.

Foto: Lucas Seixas

Leone conversou com a PODER em uma folga das gravações da segunda temporada de Dom, minissérie da Amazon Prime Video baseada na história real do
carioca Pedro Dom, garoto de classe média que virou um dos criminosos mais procurados do Rio na primeira metade dos anos 2000. “Dom é um personagem que mexe muito comigo. E é muito acessível para o ator passar dos limites, se jogar, porque a situação pede. Tenho cada vez mais aprendido a me cuidar mentalmente e fisicamente, porque ele é muito forte, muito denso”, pondera Leone, que estava com os cabelos descoloridos neste Ensaio por causa do papel. A repercussão da série, conta ele, foi grande. “Falar sobre a dependência química no audiovisual é muito importante, por isso vamos seguir contando essa história”, afirma. Para 2022, quatro filmes com ele no elenco estão previstos para estrear, entre eles Alemão 2, de José Eduardo Belmonte, e Cidade Ilhada, de Sérgio Machado.

O ator também está no horário nobre da Globo na novela Um Lugar ao Sol, como Felipe, o estudante de psicologia que se envolve com a personagem de Andréa Beltrão, em uma relação que levanta a questão do etarismo – eles têm 30 anos de diferença na trama. “Cada um sabe de si, né? As pessoas passam mais tempo cuidando da vida dos outros do que da sua própria felicidade”, conta, que vê como um presente essa parceria. Se deu nervoso na hora de gravar? “Nunca me bateu nesse lugar de medo, sempre foi no lugar de um êxtase, de um tesão de ter o privilégio de fazer o que amo e ainda mais com pessoas que admiro. Combinamos que a gente ia se divertir, em várias cenas estamos rindo de verdade.”

“Dom é um personagem muito denso e está sendo importante me cuidar mentalmente e fisicamente”

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