Semana de moda: presença de guru e ausência de estilista marcam primeiro dia

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O desfile de Patricia Viera

Foi debaixo de muita chuva e com um clima um tanto sombrio do lado de fora das salas dos desfiles – por causa da falta de lâmpadas que tornam o caminho quase um breu – o primeiro dia da semana de moda do Rio, essa quarta-feira no Pier Mauá. Por conta da interdição da Perimetral, importante via de acesso ali do lado, o horário do início do evento foi adiado para 20h30, para evitar o rush, e ficou proibido o estacionamento de veículos nos arredores. Claro que são fatores que desanimam os fashionistas, mas nada tirou o brilho do desfile de Patricia Viera, que abriu a temporada.

* Antes da entrada das modelos, quem surgiu na boca de cena para dar uma bênção, toda de branco, foi Chris Griscom, sua guru há anos, que é do Novo México. Como a coleção é toda inspirada lá, foi a oportunidade perfeita para convidar a líder espiritual, com quem Patricia faz regressões constantemente.  Aliás, o clima de Santa Fé não contagiou apenas as peças de roupa – com cartela de cores representando os elementos da natureza e milhares de medalhinhas  – mas também o camarim, que ganhou imagens de santos trazidos de lá, disputados pelos amigos como souvenir. Couro com franjas, trabalhado como renda, como base para desenhos de flores ou graffitis de carrancas: tudo lindo! As joias eram de Carla Amorim e as bolsas de Glorinha Paranaguá. A trilha sonora? Dire Straits. Na plateia, Lenny Niemeyer: “Adorei os caramelos e tons Navarro.”

Alessa e Victor Dzenk: que tal?

* Depois, teve Alessa. Mas bem diferente. Sempre alegre, vibrante e exuberante, desta vez a coleção – inspirada na arquitetura de Paulo Mendes da Rocha – veio sóbria, praticamente só com com preto, branco e cinzas. Fugindo dessas nuances apenas um tom de cereja. Pontuando o desfile, uma daquelas músicas que Arnaldo Antunes mais declama do que canta… “O buraco do espelho está fechado, agora eu tenho que ficar aqui com um olho aberto, outro acordado, no lado de lá onde eu caí.” Pra completar a estranheza, Alessa, que sempre surge saltitante para agradecer no final, não apareceu. É que ela está grávida, de repouso.

* Para encerrar, Victor Dzenk, inspirado em uma mistura de Marrakesh com o universo punk, com muitos caftans, dourados, bordados, canutilhos… Tudo feminino e esvoaçante. Abrindo e encerrando o desfile, um cantor entoando um sucesso de Britney Spears em ritmo eletrônico.