07.11.2018  /  17:54

Theo Cochrane, filho de Marília Gabriela, estreia no horário nobre: “Adamastor terá uma relação platônica com Junior, personagem de José Loreto”

Theodoro Cochrane como Adamastor, seu papel em “O Sétimo Guardião”, e as figuras que ele se inspirou para compor o personagem: em sentido horário: Drácula, Raúl Juliá em “Família Adams”, João do Rio e Cruella de Vil|| Créditos: Divulgação/Reprodução

Na semana em que completa 40 anos, Theodoro Cochrane estreia seu primeiro papel no horário nobre da Globo. Ele já havia feito uma participação em “A Favorita”, em (2008), mas de apenas duas semanas. Em “O Sétimo Guardião”, novela de Aguinaldo Silva que marca a volta do realismo fantástico ao horário nobre após quase 20 anos – a última foi “Porto dos Milagres”(2001) -, o ator e diretor de arte vai viver Adamastor, um personagem sofisticado e afetado que cuida de uma pousada que tem um cabaré anexo. A trama estreia na segunda-feira,12, e Glamurama aquece os motores com um papo ótimo com o caçula de Marília Gabriela.

Glamurama: Como você se preparou para viver Adamastor?
Theodoro Cochrane: “Aguinaldo [Silva] havia me dito que seria um personagem inspirado nos dândis do final do século retrasado e começo do passado – um homem elegante, que se veste de maneira sofisticada e atemporal. Minhas referências foram o jornalista João do Rio, “dráculas” famosos do cinema, Raúl Julia em ‘Família Adams’ e até em Cruella de Vil, de ‘101 Dalmatas’. Juntei um pouco de cada um parar criar o personagem. Também tive aula de tango e de música para me aproximar da atmosfera de cabarés presente na trama.”

Glamurama: Como é esse refinamento do personagem?
Theodoro Cochrane: “Tenho prestado muito a atenção na elegância desses atores dos filmes de época, quando se fumava muito. Uma característica muito importante: em quase todas as cenas Adamastor tem uma piteira e um cigarro em mãos. Eu parei o cigarro há sete anos e estou morrendo de medo de voltar a fumar. Estou tendo que reaprender a fumar, mas é um cigarro de hibisco misturado a outras ervas.”

Katiucha (Lyv Ziese), Stefênia (Carol Duarte), Adamastor (Theodoro Cochrane), Luciana (Josie Pessoa), Januária (Mila Carmo) e Ondina (Ana Beatriz Nogueira) // Divulgação Globo

Glamurama: Vamos dar boas risadas com ele então? 
Theodoro Cochrane: “Ele tem um “quê” de comédia, é muito sarcástico e irônico com textos mordazes, um personagem que sofre um certo bullying em Serro Azul por se portar de uma maneira diferente, por se vestir diferente e ter uma certa afetação. Questionam muito a sexualidade dele, vão chamá-lo de viado, de gazela… Mas ele é muito bem resolvido e não leva desaforo para casa. Por não gostar de ser questionado nesse assunto parte para cima das pessoas, está sempre na defensiva. Ao mesmo tempo que tudo isso pode criar situações engraçadas, é uma realidade que a gente vê no Brasil, dos que não se encaixam nos padrões da maioria, e que levará a questionamentos além da questão sexual. Ele terá uma relação meio platônica com Junior (José Loreto), que é o bad boy da cidade e quem mais faz bullying com ele. Uma relação de amor e ódio que vai gerar cenas engraçadas e muito fortes, e pode se desenvolver de uma maneira interessante ao longo da trama.”

Glamurama: Qual impacto acha que a novela vai causar ao colocar em cena a questão sexual? 
Theodoro Cochrane: “Meu papel questiona muito isso, que já é uma discussão tão escancarada hoje em dia, mas acho que ela vai impactar de forma relevante na aceitação, sim, pois aborda muitos assuntos dentro desse tema. Questiona a aceitação do que é diferente sem desrespeitar a própria essência, sem se impor ou julgar o outro, assuntos que tem tudo a ver este momento de intolerância.”

Glamurama: O que o desafio representa em sua carreira?
Theodoro Cochrane: “É o primeiro papel de peso e importância que faço em uma novela das 9h, que é o ‘filé mignon’ da emissora em termos de audiência, e viver isso às vésperas de completar 40 anos é muito especial. Assim como os tops Tony Ramos, Lilia Cabral, Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso , sou um dos personagens que vão aparecer praticamente todos os dias na novela. Com esse ritmo de gravações, eu que vivo em São Paulo talvez precise me mudar para o Rio.”

Glamurama: Como é contracenar com atores do calibre de Lilia Cabral e Tony Ramos? 
Theodoro Cochrane: “Ótimo! Com Lilia [Cabral] eu já tinha feito ‘Saramandaia’ e ontem contracenei pela primeira vez na vida com ele. Não tem como não tremer na base, é o Tony Ramos! Ele é muito legal, uma pessoa que tem muitos anos de TV, sabe como tudo funciona e já fez todo tipo de personagem, então qualquer conselho vindo dele é maravilhoso. Me deu ótimas dicas de como abordar certos personagens… Os dois são incríveis, com um poder e uma humildade surreais.”

Glamurama: Um elogio que você acredita que a novela receba logo após a estreia…
Theodoro Cochrane: “Acho que vão falar que é visualmente bonita e com uma história que prende logo no primeiro capítulo, além de adorar o elenco – muitos medalhões em uma novela só! A trilha-sonora também vai render elogios, com músicas como “Entre a Serpente e a Estrela”, de Zé  Ramalho.”

Glamurama: Qual você acha que é o grande diferencial de “Sétimo Guardião”?
Theodoro Cochrane: “A volta do realismo fantástico ao horário nobre após um hiato de quase 20 anos – as últimas que tivemos são ‘Porto dos Milagres’ e ‘A Indomada’. Ela tem um ‘quê’ fantasioso e mágico, que dialoga com um realismo contemporâneo e atemporal. É uma novela de cores fortes, com uma fotografia linda e direção competente. Uma trama diferente das que temos visto ultimamente que chega para dar um respiro nesse momento difícil que estamos vivendo no Brasil, propondo crítica mais lúdica.”

Glamurama: Falando em gato, como é contracenar com um?
Theodoro Cochrane: “Apesar do meu personagem falar sobre o gato em alguns momentos, eu ainda não contracenei com o gato, mas espero que isso aconteça e logo! Quem tem uma relação mais direta com ele são os sete guardiões. São quatro gatos que vieram filhotinhos dos EUA e estão sendo treinados para se revezarem.”

Glamurama: Além de seu papel, a novela trará à tona outras críticas sociais?
Theodoro Cochrane: “Realismo fantástico questiona muito tudo o que é fora do padrão e a forma como as pessoas reagem ao que é diferente, a aceitação da diversidade…  Vamos falar de política, sobre a idoneidade das pessoas, justiça, respeito ao próximo…”

Glamurama: Como é a troca profissional e pessoal entre você e sua mãe, Marília Gabriela?
Theodoro Cochrane: “Ótima! Temos uma parceria de anos. Comecei a fazer teatro no fim dos anos 90 e ela logo no início dos anos 2000, então trocamos muita figurinha sobre interpretação, cinema e teatro. Sempre fomos muito parceiros e houve um momento em  que passei a colaborar muito com ela em suas peças, assinando a direção de arte. Cheguei a pensar em me desvincular da imagem dela, mas não teve jeito. Há muita cumplicidade entre nós. Até quando vai fazer publicidade me chama para produzir o figurino dela.”

Theodoro com a mãe, Marília Gabriela, em Nova York || Créditos: Reprodução Instagram

Glamurama: Vocês tem planos de atuar juntos?
Theodoro Cochrane: “Já pensamos em fazer uma peça, mas ainda não surgiu oportunidade. Eu a dirigi em um curta.” (Por Julia Moura)