Publicidade
Novos modelos de banco revolucionam mercado financeiro || Créditos iStock
Novos modelos de banco revolucionam mercado financeiro || Créditos iStock
Novos modelos de banco revolucionam mercado financeiro || Créditos iStock

Sem agência, com análise de crédito via selfie e fatura de cartão por aplicativo. As chamadas  fintechs, que juntam serviços financeiros e tecnologia, chegaram para revolucionar nosso jeito de lidar com dinheiro

por Nataly Costa para a Revista PODER

Quando começaram a se multiplicar, em meados dos anos 2000, as startups financeiras eram as zebras do Vale do Silício. Afinal, uma coisa era inovar na área de serviços, aparecer com uma solução criativa para o transporte ou inventar mais uma rede social. Outra, bem diferente, era querer mexer com banco, dinheiro, investimentos, enfim, coisa séria demais para as aventuranças do empreendedorismo. Hoje, as chamadas fintechs (união entre as palavras “financial” e “technology”) recebem investimentos da ordem dos US$ 22 bilhões – os dados são da consultoria Accenture e se referem a 2015 – e já começam a incomodar as sólidas estruturas dos bancos tradicionais. “A grande ameaça a Wall Street não é a política, e sim essas startups que estão quebrando os paradigmas do sistema bancário tradicional”, escreveu Steve Case, cofundador da AOL, em um artigo no Wall Street Journal. “À medida que essas empresas conquistam clientes, os bancos perdem espaço. Isso de ser ‘too big to fail’(muito grande para falhar) também significa que eles são muito desajeitados para inovar”, sentencia Case.

 Realidade virtual

No Brasil, as fintechs também já ganham terreno ao começar a quebrar a barreira mais importante nessa seara: a da desconfiança. Uma das mais conhecidas nesse ramo é o Original, um banco sem agência – e também sem caixa eletrônico próprio, sem fila para pagar conta e sem senha para tomar cafezinho com o gerente. “Bom, se o cliente fizer muita questão do café, pode ir no Espaço Original, no Rio ou em São Paulo, e escolher um de nossos blends”, brinca Marcos Lacerda, diretor de marketing. Fundado em 2011 pela holding J&F, o Original deve chegar à marca dos 100 mil clientes até o fim do ano e é totalmente ancorado em tecnologia. Todo o processo de abertura de conta – envio de documentação, foto, comprovante de residência – é feito por meio de um aplicativo. O mesmo vale para transferências, pagamentos, checagem do extrato e até depósitos de cheques. Basta ter um bom smartphone com câmera de alta resolução – isso, aliás, é não só um pré-requisito como um dado valioso para o banco compor o perfil de quem está por trás da tela. “Nosso grande desafio ainda é a confirmação de identidade. Mas a biometria avançou muito e é uma virada de chave nos celulares modernos”, afirma Alvaro Teofilo, superintendente executivo de segurança do banco. “Existem inúmeros recursos para checar a autenticidade de quem está abrindo uma conta. Não é mais só um gerente olhando papeis.” Ou seja: na hora em que você manda uma selfie e tira uma foto de seu comprovante de residência, eles lá do outro lado já sabem, no mínimo, que celular você tem (o que diz algo sobre sua renda), onde você está (geolocalização), se mora e trabalha onde diz (as redes sociais ajudam na “delação”). Quem é cioso com sua privacidade deve saber que as fintechs não usam exatamente informações novas. O que fazem é confirmar dados que já entregamos de lambuja ao fazer qualquer coisa – preencher um cadastro, comprar um tênis, mandar um email – pela internet.

As tarifas cobradas por esse tipo de empresa costumam ser mais competitivas do que as de um banco ou de uma administradora financeira tradicional. No mercado há três anos, o Nubank é um cartão de crédito com uma operação totalmente fincada no mobile. A fatura só aparece no aplicativo, alterações de limite podem ser feitas pelo celular e até o atendimento ao cliente é 90% digital, via chat ou e-mail – telefone, só em casos extremos. Mas o maior chamariz para a clientela é a possibilidade de ter um cartão com uma bandeira amplamente aceita, limite totalmente negociável e zero de anuidade. “Nossa receita vem da taxa de 3% por compra, que cobramos das lojas, e dos juros de quem não paga em dia. No  momento, não cobramos nada pelo uso do aplicativo”, explica David Vélez, CEO do Nubank, já sinalizando que a política “tarifa zero” para o cliente pode mudar.

O império cntra-ataca

Os bancos tradicionais já avançaram e muito em relação ao atendimento digital, é verdade – está cada dia mais fácil acessar a conta e fazer transferências e pagamentos sem precisar passar pela porta giratória da agência. O Itaú, por exemplo, acaba de lançar um aplicativo que permite a abertura de conta pelo celular. A Caixa, por sua vez, lançou o Youse, um serviço que vende seguros (de vida, residencial ou de automóveis)pela internet. A diferença é que, nessas instituições maiores, é relativamente comum que um mínimo problema obrigue o cliente a ir a uma agência – ou encarar uns bons minutos no telefone com o telemarketing. “Nos bancos, o digital é um canal a mais. Nosso diferencial é que a gente já nasce com o atendimento desenhado de uma forma que não precise mandar o cliente para a agência, porque não tem. Transferência, troca de senha, investimento, tudo pode ser feito pelo aplicativo”, diz Marcos Lacerda, diretor de marketing do Original. Não à toa, são os jovens adultos na faixa dos 30 e poucos anos pertencentes às classes A e B o público-alvo das fintechs. A maioria é ou já foi cliente de um grande banco, mas procura uma opção menos burocrática para manter uma segunda conta, um segundo cartão de crédito ou um investimento.

 Sem calote

No Geru, plataforma que permite a realização de empréstimos pessoais depois de uma análise de crédito que dura cerca de cinco minutos, o maior desafio é evitar o calote. “Existe mesmo essa procura maior por parte das pessoas com menos de 40 anos e de nível socioeconômico mais alto. Mas há bons e maus pagadores de todas as classes e idades. É mais uma questão de comportamento do que de extrato social”, explica Sandro Reiss,  “Criamos um score que classifica os clientes em 35 níveis de risco diferentes. Conforme a nota de cada um, aplicamos uma taxa de juros que varia de 2% a 5% ao mês”, afirma Reiss. A pessoa atrás da tela informa em quanto tempo pretende pagar – de 12 a 36 meses – e o valor que deseja tomar emprestado – de R$ 2 mil a R$ 35 mil. Na mesma linha, o BankFacil também permite pegar dinheiro emprestado com alguns cliques  no celular, e juros bem inferiores aos praticados pelos bancos. “Pedir empréstimo é algo bem pessoal. Para que se constrager na frente do gerente?”, diz Sergio Furió, CEO do BankFacil, que, diferentemente da Geru, exige um carro ou um imóvel como garantia.   n

O modo de usar da tecnologia avançou tanto e tão rapidamente que já criou eras evolutivas na internet. Steve Case, da AOL, afirma que até os anos 2000 a web vivia sua “primeira onda”: as pessoas ainda aprendiam o que era estar conectado e a navegação era muito básica. A segunda onda, por sua vez, já tornou a tecnologia algo inexorável – nossa vida social passou a existir também dentro das redes. Na terceira onda, que é a que estamos vivendo agora, segundo Case, a internet invade todos os aspectos da vida, e já não há mais distinção entre vida on e off-line. Trabalhar, se deslocar, cuidar da saúde, se informar, comer – para tudo existe um aplicativo ou um serviço facilitador que só funciona conectado. O lado bom é que, nesse estágio, a internet também passa a representar cada vez menos um “perigo” – a percepção dos serviços on-line é mais aprofundada, o que torna seu uso mais seguro.

A terceira onda

O modo de usar da tecnologia avançou tanto e tão rapidamente que já criou eras evolutivas na internet. Steve Case, da AOL, afirma que até os anos 2000 a web vivia sua “primeira onda”: as pessoas ainda aprendiam o que era estar conectado e a navegação era muito básica. A segunda onda, por sua vez, já tornou a tecnologia algo inexorável – nossa vida social passou a existir também dentro das redes. Na terceira onda, que é a que estamos vivendo agora, segundo Case, a internet invade todos os aspectos da vida, e já não há mais distinção entre vida on e off-line. Trabalhar, se deslocar, cuidar da saúde, se informar, comer – para tudo existe um aplicativo ou um serviço facilitador que só funciona conectado. O lado bom é que, nesse estágio, a internet também passa a representar cada vez menos um “perigo” – a percepção dos serviços on-line é mais aprofundada, o que torna seu uso mais seguro.

 

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

Instagram

Twitter