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Designer autodidata, o britânico Tom Dixon passou a “fazer coisas”, aos vinte e poucos anos, quando um acidente o deixou em casa, dando um tempo na carreira de guitarrista. Hoje, já são trinta anos de design, criando desejos imediatos como as suas luminárias metalizadas e projetos como o do hotel Mondrian, novo hype em Londres à beira do Tâmisa. Ele mesmo define suas criações como “sólidas e honestas” e “feitas de dentro para fora”. Dixon esteve em São Paulo, nessa terça-feira, para uma palestra na Firma Casa que, junto à Lumini, traz com exclusividade a nova linha, Club, para o Brasil. Na sexta, ele apresentou a mesma coleção no Rio de Janeiro, em jantar também oferecido pela Lumini junto da Casa Cor Rio, chez André Piva e Carlos Tufvesson, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Glamurama aproveitou para um bate-papo com o ele, que ficou todo inspirado com sua primeira visita à capital carioca. Confira!

Glamurama: Você está fazendo uma verdadeira turnê pela America Latina para o lançamento da linha Club. É a primeira vez que vem para cá?
Tom Dixon: Já passei por México, Brasil e Venezuela. Não tinha ido a Colômbia e Peru e foi incrível, são países que sempre tiveram conotações românticas e gostei de conhecer suas realidades. É a minha quarta vez no Brasil, mas a primeira no Rio. Antes só conhecia São Paulo. É que das outras vezes foi só trabalho. Agora é trabalho também, mas pude misturar com prazer. Pena que terei pouco tempo, pois volto para a Inglaterra no domingo.

Glamurama: A viagem foi inspiradora em termos de design?
Tom Dixon: Sim, foi muito bom, estive no Museu de Antropologia na Cidade do México, no Museu do Ouro em Bogotá e em outro museu em Lima. Gosto de ir a museus e tive contato com 10 mil anos de design que não conhecia.

Glamurama: Por que o nome Club na sua nova linha?
Tom Dixon: Sempre fizemos design para clubes privados e eu também costumava fazer festas em galpões. Um clube pode ter tudo, esporte, festa… Nesse caso eu me inspirei em um típico clube britânico, que funciona tanto para o trabalho como para a diversão. Originalmente, eles existiam para as pessoas que moravam no campo e passavam o dia em Londres. Hoje, transitam entre o dia e a noite, são um reflexo da vida moderna, as pessoas usam como escritório. Com a internet, acharam que as pessoas iriam passar a trabalhar mais em casa, mas não foi o que aconteceu, ninguém quer trabalhar em casa, preferem trabalhar no clube. Então, usam para o trabalho, mas podem se divertir na noite. A barreira entre o trabalho e a diversão está acabando, coisas que eram tradicionais se tornaram populares, como os clubes privados. Essa foi a minha inspiração.

Glamurama: Você viaja muito?
Tom Dixon: Sim, viajar é um dos grandes benefícios de ser um designer. Viajo para lugares de produção e de compra e venda. Conheço outras culturas, produzo em lugares como India, Dinamarca, Alemanha, China e Inglaterra. Vendemos em 60 países.

Glamurama: Como vê o futuro do design?
Tom Dixon: Tudo está mudando rapidamente com a internet com o mundo digital. Para o design é um momento excitante, o acesso à produção e venda é inacreditável, comparando com a época em que comecei. Você pode acessar um cliente do outro lado do mundo, ele pode pagar de lá, você pode divulgar o seu trabalho por blogs na internet, por emails, pode transportar rápido por Fedex…

Glamurama: Existem características britânicas no seu design?
Tom Dixon: Usamos a narrativa britânica, acho legal termos uma herança, raízes. Quanto mais eu viajo, mais percebo que, mesmo num mundo globalizado, o design sueco é muito sueco, o japonês é muito japonês, é difícil olhar para mim mesmo e dizer ‘isto é muito britânico’, mas eu acho que há elementos como o peso, algo de bruto, que são muito britânicos. Não é um design hipersofisticado como o italiano ou de alta engenharia como o suíço, ou hiperminimal como o japonês, é o que é; que é: britânico.

Glamurama: Você já fez várias colaborações para grandes marcas, como a Adidas. Tem alguma futura colaboração a caminho?
Tom Dixon: Tenho duas a caminho, mas ainda não assinei os contratos, então não posso contar. Pode ser algo com som (áudio) ou comida.

Glamurama: E moda?
Tom Dixon: No momento, não. A parceria com a Adidas foi ótima, uma companhia de dois bilhões de dólares, que tem os maiores experts em tecidos de performance no mundo todo. Ser exposto a isso no trabalho me deixou cheio de inspiração. Tenho certeza de que vou usar isso de novo, talvez na minha própria empresa. Esse trabalho me deixou muito interessado em tecidos, mas não em esportes ( risos).

Glamurama: Quais artistas brasileiros você mais admira?
Tom Dixon: Os irmãos Campana, Marcio Kogan e Lina Bo Bardi.

Glamurama: Se sentiu inspirado em sua primeira visita ao Rio de Janeiro?
Tom Dixon: Com certeza. Estou pensando em um movimento tropical. Aqui (Rio) teve muito destaque em mobiliário nos anos 60 e parece que agora isso está voltando. Eu faria algo com madeira escura e couro. Estou sentindo a inspiração chegando.

(Por Verrô Campos e Michelle Licory)

Siga a seta e conheça a coleção Club de Tom Dixon, com luminárias, móveis, velas e tapetes.

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