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ISABELA CAPETO VOLTA À FORMA

 Após algumas temporadas apagadas, Isabela Capeto volta à forma com uma coleção feminina, e delicada, mas forte no impacto visual. Isabela passou um filtro em sua carreira e se “livrou dos pesadelos, valorizou os elogios, esqueceu as ofensas” e fez apenas o que a agrada. Por isso a coleção tem o melhor do seu universo. Há muitos detalhes, mas que conversam entre si. Da forma como o cabelo foi arranjado, aos sapatos trabalhados, às bijuterias com ar cigano, Isabela conseguiu dar uma unidade a sua coleção de desejos e memórias.

As roupas são elaboradas, mas ainda assim mantém um ar despojado e gostoso. Nada é básico, mas nada é pesado; tudo tem muita informação de estampas, bordados, miçangas, canutilhos, penas, sobreposições e cores. Mas são suas delicadas mãos o segredo da harmonia.

Vale à pena: os casaquinhos pretos trabalhados vestem mulheres de gostos diferentes e é uma peça atemporal

Bordados de pedrarias e miçangas nos looks da coleção de Isabela Capeto

OS 15 MINUTOS DA RESERVA

Confesso que quando li o release da Reserva, antes do desfile começar, achei um tema meio bobo: a instantaneidade da fama, já por demais explorado, desde que Andy Warhol declarou que todos teriam seus 15 minutos de fama. Mas a coleção, por sorte, foi uma surpresa agradável.

As peças clássicas, como paletós, são revisitadas em jeans, couro, tricô e materiais refletivo. Há muitos cardigans e jaquetas de tricô com detalhes em vinil e nylon, que estão entre os melhores trabalhos. Tamb~em não faltam boas calças e bermudas. Se a marca for fiel ao desfile, os meninos terão bons motivos para dar uma renovada no guarda-roupa. Vamos ver o que, das peças mais legais, chegará às lojas.

O styling de Felipe Veloso é esperto e a trilha de Jackson Araujo, com músicas como “Mintchura”, de Neusinha Brizola, e “Fame”, faixa-título do filme de mesmo nome, deram uma boa levantada na platéia que já está no ritmo de último dia de evento.

Vale à pena: invista nas jaquetas de inverno, em tricô

Streetwear afiado na Reserva

A BUSCA DO ESTILISTA

Marcelo Sommer uma vez me disse que suas coleções refletem seu estado de espírito. Já vimos desfiles alegres e melancólicos, mas todos sempre tinham o poder de embelezar e confortar. Se você estivesse triste ou cansada, era só olhar para aquelas roupas para encontrar acolhimento. Infelizmente não foi o que aconteceu desta vez. Após uma fase conturbada em sua vida pessoal, ele atravessa um período de escuridão para poder alcançar a luz. E é justamente nesse período pré-luz que nos encontramos em sua coleção.

As roupas têm aparência velha e desleixada, como se pertencesse a alguém que não liga mais para a aparência porque isso já não tem mais importância. São antigas, puídas, destroçadas, escuras, as únicas que sobraram. Os volumes resgatam vontades antigas do estilista, como os vestidos com saia bailarina. A alfaiataria acompanha o clima e aparece como se estivesse sido rasgada pelo tempo e pelo uso, mas não boas peças. Aliás, é no masculino que está a força do desfile.

As meninas andam tristes, com um olhar preso ao passado e uma dificuldade de enxergar dias melhores. Os meninos andam pensativos, como se esperassem por uma última solução, qualquer acontecimento que os salvasse. Mas as cordas que ambos usam no pescoço indicam que estão próximos de sua libertação final.

Sommer está em busca de amigos, silêncio, boas companhias, afeto, beleza, liberdade e tempo. Este desfile é apenas mais uma passagem em sua vida. Com um casting intimista, formado por seus colegas mais próximos (Alexandre Herchcovitch, Lu Curtis, Henrique Gendre, Fabia Bercsek, Ana Claudia Michels, Dudu Bertholini, entre outros), ele se econtra em ambiente seguro, guiado com amor até dias mais iluminados. Que este inverno passe logo para ele.

Vale à pena: para os meninos, as calças, as botas e os paletós com barra rasgada; para as meninas o vestidão xadrez usado por Lara Gerin é um bom resgate da obra de Sommer

Looks do desfile da marca Do Estilista

ANDRÉ LIMA FECHA A NOITE
Volumes, exageros, cores e estampas marcam a coleção de André Lima, que desta vez, se inspirou na cantora ícone Grace Jones.
Com a cintura sempre no lugar, as modelos ostentavam vestidos curtíssimos ou longos, sempre com o jogo de assimetria que André gosta e faz tão bem.
São vestidos de festa, mas não para qualquer festa, nem para qualquer mulher. São peças de impacto e com grande porção dramática, que devem realçar as mulheres mais ousadas e prontas para uma noite divertida, sem perder a elegância, claro.

Exagero, cores e volumes no desfile de André Lima

 

 

Por Camila Yahn

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