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Desnatalidade (taxa de nascimento menor que de mortalidade) é um problema enfrentado pela Europa há décadas e que está cada vez mais próximo do Brasil, América Latina e Estados Unidos. Sociedades mundiais de fertilidade defendem iniciativas para frear problema que traz impactos sociais e econômicos

 

  • Estamos Encolhendo? As taxas de nascimento na América Latina, Brasil e Estados Unidos diminuem de 7% a 34%, o que começa a preocupar, especialmente considerando que a infertilidade é um problema crescente no mundo.
  • Desafio Global: A Federação Internacional de Sociedades de Fertilidade aponta que a taxa de fertilidade abaixo do nível de substituição traz grandes implicações sociais e econômicas, e é um desafio enfrentado não apenas pela Europa, mas também por países como Brasil, os da América Latina e Estados Unidos.
  • Novos Paradigmas: O conceito de planejamento familiar está sendo ressignificado, conforme destacado pelo Dr. Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana. Enquanto historicamente associado à contracepção, hoje a discussão envolve a inclusão de programas de fertilidade e tratamentos de reprodução assistida no planejamento familiar.
  • Inclusão e Acessibilidade: É urgente tornar os tratamentos de reprodução assistida mais acessíveis a todos. A construção familiar, que engloba diversos métodos e opções para ter filhos, deve ser priorizada nas políticas de planejamento familiar, defende a Federação Internacional de Sociedades de Fertilidade.
  • Conscientização: Além disso, é necessário educar a população sobre questões relacionadas à infertilidade, incluindo suas causas e formas de prevenção. A idade, principalmente para as mulheres, é um fator importante a considerar, e adiar a gestação pode reduzir significativamente as chances de gravidez.

 

O termo planejamento familiar virou sinônimo de contracepção, mas essa falsa associação começa a trazer prejuízos mundiais.

“Essa relação acontece porque as políticas de planejamento familiar, incentivadas por governos de todo o mundo, concentraram-se, em mais de meio século, em oferecer métodos contraceptivos para evitar a gravidez indesejada e mitigar o crescimento populacional. Mas já é hora de ressignificar o termo, pois atualmente metade dos países no mundo apresenta taxa de fertilidade abaixo do nível de substituição (quando a natalidade e a mortalidade são iguais). Até mesmo no Brasil e em países da América Latina, isso vem sendo observado, o que cria a necessidade de um novo olhar sobre o tema”, explica o Dr. Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita.

Afetado pela alta da infertilidade, esse problema começa a colocar mais países na rota da “desnatalidade”. “Se a taxa de natalidade for menor que a de mortalidade de forma sustentada, entramos no que os especialistas chamam de desnatalidade, tornando a população cada vez menos populosa, o que traz implicações sociais e econômicas”, acrescenta o médico. “Equilibrar a balança é preciso. Precisamos incluir as discussões sobre fertilidade nesse contexto – e tornar os tratamentos de reprodução assistida mais acessíveis a todos”, completa o Dr. Fernando.

A Federação Internacional de Sociedades de Fertilidade (IFFS) publicou em 10 de janeiro, em um periódico de Oxford, um documento de consenso que serve de alerta para subpopulação em alguns países e a necessidade de revisar políticas de promoção da contracepção. O objetivo da entidade é discutir mais o tema da fertilidade e incentivar programas de saúde pública com benefícios à reprodução humana. Problema antigo da Europa, a redução nas taxas de fertilidade expandiu para as Américas. Em quase uma década (de 2013 a 2022), o declínio da fertilidade se mostra consistente nos Estados Unidos (-7% de nascimentos), Brasil (-10%), México (-24%), Colômbia (-13%), Chile (-21%), Costa Rica (-27%) e Uruguai (-34%). Os números da Argentina (-32%) correspondem ao período entre 2016 e 2021 e os de Cuba (-21%) entre 2013 e 2021. Os dados foram compilados com base nas informações oficiais dos países. “Alguns países possuem política de Estado para aumentar os nascimentos. É o caso da Dinamarca, por exemplo, que custeia gratuitamente tratamentos de fertilização in vitro para sua população”, explica o médico.

O documento da IFFS prevê que até 2050 e 2100, respectivamente, 77% dos países predominantemente de rendimento elevado e 93% de todos os países terão uma Taxa de Fertilidade Total (TFT) inferior ao nível de substituição de 2,1 filhos por mulher. Segundo a entidade, é possível que muitos países tenham um declínio populacional superior a 50% entre 2017 e 2100.

Segundo o Dr. Fernando, para evitar o futuro apocalíptico, é necessário incluir os cuidados com a fertilidade na discussão do planejamento familiar. “O conceito de construção familiar, o processo pelo qual indivíduos ou casais criam ou expandem as suas famílias, tem sido largamente ignorado nos paradigmas de planejamento familiar”, explica o especialista. O texto da IFFS vai na mesma linha: “A construção familiar abrange vários métodos e opções para indivíduos ou casais que desejam ter filhos. Pode envolver meios biológicos, como concepção natural, bem como Técnicas de Reprodução Assistida, barriga solidária, adoção e assistência social. A construção familiar reconhece as diversas maneiras pelas quais os indivíduos ou casais podem criar a família desejada e reflete a compreensão de que não existe uma abordagem única para a construção de uma família. É urgentemente necessário desenvolver programas educativos para jovens adultos para aumentar a consciência sobre a construção familiar e prevenir a infertilidade”, diz o texto.

Segundo o Dr. Fernando, grandes avanços nos cuidados de fertilidade melhoraramdramaticamente as oportunidades de construção familiar desde a década de 1990. “A Fertilização In Vitro, a Inseminação Artificial e o próprio conhecimento a respeito das condições que influenciam a infertilidade evoluíram muito. Mas o benefício ao maior número de pessoas ainda esbarra no alto custo do tratamento da infertilidade, que é inacessível para a maioria”, pontua o médico.

No texto, a entidade defende que todos, incluindo pessoas inférteis, solteiras e LGBTQ+, têm direito de ter um filho e constituir família. “Nesse contexto, a entidade defende que estratégias de construção familiar, incluindo a prevenção da infertilidade, devem fazer parte de políticas de planejamento familiar, em detrimento de apenas incentivar a contracepção”, destaca o médico. “E é urgente desenvolver uma técnica de reprodução assistida acessível ao maior número de pessoas”, completa.

E é importante, também, segundo a entidade, educar a população a respeito da infertilidade. “Existem diversas causas para a infertilidade, mas a principal delas, principalmente com relação às mulheres, é a idade. Adiar a gestação pode fazer ruir as chances de gravidez. Nesse caso, o melhor a fazer para preservar a fertilidade é o congelamento de óvulos”, esclarece o Dr. Fernando. O relatório também recomenda a monitorização global, regional e nacional da infertilidade em estudos populacionais entre pessoas que tentam ou já tentaram ter filhos.

“O consenso publicado pela entidade tem dados robustos e deve ser levado em conta nas políticas públicas para prevenir o impacto social e econômico que pode ocorrer com a baixa taxa global de nascimentos”, finaliza o Dr. Fernando.

 

 

 

Fonte: Dr. Fernando Prado: Médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. É diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres – Reino Unido. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE). Instagram: @neovita.br

 

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