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Os povos originários no Brasil é pauta recorrente na grande mídia brasileira e, por aqui, não seria diferente. Por isso, rendemos aqui uma singela homenagem nesse 19 de abril àqueles que lutam e dedicam energia, tempo, sabedoria e, mais que isso, suas vidas, a defender quem já foi maioria absoluta em terras brasileiras: os povos indígenas. Do cocar às pinturas características na pele; das danças dedicadas à natureza às rezas curativas, a diversidade cultual, além das diferentes linguagens, reflete o amor e o que movem pessoas em uníssono na luta pela proteção e preservação dos direitos daqueles cuja voz, muitas vezes, não é ouvida.

Nessa luta, se engajam pessoas que transcenderam suas origens sem perder suas ancestralidades e, como um feliz resultado, temos, hoje, indígenas que são artistas, políticos, escritores, médicos e cuja luta ativista pelos direitos de seus povos e manutenção de suas memórias, diferentes umas das outras devido aos diversos contextos, não param. Reverenciamos esses profissionais com grande orgulho e agradecimento ao legado que nos trouxe até aqui e que, não em vão, será deixado e preservado para as próximas gerações.

 

Ailton Krenak

Foto Reprodução Instagram

Ailton Krenak é um líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro, e o primeiro indígena brasileiro eleito para Academia Brasileira de Letras – ABL. Eleito com 23 votos em outubro de 2023, tomou posse da cadeira de número 5 em 5 de abril desse ano. Nascido em 1953, no território do povo Krenak, localizado na região do Vale do Rio Doce, Minas Gerais – um local bastante afetado pela extração de minérios –, é uma das maiores lideranças no ativismo de movimentos em defesa dos direitos indígenas e socioambientais. Krenak ficou bastante conhecido ao participar da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, na qual, disposto na tribuna, pintou seu rosto com tinta preta de jenipapo em protesto ao que considerava um retrocesso na luta pelos direitos dos povos originários.

 

Célia Xakriabá

Foto Reprodução Instagram

Primeira deputada federal indígena eleita por Minas Gerais em 2022, Célia Xakriabá é uma das líderes indígenas mais reconhecidas, inclusive internacionalmente, por sua luta e engajamento por mais mulheres indígenas na política e por defender que as escolas, principalmente dos povoados, ofereçam uma educação com base nos conhecimentos ancestrais. Tem papel importante enquanto ativista protetora dos direitos indígenas e das terras destinadas aos povos originários. Aos 34 anos, a também professora e comunicadora está envolvida com as questões de seu povo desde cedo e tem uma vida inteira dedicada na luta pela preservação e valorização da cultura Xakriabá.

 

Daniel Munduruku – 

Foto Reprodução Instagram

Aos 60 anos, Daniel Munduruku nascido em Belém, no Pará, é formado em filosofia com licenciatura em História e Psicologia e integrou o programa de Pós-Graduação em Antropologia Social na USP. O escritor é autor de mais de 50 livros, no Brasil e exterior, sendo vários premiados nacional e internacionalmente. Sua literatura é predominantemente voltada para o público infanto-juvenil e ressalta a tradição oral indígena, compreendendo fábulas, contos e mitos de criação. Daniel também já lecionou por anos, tanto na rede estadual quanto na rede particular de ensino, e já foi educador social de rua pela Pastoral do Menor de São Paulo.

 

Joênia Wapichana

Foto Reprodução Instagram

 Joênia Batista de Carvalho, mais conhecida como Joênia Wapichana, nasceu em 1973 na comunidade indígena Cabeceira do Truarú, localizada na etnoregião Murupú e na zona rural da capital Boa Vista, Roraima. Tem em seu currículo uma carreira desbravadora sendo, pela primeira vez – e atualmente – a primeira presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Joenia é, também, a primeira mulher indígena advogada atuante no Brasil e a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal no Brasil pelo estado de Roraima, nas eleições de 2018 e foi a primeira presidente da Comissão de Direitos dos Povos indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criada em 2013. A indígena tem forte atuação junto à demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, além de trabalhar no departamento jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e na defesa de direitos de índios à posse de suas terras na Região Norte do Brasil.

 

Katú Mirim

Foto Reprodução Instagram

Rapper, cantora, compositora e atriz, aos 37 anos, a artista é grande ativista da causa indígena. Natural do interior paulista, Katú descobriu aos 13 anos sua origem indígena do povo Boe Boro cuja história relata que foram sequestrados em Mato Grosso e escravizados na cidade de Jundiai, de onde vieram seus descendentes. Assim, Katú reconta, por meio de sua música, a história da colonização pela ótica indígena e, é por meio de sua música, que cria narrativas sobre suas vivencias, identidade, gênero e orientação sexual, temas até então pouco discutidos no cenário musical.

 

Myrian Krexu

Foto Reprodução Instagram

Primeira médica cirurgiã cardiovascular indígena no Brasil, Myrian Krexu nasceu no município de Xanxerê, no interior de Santa Catarina, mas cresceu na comunidade Terra Indígena Rio das Cobras, para onde foi levada ainda bebê junto ao povo Guarani Mbyá, localizado na margem esquerda do Rio Guarani, no Paraná. Aluna do ensino público, ingressou na universidade Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) onde formou médica, realizando um sonho que surgiu ainda aos quatro anos quando quebrou o braço e teve seu primeiro contato com esse profissional.

 

Raoni Metuktire

Foto Reprodução Instagram

Aos, provavelmente 92 anos de idade (não se sabe ao certo), o líder indígena Raoni Metuktire é uma lenda viva quando o assunto é ativismo em prol da Amazônia e dos direitos indígenas. Raoni que é da etnia caipó, habitantes da Amazônia brasileira, é conhecido internacionalmente pela luta que tem travado contra o desmatamento da floresta e do descuido com os povos originários. Ao longo de décadas e com marcantes presenças em seus projetos, como o cantor inglês Sting com quem esteve em 1987 no Parque Indígena Xingu e com quem fundou a Rainforest Foundation, organização criada para sustentar seus projetos, Raoni é facilmente reconhecível, no Brasil e mundo afora, pelo uso do tradicional botoque, adorno que estica o seu lábio inferior e o qual ele porta com grande orgulho.

 

Sandra Benites

foto Reprodução Instagram / Gabriela Portilho

Sandra Benites é pesquisadora, antropóloga, ativista Guarani, curadora de arte e educadora. Primeira indígena nomeada diretora de artes visuais da Fundação Nacional das Artes, a Funarte, Benites é da etnia Guarani Nhandewa, localizada na Terra Indígena Porto Lindo, município de Japorã, Mato Grosso do Sul. Mestra em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sandra é licenciada em História e Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Como curadora, atuou na exposição “Dja guata Porã | Rio De Janeiro Indígena” no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) e já foi curadora adjunta no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

 

Sonia Barbosa

Foto Reprodução Instagram

Sonia Barbosa, também conhecida por Ara Mirim, seu nome em Guarani, atua em coletivos e movimentos sociais em diversos lugares do Brasil. Artista ativista, nasceu em 1975 e é natural de São Paulo, mas suas origens remontam aos seus ancestrais da tribo Guarani Jaraguá, de origem Xucuru-Cariri. Segundo ela, seu pai foi assassinado por grileiros e, logo após, sua família foi expulsa de suas terras e migraram para São Paulo. Foi acolhida, em 1990, pela comunidade Guarani local e reconhecida como indígena na região de Parelheiros, sul do estado onde aprendeu línguas e costumes, sendo atualmente uma grande atuante na defesa e proteção dos direitos dos povos nativos.

 

Sonia Guajajara

Foto Reprodução Instagram

 

Primeira ministra dos Povos Indígenas desde 2023, Sonia Guajajara é natural de Arariboia, terra indígena localizada em Amarante, no Maranhão e é fortemente engajada na luta pela garantia dos povos nativos. A indígena já foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes no mundo e foi agraciada em 2015 com a Ordem do Mérito Cultural, uma ordem honorífica dada a personalidades brasileiras e estrangeiras como forma de reconhecer suas contribuições à cultura do Brasil. Formada em Letras e em Enfermagem e especialista em Educação Especial pela Universidade Estadual do Maranhão, Guajajara é, ainda, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e integrante do Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil.

 

 

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