19.06.2019  /  10:42

Um guia para entrar no universo fantástico de Chico Buarque, aniversariante desta quarta-feira

Chico Buarque está de parabéns || Créditos: Divulgação / Reprodução

O cantor e compositor Chico Buarque comemora 75 anos de idade nesta quarta-feira, e Glamurama não poderia deixar de homenagear um dos nomes mais importantes da música brasileira. Para a data não passar em branco – ainda mais neste ano tão especial em que sua obra venceu o Prêmio Camões, um dos prêmios mais importantes da literatura de língua portuguesa – criamos um guia especial com os CDs mais importantes de sua carreira, livros que escreveu e documentários/filmes que entregam detalhes preciosos de seu universo particular. Sem mistérios e firulas, o guia abaixo descomplica e mostra o melhor de um dos cantores mais amados do Brasil. Vem!

LIVROS

“A Banda”, de 1966

Chico tinha apenas 22 anos quando publicou seu primeiro livro, que contém os manuscritos de suas primeiras composições, além do conto Ulisses e uma crônica de Carlos Drummond de Andrade sobre “A Banda”, faixa do primeiro disco do músico, “Chico Buarque de Hollanda”.

“Estorvo”, de 1991

É o primeiro romance do músico, que começou a escrever a obra no Rio de Janeiro e a finalizou em Paris, em 1990. A história narrada é em primeira pessoa e acompanha um homem perturbado em uma trajetória obsessiva, pautada por acontecimentos estranhos.

“Budapeste”, de 2003

Adaptada para o cinema em 2009, a obra rendeu a Chico o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção de 2004. José Costa é um ghost-writer que estabelece uma vida de idas e vindas entre a cidade que dá título ao livro e o Rio de Janeiro. O filme, dirigido por Walter Carvalho, é protagonizado por Leonardo Medeiros.

“O irmão alemão”, de 2014

A partir da memória e da história familiar, Chico Buarque constrói romance sobre a busca obsessiva do autor/narrador por um irmão desconhecido, misturando as fronteiras entre ficção e realidade.

CDs

“Chico Buarque de Hollanda” (1966)

Influenciado diretamente pela bossa nova de João Gilberto, a ginga do violão de Jorge Ben e a literatura de Guimarães Rosa, o disco reúne as primeiras pérolas do carioca. O pontapé veio com “Pedro Pedreiro”, que anteciparia questões sociais na carreira do compositor. “A Banda”, seu primeiro grande sucesso, lhe renderia um programa de televisão com Nara Leão e o primeiro embate com a ditadura militar.

“Construção” (1971)

Álbum considerado o divisor de águas na obra do cantor, marca o início de um compositor maduro e engajado. Como foi lançado após seu retorno do auto-exílio na Itália, as canções têm uma base social e política, uma espécie de denúncia.

“Paratodos” (1993)

Músicas que falam sobre música, sobre o ato de compor. Isso se dá porque Chico havia abandonado a música para se dedicar ao seu primeiro romance, “Estorvo”. Depois de lançar o livro, o artista sentiu a necessidade de redescobrir o violão. E assim nasceu o repertório: algumas inéditas, algumas regravações. Conta com participação de Gal Costa e as fotos de Chico na capa foram feitas em sua adolescência por policiais, para sua ficha criminosa – Chico e um amigo haviam roubado um carro em São Paulo e passaram a noite na prisão.

“Caravanas” (2017)

Afastado dos palcos desde 2012, Chico voltou a fazer uma turnê que ganhou registro posteriormente. Em “Caravanas”, 30 músicas do artista que retratam o momento de tensão política e social, seja em
referência ao seu tempo particular, acima de qualquer cronologia.

CDs, livros e documentários: o universo de Chico Buarque!
CDs, livros e documentários: o universo de Chico Buarque || Créditos: Divulgação

DOCUMENTÁRIOS

“Chico – Artista Brasileiro”

Na produção de Miguel Faria Jr., que passa em revista a vida e a obra do compositor, cantor e escritor Chico Buarque, é possível desvendar diversas versões do homenageado: músico, escritor, boleiro, ativista, ator, marido, irmão, vovô, morador do Leblon. Ainda que seja ancorado no passado, o documentário joga para o presente, acompanhando a busca de Chico em Berlim pelo irmão que não conheceu.

“Uma Noite em 67”

Documentário lançado em 2010 pelos diretores Renato Terra e Ricardo Calil, mostra como foi o dia 21 de outubro de 1967, quando, no Teatro Paramount, centro de São Paulo, aconteceu a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Entre os finalistas estavam Chico Buarque e Gilberto Gil. Com cenas históricas e entrevistas com pessoas que viveram intensamente aquela noite, o longa se divide entre cenas de arquivo e atuais, mostrando-se essencial para entender o momento vivido pelo Brasil no final da década de 60.