16.10.2013  /  11:37

Ricardo Waddington: ‘centralizador’, com ‘ego inflado’ e cheio da ‘grana’

Ricardo Waddington não entende o espanto com o fato de grandes nomes do primeiro escalão da Globo estarem voltando a ter que fazer testes para novelas. “O Tarcisão [Tarcísio Meira] seria o primeiro a entender, se eu lhe pedisse. O Antônio Fagundes também. Isso é muito comum no cinema. É uma questão de adequação ou não ao personagem. Ninguém vai julgar se o Wagner Moura é bom ou mau ator, e sim se ele é a pessoa certa. Tudo é muito caro. É preciso minimizar riscos. Somos pagos para acertar. Mas geralmente o teste é só uma confirmação. A recusa é de 1 por cento.”

* Então, ele decidiu nos contar uma história. “Em ‘Laços de Família’, fiz teste para a Capitu. A Giovanna Antonelli ficou nua… Eu achava que isso simbolizaria a entrega dela, já que era uma prostituta. Mas aí decidi que a Giovanna ia fazer uma amiga da Capitu e que aquela menina, a Mesquita… Hum, qual é mesmo o nome dela? Bom, ela é que ia fazer a Capitu. Quando começaram as leituras, percebi que tinha quebrado a cara. Chamei as duas e expliquei que errei e que tinha que ser o contrário, invertendo os papeis. E foi nessa novela que a Giovanna estourou.”

* A gente emendou comentando que, em compensação, a outra menina ele nem lembra o nome e perguntamos se esse poder não é assustador: tomar uma decisão de último minuto que faz alguém virar estrela e outra acabar sumindo. “Eu penso, sim, na responsabilidade que tenho em relação à vida de um monte de gente. É como um médico, que tem a vida das pessoas nas mãos durante uma cirurgia. Não que elas estejam literalmente nas minhas mãos, mas posso dar uma grande mão para aquela trajetória ser melhor ou pior. A decisão é minha, mas o que contou foi o talento da Giovanna.” Mas se Ricardo não tivesse dado a chance, talvez ela nunca tivesse provado que tem esse talento… “Por isso que ganho a grana que ganho.”

* Lembramos o diretor que ele mesmo diz, em tom de brincadeira, que tem o “ego inflado”. “A vaidade faz parte do ser humano. Isso precisa ser trabalhado em mim e nos atores. Lidar com sentimentos e temperamentos faz parte da função de quem lidera uma equipe, como eu. Sou centralizador. Algumas decisões não delego. Meu celular fica ligado 24 horas por dia e durmo pouco.” (Por Michelle Licory)