Nina Silva || Créditos: Divulgação

Três perguntas para Nina Silva, mentora do Movimento Black Money e uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo

20.06.2019  /  9:00

Nina Silva || Créditos: Divulgação

Nina Silva, escritora, mentora, gestora de negócios em tecnologia e reconhecida como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos. É CEO do Movimento Black Money e respondeu três perguntas para a revista PODER. Vem!

O que é Movimento Black Money? É um hub de inovação em que a principal atividade é trazer autonomia para a população negra a partir do mindset tecnológico, finanças e inserção do olhar de startup focado em empreendedorismo. Na prática, consiste em sermos nossos próprios investidores, uma vez que o negro tem o crédito três vezes mais negado nas instituições financeiras. O objetivo é que pelo menos 30% do que for consumido pelos afrodescendentes se mantenha na comunidade, já que negros somam 2/3 dos desempregados.

Como pode ser viabilizado? Dentro da minha percepção de quem nunca teve pares nas instituições, pensei como essa mudança poderia ser acelerada. Ela deve acontecer através da inclusão nas empresas. Mas existe outro caminho da autonomia junto ao consumo intencional, que é o investimento na própria comunidade. Por meio da educação financeira esses negócios podem prosperar. Se o consumo da população negra vem aumentando, para onde vai esse dinheiro? De acordo com dados do instituto Locomotiva, nós consumimos R$ 1,7 tri em 2017, mas não conseguimos que esse dinheiro retorne aos empreendedores negros.

E quem pode colaborar? A questão é que não são apenas pessoas negras que podem praticar o black money, mas todos os aliados que querem ajudar a melhorar as discrepâncias raciais. É possível investir ou consumir de
empreendedores negros. As empresas podem ter fornecedores negros, contratar mais negros e, assim, contribuir para que a cadeia de suprimentos fique cada vez mais enegrecida. Um sistema empresarial com maior diversidade étnico-racial é mais ágil e transformador e ainda possui sua lucratividade aumentada em 33% – segundo estudos da McKinsey. A ideia é que a gente possa ser nosso próprio agente de transformação e que não precise pedir por inclusão e igualdade, porque isso demoraria muito para corrigir a situação atual de desigualdade social no país.