26.01.2017  /  11:27

Taís Araújo em um papo sobre Michelle Obama, “Saia Justa” e ter opinião

Taís Araújo | Créditos: Maurício Nahas 
Taís Araújo | Créditos: Maurício Nahas

Por Michelle Licory

Taís Araújo está no elenco de “Pixinguinha – Um Homem Carinhoso”, primeiro longa de Denise Saraceni, que já começou a ser rodado, no Rio, com Seu Jorge no papel principal. “Ele é um dos nossos maiores nomes. Foi um dos primeiros caras do Brasil que foram tocar fora, na França. Ele inventou o choro, tem todo um valor. Temos que contar essa historia! Entrei no projeto há quatro anos. Acompanhei todas as versões do roteiro. É delicioso ter negros contando nossa história, sob o nosso ponto de vista. É sempre o ponto de vista do outro sobre nós… Agora a gente está falando da gente. O Pixinguinha nasceu em 1890 e tal, a escravidão tinha acabado de ser abolida, e surge esse gênio que mudou a vida de todos nós. Ter o Seu Jorge como protagonista é um ganho. Ele é também um ícone pra gente, de uma música muito brasileira, e tem essa pegada forte fora do Brasil”, disse a atriz, em entrevista ao Glamurama.

Caminhos de retrocesso

Por falar em ícones negros, conversamos com ela sobre esse momento de despedida dos Obama da Casa Branca. “A gente estava tão cheio de esperança e o mundo já piorou tanto. É uma pena. Há oito anos o planeta era muito esperançoso, hoje em dia é triste, estamos batendo cabeça, é tanta agressividade. Mas acho que a família Obama como um todo deixa um legado muito importante, até pra gente comparar com o que está vindo agora. Como serão os próximos anos dessa potência gigantesca que move o mundo que é os Estados Unidos? A Europa também está em caminhos de retrocesso… Precisamos pensar em o que a gente era e o que a gente vai virar, para depois optar sobre para onde a gente quer ir. Lamento muito a saída deles, mas também não dava mais. O Obama mesmo disse, quando escutou os pedidos de ‘mais oito anos’, que isso não seria democracia. Só não precisava ser o Trump. Mas os americanos são assim: Bush, depois Obama, depois Trump, um radicalista, uma direita extrema. Não sei o que querem”.

“Elegância é trabalhar duro”

Especificamente sobre Michelle Obama… “Talvez ela tenha sido a mulher que mais inspirou todas as outras mulheres do mundo. Mostrou que ser primeira-dama não é só estar do lado do cara com uma roupa bem cortada, cabelo bem cortado, sorrindo com dentes perfeitos. Ela mostrou que elegância é trabalhar duro fazendo com que aquela população saiba cuidar de si, se sinta forte para se sentir importante para o país como nação. Ensinou que deter poder é burrice porque ninguém cresce, um depende do outro! Ter poder é ter informação, educação, saber seus direitos. Trabalhando para isso ela empoderou esse país, que é muito maior que Nova York e California”.

Momento mãe

Perguntamos quais as metas de Taís para 2017. “Um ano um pouco mais calmo de trabalho, eu acho. Vou ficar mais com meus filhos, preciso deles muito e eles de mim, foram dois anos muito intensos na carreira. Minha mãe que segurou a onda… Agora vou ter o ‘Saia Justa’ [a atriz acaba de entrar para o time do programa do GNT] toda quarta-feira ao vivo, com estreia em março, e a peça – ‘O Topo da Montanha’ – aos fins de semana. ‘Mister Brau’ [seriado na Globo que ela faz com o marido, Lazaro Ramos] ja gravei a temporada inteira no fim do ano passado. Então agora quero poder levar meus filhos na escola, e buscar”.

“Quando você se posiciona, está aberto a discordarem”

Sobre o “Saia Justa”, será que Taís vai ser das mais polêmicas ou uma apresentadora mais “tranquila”? “Não sei. Acho que vou falar tudo o que penso e que vai ser muito interessante discutir tudo: de comportamento a política. Vou aprender muita coisa também. Falo sempre para a galera que trabalha comigo: quando você se posiciona, está aberto a discordarem de você. Adoro quando discordam e quando vou ver estou concordando com a pessoa que discordou. Não sou presa às minhas ideias. Claro que é uma exposição dar sua opinião na TV, mas a gente também não tem que ter opinião sobre tudo, respostas prontas e posicionamentos determinados e fixos sobre tudo”.