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Mari e Caio, interpretados por Caroline Abras e André Antunes, em cena de “Alguma Coisa Assim” || Créditos: Divulgação

Casamento, homossexualidade, aborto e relacionamentos abertos são alguns dos temas discutidos em “Alguma Coisa Assim”, longa de Esmir Filho e Mariana Bastos, que estreia nesta semana em circuito nacional. Filmado ao longo de dez anos – ele derivou de um curta, premiado em Cannes em 2006, e a partir daí foi rodado em diferentes momentos entre 2006 e 2016 -, é uma raridade no cinema nacional ao ter como fórmula a discussão dos temas com a evolução do tempo e a maturidade dos personagens Caio e Mari, interpretados por Caroline Abras e André Antunes, dois jovens cujo relacionamento está além de qualquer definição.

“Não planejamos que seria filmado dessa forma, apenas aconteceu”, explica Mariana ao Glamurama. “Acabamos conseguindo com isso um diferencial para o filme, poucos são feitos assim. A interpretação ganhou muito com isso, já que é nítido o amadurecimento dos atores no decorrer dos anos.” Sobre comparações com “Boyhood: Da Infância à Juventude” (2014), de Richard Linklater, que acompanha a vida de um garoto durante um período de doze anos, ela explica: “a diferença é que eles planejaram e a gente não.”

A diretora Mariana Bastos com os atores Caroline Abras e André Antunes nos bastidores de “Alguma Coisa Assim” || Créditos: Divulgação

Linha do tempo
“No filme, a gente buscou retratar questões geracionais. Em 2006 tivemos discussões em torno da descoberta da sexualidade, em 2013, uma imersão no debate sobre casamento gay, e em 2016 priorizamos a escolha da mulher com relação ao aborto, mostrar como o procedimento acontece em um país onde é legal”, diz Mariana. Para Esmir, cenas que se passam numa rua Augusta boêmia dos anos 2000 vão propor uma nostalgia àqueles que estão na faixa dos 30 e poucos anos. “Muita gente que frequentou o local vai se identificar com a juventude representada no filme”. Ainda sobre o endereço icônico de São Paulo, comentou: “Hoje aquela juventude provavelmente está em outro lugar. Os neons foram trocaram por outras coisas, mas continuam abrindo bares e restaurantes com outras características. O boom imobiliário naquela região também modificou tudo, porém aquele espírito boêmio continua vivo.”

São Paulo – Berlim
O longa tem sua primeira e segunda partes rodadas em São Paulo, e a última filmada em 2016, em Berlim. Sobre o motivo que os levou a optar pela capital alemã, Esmir, que já morou lá durante quatro meses, explica: “Criei uma relação muito forte com Berlim. Como a personagem de Carol era muito do mundo, fugindo de raízes, pareceu uma ótima escolha. Após pesquisas decidimos gravar no verão porque a cidade tem uma cultura de festas, locais com uma pegada industrial e um espírito jovem parecidos com os de São Paulo. São cidades em constantes transformações.”

Bilheteria
“Alguma Coisa Assim” vem com um ótimo respaldo da crítica – sua versão curta-metragem foi premiada no Festival de Cinema de Cannes. A expectativas de sua chegada às telonas são boas. “Esperamos que chegue aos cinemas como uma historia que as pessoas terão, no mínimo, prazer em assistir. É uma relação fluida, um tema geracional. Se você tem qualquer relação com ao menos um dos temas tratados será fácil embarcar na história. É um filme fácil que ao mesmo tempo propõe  discussões pertinentes aos dias de hoje”, comenta Mariana.

Esmir Filho e a atriz Caroline Abras nos bastidores de “Alguma Coisa Assim” || Créditos: Divulgação

Curiosidades de bastidores
Enquanto a atriz Caroline Abras fez uma série de outros projetos para o cinema e televisão nos últimos 10 anos, André Antunes migrou para a área de psicanálise, trazendo um background diferente para o personagem ao voltar a atuar no projeto.

No primeiro dia de filmagem em Berlim, em 2016, foi tenso. Mariana relembra: “Nós queríamos uma cor diferente para o cabelo da Caroline. Trouxemos uma cabeleireira vinda de Londres só para fazer a transformação, mas algo deu errado e o cabelo dela caiu, porque estava muito frágil. Ela perdeu metade do cabelo e tivemos que adotar um visual curtinho para personagem que, sem querer, teve tudo a ver com a referência alemã. Na hora foi um susto, ela teve que fazer um tratamento para recuperação dos fios, mas depois deu tudo certo.”

André também passou por apuros. Em 2006, em uma cena que se passa em uma boate na rua Augusta, foi preciso colocar um tampão no ouvido do personagem para possibilitar um papo entre ele e um outro cara. Acontece que o tampão ficou preso teve que ser tirado a força. “Tivemos que levá-lo para o hospital”, conta Esmir.

Novos projetos
Agora, Mariana se debruça nas produções de “Raquel 1,1”, suspense bíblico pop que conta a história de uma menina “com ideais progressistas que chega em uma cidade superconservadora”, adianta a diretora. Já Esmir se prepara para estrear “Verlust”, estrelado por Andrea Beltrão e Marina Lima, que mostra a relação entre uma cantora e uma empresaria. (Por Julia Moura)

Mariana Bastos e Esmir Filho nos bastidores de “Alguma Coisa Assim” || Créditos: Divulgação

 

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