25.10.2018  /  12:08

Romance musicado “Todas as Canções de Amor” traz nova proposta ao cinema nacional pelas mãos da “estreante” Joana Mariani

Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso como Ana e Chico em “Todas as Canções de Amor” || Créditos: Divulgação

Se você é daqueles que leva tudo para o lado musical, com o perdão do trocadilho, o filme “Todas as Canções de Amor” é para você. Em meio a um “boom” de lançamentos de produções densas no cinema nacional, que instituiu o suspense como o gênero do momento, um romance musicado chega para quebrar as resistências ao estilo e dar leveza neste momento em que paz e amor é tudo o que a gente precisa. Tudo com uma ótima trilha sonora. Joana Mariani estreia na direção de um longa ficção, que é protagonizado por dois casais: Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso e Luiza Mariani e Julio Andrade.

Joana é o nome por trás da Mar Filmes, produtora focada em introduzir o estilo musical no cinema brasileiro. Ousada e cool como a gente gosta! O filme que ganhou première em São Paulo, nessa quarta-feira, tem receita parecida com “La La Land” e “Onde Nasce uma Estrela”, fenômenos de bilheteria dos últimos tempos. Abaixo, Glamurama entrega a tecnologia inédita no país usada durante as gravações e as inspirações da diretora “estreante”.

“CARTOLA É FODA” 

Marina Ruy Barbosa (Ana) em cena que conta com participação especial de Gilberto Gil || Créditos: Divulgação

Vamos começar falando do ponto alto da produção, a trilha sonora assinada por Maria Gadú, que reuniu 16 clássicos, entre eles: “Acontece”, de Cartola, “Baby”, de Gal Costa, “Sonhos”, de Caetano Veloso, “Samba de um Grande Amor”, de Chico Buarque” e “Pérola Negra”, de Luiz Melodia, além de “Ne me quitte pa” cantada por Maísa e “Blue Eyes” com Marisa Monte. Duas delas são covers inéditos: “Eu Sei que Vou te Amar/Soneto da Felicidade”, de Vinícius de Moraes, cantada por Maria Gadú e recitada por Maria Bethânia, e “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, interpretada por Liniker e Iza e com certeza a escolha mais feliz do filme. “Conseguir os direitos para o uso de todas esses patrimônios culturais foi um “trabalho de formiguinha”, contou a diretora ao Glamurama.

E aqui vai um spoiler: Ana, personagem de Marina Ruy Barbosa, ama Cartola, e até arrisca palinha de um trecho de “O Mundo é um Moinho” clássico do compositor dedicado à sua filha de criação, Creusa Cartola. Mas os pontos altos são quando Daniel, personagem de Julio Andrade, canta “Drão” com a participação especial de Gilberto Gil e Luiza Mariani ao interpretar “Menino Bonito”, de Rita Lee.

BASTIDORES

O longa foi filmado em menos de quatro semanas em um apartamento do Centro de São Paulo, em junho de 2017. “Usamos uma tecnologia inédita no Brasil: painel de LED de 9 metros de altura e cinco de largura, que foi colocado no lugar para reproduzir a imagem do céu durante um pôr do sol”, explica Joana. “Com isso, conseguimos recriar o momento do dia e ainda usar a vista real da cidade, ao invés do fundo verde do chroma key, que tem efeito menos verdadeiro. Transpor para a tela o que acontece na filmagem é algo que acredito muito. Foi muito gostoso e estava todo mundo de bem com a vida. Levamos uma surra para manusear a tecnologia, mas foi incrível.”

COMÉDIA ROMÂNTICA X ROMANCE PROFUNDO 

Júlio Andrade e Luíza Mariani como Daniel e Clarice em “Todas as Canções de Amor” || Créditos: Divulgação

A totalidade dos relacionamentos retratados em “Todas as Canções de Amor” permite que o telespectador “vá na camada da cebola que ele quiser”, explica Joana. “O personagem de Bruno é charmoso e divertido, então dá para rir bastante com ele, mas se você quiser ir para um lugar mais fundo, também é possível.” Falar com mais de um público, aliás, é uma das características dos filmes que alcançam os maiores sucessos de bilheterias. “Cada um é tocado em uma situação diferente, ou com uma música que marcou uma fase de sua vida, mas sempre de forma particular.”

EFEMERIDADE DOS RELACIONAMENTOS 

A efemeridade das relações é posta sob a mesa e livre de julgamentos na produção. “Fiquei casada durante sete anos e quando me separei o que mais ouvi foi: ‘que pena que deu errado!’ Tenho uma filha maravilhosa de 10 anos, fruto desse grande amor, então ele deu muito certo enquanto durou”, diz Joana. “É óbvio que as relações são sobre regar, trabalhar as diferenças… E é assim, ciclos em que as pessoas aprendem umas com as outras. Tudo pode acontecer, dificuldades podem ser superadas, ou não.”

Marina Ruy Barbosa e Bruno Gagliasso como Ana e Chico em “Todas as Canções de Amor” || Créditos: Divulgação

SOBRE A DIRETORA

Joana Mariani está longe de ser nova no pedaço. Como produtora, ela fez uma série de filmes começando por “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia, também foi diretora-assistente de “À Deriva” e se tornou diretora geral de três anos para cá, quando lançou a Mar Filmes, sua nova produtora. A paixão mais recente de Joana é “La La Land”: “Assisti esse filme incansavelmente para dirigir ‘Todas as Canções de Amor'”, conta. “Ele consegue ser singelo por retratar uma relação de fácil identificação do telespectador. Relacionamentos são feitos de encontros e desencontros, e às vezes dá para reencaixar, e às vezes não. É um filme que vai no âmago e mostra dois seres humanos imperfeitos se relacionando, e foi isso o que a gente tentou fazer.”

“Todas as Cancões de Amor” ganha pré-estreia no Rio no dia 29 de outubro, no Shopping da Gávea. A estreia em todo o Brasil, onde passará em cerca de 100 salas, acontece no dia 8 de novembro. (Por Julia Moura)

Assista abaixo o trailer.