27.08.2018  /  15:43

Vera Fischer de volta à TV: “Só querem carinhas bonitinhas e bundinhas durinhas. Mas a alma…”

Vera Fischer || Créditos: Reprodução/ Instagram

Vera Fischer se prepara para voltar às novelas em “Espelho da Vida”, depois de um período de cinco anos afastada da Globo em uma assumida [por ela] “geladeira” por ter reclamado de sua personagem em “Salve Jorge”, Irina. Na época, ela teria dito em uma entrevista que era um “papelzinho” para alguém em início de carreira, que se fosse em outros tempos ela “daria um chilique” e que esperava que o próximo convite da emissora fosse para fazer algo com mais “dignidade”. Bom, demorou tudo isso para esse próximo convite chegar… “Sofri as consequências, sempre fui verdadeira, mas é um retorno triunfal”, garantiu a atriz sobre seu trabalho na nova trama das seis, escrita por Elizabeth Jhin.

“Você não lembra quando eu andava pelada?” 

Por que chegou a hora de voltar? “Me chamaram… O Pedrinho Vasconcellos [diretor], quando tinha 15 anos, fez comigo ‘Riacho Doce’, como ator. Ele me ligou! ‘Vera, quero você, volta’! Está sendo um encontro maravilhoso. A equipe dele é toda muito carinhosa. Meu núcleo é o do cinema, são jovens que vão fazer um filme sobre o passado. Tenho 67 anos e sou a única. O resto da turma do filme tem 20 e poucos. Eu faço uma estrela meio esnobe, com muitas exigências, peço um médico porque tem mosquitos [no set]… Aí vem um cara [Marcello Escorel] que se formou comigo em Cinema e parou para ser médico. Eles se reencontram, a mulher dele morreu, ele é tímido… Pergunto: ‘Você não lembra quando eu andava pelada?’ Aos poucos eles vão se reaproximando e vão ter um caso”.

“Não existe isso de reverência, cara. Achei que ia ter”

Sobre seus colegas de elenco… “É muito bom estar rodeada por jovens, uma maravilha! Morro de rir com a Kéfera, a [Luciana] Vendramini, o João Vicente de Castro, o Romulo [Arantes Neto] – e eu fui muito amiga do pai dele. Ah, e o menino do ‘Trate-me Leão'”. Evandro Mesquita? Esse não é tão novinho… “Mas faz o tipo. Essa turma… Eles me contam coisas, eu conto coisas. É uma farra… Não existe isso de reverência, cara. Achei que ia ter. ‘Ai, nossa, a Vera Fischer’… Mas não tem isso, não”.

“Só querem carinhas bonitinhas e bundinhas durinhas”

Sobre esse tempo fora do ar… “Eu emburaquei no teatro, que é uma coisa que eu amo também, fantasticamente. Gosto do ao vivo e sentia falta de viajar pelo Brasil, produzir coisas… Estava precisando fazer isso porque fiz novela muitos anos seguidos, mas também adoro. Vou te explicar uma coisa: tem uma hora que falo no meu texto da novela… ‘É muito difícil atrizes da minha idade terem papeis importantes hoje em dia. Só querem carinhas bonitinhas e bundinhas durinhas. Mas a alma… Ninguém se preocupa com a alma dos personagens’. É isso! E o João Vicente veio comentar comigo que a Meryl Streep [69 anos] fala que as atrizes dessa idade são ‘unfuckable’ [do palavrão em inglês ‘fuck’ mesmo]. Quer dizer que não são mais desejáveis. Somos ‘unfuckable’. E olha que ela é única, todo ano faz um filme, mas a maioria… Lá nos Estados Unidos, elas até têm mais chances. Cate Blanchett [49 anos], Helen Mirren [73 anos], Judi Dench [83 anos], Nicole Kidman [51 anos]. Aqui é mais difícil porque somos mais machistas. É quase impossível eu pegar uma Helena [icônica personagem de Manoel Carlos] de novo…”

“Aqui é mais machista, mas vou me virar”

Perguntamos se existe uma cobrança da Globo para que ela agora que está de volta tenha mais volume de trabalho. “Depois dessa novela, volto para o teatro. Não tem essa pressão da Globo. Eles estão vendo como é que funciona essa pessoa que sou eu. Entrei nas redes sociais, algo que mulheres da minha idade não querem muito, não gostam. Eu estou embarcando numa trip jovem que acho bacana, mas é difícil. Tenho muitos grupos de jovens que me perseguem também no teatro, que lembram das novelas. Estou fazendo mudanças grandes na minha vida, e achando bacana. Aqui é mais machista, mas vou me virar. Continuo contratada da Globo”. Outras veteranas da emissora que não emendavam muitos trabalhos, como Malu Mader e Maitê Proença, foram dispensadas… “Ah, mas aí é outra história. Eu não fui”. (por Michelle Licory)