Você já se sentiu completamente perdido?
Recentemente escutei de duas amigas muito próximas que estavam se sentido perdidas e que sentiam falta delas mesmas. E confesso que é algo que eu disse com uma certa frequência nos últimos tempos também. Engraçado, né, o que seria sentir falta de nós mesmos? O que é esse “eu verdadeiro”?
Da última vez que falei para a minha terapeuta que sentia falta de mim mesma ela me respondeu: “Ju, você precisa lembrar que você não é outra pessoa, você só está outra pessoa.”
E depois que ela me disse isso, concluí: a pessoa que a gente é envolve nossa essência, nossos valores, nossos sonhos, nossas histórias. Estar perdido, estar confuso, estar diferente não é ser, é estar.
Então, ao invés de sentir falta de alguém que supostamente já fomos, será que não deveríamos prestar atenção em quem conseguimos ser agora?
Acho que o mais difícil é reconhecer o “estado de confusão” e saber o que fazer com isso. Afinal, às vezes a gente planeja a vida inteira de uma forma e acaba acontecendo tudo diferente.
Tenho visto muitos dos meus amigos passarem por isso. Estamos quase terminando a faculdade e muitos haviam planejado trabalhar com algo que descobriram nem gostar tanto. E como recalcular a rota a partir disso?
Tenho me perguntado isso constantemente porque, além de ter que lidar com a perda do meu pai, estou tentando recalcular todas as outras rotas que eu sempre contava com a ajuda dele para calcular da maneira certa.
Ainda não tenho a resposta exata sobre como fazer isso, mas já me deparei com uma certeza: se culpar, se cobrar ou se autocriticar não é uma opção. O caminho começa justamente em abraçar quem estamos — ou somos — no hoje. Daí pra frente as escolhas passam a ser mais generosas e não cruéis.
A segunda certeza que encontrei é a de que não estamos sozinhos. Em dois sentidos: não somos os únicos sentindo isso e temos pessoas queridas ao nosso lado para ajudar o processo a ser menos difícil. Compartilhar com quem a gente ama é preciso, é libertador, é dividir o peso com quem na verdade nunca se importou em dividí-lo com você.
Não falo como alguém que já absorveu tudo isso. Falo como alguém que está tentando, com muita dificuldade, aprender.
Afinal, acho que um dos medos é nunca se achar, né? Mas esses dias vi uma frase que me chamou atenção: “Se você faz tudo sempre igual, é seguro que nunca se perca, mas é possível que nunca se ache”, do Sérgio Vaz.
E, de fato, talvez se perder seja a certeza de que há algo no mundo para ainda encontrarmos. Como me disse o meu pai uma vez: as coisas acontecem para quem está sempre buscando, mesmo que não saiba exatamente o que procura.
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- Julia Xavier,