26.03.2020  /  14:49

Tom Ford abre o jogo sobre futuro da moda pós-coronavírus: “Nossas vidas serão transformadas, mas vamos sobreviver”

Entre as inúmeras áreas que com certeza serão afetadas pela pandemia do coronavírus está a indústria da moda. O que esperar para o futuro? Em entrevista publicada no WWD, site especializado nesse mercado, o estilista e chairman do CFDA, Tom Ford, mandou a real:

“Todo mundo vinha reclamando dos desfiles. Agora adivinha? Eles podem nem acontecer em setembro. E pré-coleções? Quem sabe?Não faço nenhuma ideia se teremos desfiles em setembro. Depende do que vai acontecer. Acho que todo mundo tem que considerar também que tipo de roupas e acessórios as pessoas vão querer em setembro. Isso tudo vai alterar o que as pessoas querem comprar. Será que do nada elas vão querer algo mais discreto? Elas vão querer uma paleta de cores diferente e uma coleção mais suave? Eu certamente não acho que as pessoas vão querer coleções pesadas ou agressivas. Então acho que vamos ter que simplesmente sentir onde estamos, que é o que sempre fazemos na moda. É o reflexo de onde estamos culturalmente, sempre foi, e acho que vai continuar sendo. Pode ser que todo mundo faça micro coleções para setembro. Realmente, ninguém pode prever. Isso é o mais louco. Normalmente, você pode se sentar com um plano de negócios e planejar tudo. Mas ninguém pode traçar planos agora”.

Como estilista, ele também enfrenta um impasse: “Mesmo que eu quisesse uma pré-coleção, não consigo, porque minhas fábricas estão fechadas. Não podemos ter provas de roupas. Mesmo que eu de alguma forma conseguisse criar uma coleção e a apresentasse virtualmente em maio, quem iria comprar? Ninguém vai abrir suas portas para compras, nem minhas lojas”.

Apesar de tantas incertezas, Tom Ford tenta manter o otimismo: “Acho que o mais importante é que isso vai passar, e vamos sobreviver. Nossas vidas serão transformadas, nossos empregos podem ser transformados, mas todos são talentosos. Seja você uma costureira, um alfaiate, um estilista – sua vida está de cabeça para baixo. Mas é temporário. Isso vai passar e vamos voltar ao trabalho. E vamos ser criativos de novo.”