16.08.2018  /  15:02

Todos os detalhes do Prêmio da Música Brasileira: o que aconteceu no palco e nos bastidores…

Caetano Veloso e Maria Bethânia com Tom, Zeca e Moreno, Maria Gadú, Camila Pitanga e Debora Bloch no camarim mais Leandra Leal || Créditos: Juliana Rezende e Glamurama

Que luxo foi ver esse encontro de família inédito nos palcos: nada menos que Maria Bethânia ao lado de Caetano Veloso e seus três filhos, Moreno, Tom e Zeca, cantando “Pérola Negra” essa quarta-feira em pleno Theatro Municipal, no Rio. Sem dúvida foi o ponto alto do Prêmio da Música Brasileira, que nessa edição homenageou Luiz Melodia. Performance irretocável, calorosa… O público só respirou mesmo quando acabou, extasiado. E de quebra ainda foi gostoso ver essa diva se apresentando toda casual, de calça jeans e blazer vermelho. A gente adorou!

Quem não tem Gal, caça com…

Por trás desse lindo número, a seguinte história: em entrevista ao Glamurama dias antes, José Maurício Machline, idealizador do evento há décadas, deu a impressão de estar chateado com uma certa ausência: Gal Costa, considerada por Melodia sua “madrinha” desde que ela gravou “Pérola Negra” e a música estourou, fazendo a carreira do músico decolar. Quando perguntamos se ele tinha conseguido escalar todo mundo que queria para interpretar o repertório de Melodia, a resposta foi: “Só vai faltar a Gal Costa, que tem uma importância vital na história do Melodia. Infelizmente ela não pode cantar e nem estar presente, mesmo sendo indicada [em uma das categorias]”. Que substitutos incríveis você arrumou, hein, Machline?

As ausências

Ah, Gal de fato não foi buscar o troféu que ganhou, mas Katia Almeida Braga pegou para ela. Lulu Santos foi outro que levou a melhor, mas não apareceu. E todo mundo doido pra falar com ele sobre ter assumido o namorado baiano… Chico Buarque, que venceu como “melhor álbum” e “melhor canção”, também não compareceu, mas seu “dublê” era o melhor possível: o neto Chico Brown. O menino mistura a elegância de Chico com a irreverência do pai, Carlinhos Brown, e chamou a atenção no palco com seu jeitão, nas duas vezes que foi buscar uma estatueta. Na plateia, a vovó Marieta Severo, toda orgulhosa.

Deveria ter ido…

Chico não foi, mas ia gostar se tivesse ido… Leci Brandão, outra agraciada com um troféu, esticou o braço e fechou o punho, no famoso gesto de resistência, e viu um ou outro na plateia fazendo o mesmo. Mas quando fez um L com os dedos em cada mão, aí provocou uma onda uníssona de gritos pedindo “Lula Livre”. Quem o quer preso não vaiou, não contrariou, não se manifestou. Deu até pra ouvir um tímido “Lula Livre”, uma vezinha só, quase perdido no coro mas valorizado por seu microfone, de Camila Pitanga, que dividiu com Debora Bloch o posto de mestre de cerimônias da noite. Camila nem estava em foco na hora, mas a gente percebeu que ela não deixou de se expressar. Já Debora se manteve isenta.

O casamento acaba, a amizade não

Outra observação? Do nosso assento, logo na frente de Roberta Sá, deu pra perceber que ficou uma bonita amizade depois do término de seu casamento com Pedro Luiz. A cantora filmou – inteirinha – a apresentação memorável dele ao lado de Hamilton de Holanda e Yamandu Costa interpretando “Fadas”, outro sucesso de Melodia. Depois da última nota, não satisfeita, a moça se levantou para aplaudir de pé. E foi a primeira a fazer isso no teatro, puxando uma galera que a ajudou na tarefa de ovaciona-los. Foi lindo mesmo.

Quase trocadilho

Lindo também foi ouvir a voz rasgada de Baby do Brasil cantando “o sol não adivinha, baby, é magrelinha… No coração do Brasil”. “Magrelinha”, mais um hit do homenageado, caiu como uma luva, né? E Alcione interpretando “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”? Nossa! Ainda teve dueto de Lenine com o filho João Cavalcanti, outro de Zezé Motta, em um longo todo bordado dourado com uma fenda na perna direita que ia até a virilha, e Sandra de Sá, de tênis e roupa rasgada, uma performance de arrepiar em “Juventude Transviada” – “lava a roupa todo dia, que agonia…” – dividida entre a veterana Áurea Martins e a baiana Xênia França…“Negro Gato” ficou com Iza, ao lado de Liniker e Lazzo.

Não dá para deixar de comentar a participação de Leandra Leal, logo no início da cerimônia. “Eu pedi para estar aqui… Quando um artista embala dessa forma sua vida… Conheci o Luiz Melodia ainda pequena, o ouvindo cantar no Rival [teatro da família dela]. Assisti aos seus shows durante toda a minha vida. Cresci encantada e me perguntando… Perguntava pra minha mãe de onde vinha aquela voz maravilhosa…”, contou, emocionada.

Cacique guajajara

Em tempo: quem também chamava a atenção na plateia era Maria Gadú, ao lado de sua mulher, Lua Leça. As duas vestiam macacões vermelhos idênticos – mas Gadú usava cocar e pintura de índio no rosto e Lua o lenço verde já icônico em defesa da legalização do aborto.

A gente deu uma gafe ao perguntar para a cantora sobre o “figurino”. “Isso não é figurino. É um statement. Sou descendente de índios. A gente tem que parar de achar que índio é folclore, uma imagem. Índio existe. E precisa ocupar. Hoje um parente meu, o cacique Jorginho, um guajajara, foi assassinado. O Brasil bate recorde de assassinatos de lideranças indígenas”. Sobre a questão do aborto… “Não somos a favor do abordo, e sim da descriminalização do aborto. As mulheres fazem aborto. E morrem. Somos a favor do corpo feminino. Da conservação da saúde. É assunto de saúde pública”.

Zeca Pagodinho, João Bosco, Chico César, Elba Ramalho, Criolo, Vik Muniz e Malu Barretto, Maitê Proença, Claude Troisgros… Esses são alguns nomes que também passaram por lá. Vem dar um giro pelo Prêmio da Música Brasileira aqui embaixo, na nossa galeria de fotos. (por Michelle Licory)