Revista PODER entrevistou Renato Aragão, que há décadas faz o brasileiro rir

19.11.2017  /  8:00

Renato Aragão para PODER || Créditos: Daryan Dornelles

O mais trapalhão

Com 82 anos, Antônio Renato Aragão, cinco filhos, mais de 50 filmes, uma biografia prestes a ser lançada e milhões de fãs, sabe encantar as pessoas como poucos. E há meio século. O segredo? Um misto de humildade e simplicidade.

Por Caio Barbosa para a Revista Poder de Novembro || Fotos: Daryan Dornelles | Styling: Maria Whitaker

O homem que durante anos fez o Brasil parar para gargalhar na frente da televisão nas noites de domingo, já recebeu a injusta pecha de mal-humorado e, pasmem, de ter pavor de ser chamado pelo apelido que o consagrou: Didi. Uma tremenda piada de mau gosto. Afável, gentil e cortês, Renato Aragão tem pavor de empáfia e de arrogância. E um sonho: gostaria de ser o Didi na vida real. “Eu trabalho muito, sou responsável. E também discreto, tímido, avesso a badalações. O Didi, não: é irresponsável, fanfarrão, debochado. Eu não sou assim. Até gostaria, mas não sou”, brinca Aragão, como ainda hoje é chamado pelos colegas do Exército e da faculdade de Direito do Ceará. Sim, Didi foi tenente do Exército e é advogado. Não é piada. “Tenho carteirinha da OAB e tudo. Mas ninguém me procura, ninguém me contrata. Por que será?”, pergunta, debochadamente.

Em sua confortável casa em um condomínio de luxo da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Renato Aragão recebeu PODER para este ensaio – sem disfarçar a falta de jeito para vestir paletó e gravata. Gostou da brincadeira, mas parecia um peixe fora d’água, um palhaço fora do picadeiro. “Não uso terno. Gosto de ficar em casa. Uso mais a sola do chinelo do que a do sapato. Mas, para este ensaio, não tem problema. Faço de conta que sou o Didi e uso até preto, coisa que o Renato não usa”, zombou, referindo-se à cor do sapato e do cinto, impensável no seu guarda-roupa. É sua única mania. Mesmo aos 82 anos de idade.

Vaidade e consumismo também são itens fora da realidade de Renato Aragão. Que, claro, também não perde a chance de fazer troça com o assunto: “Olha a minha cara feia. Vê se eu tenho o direito de ser vaidoso? Bem que eu gostaria (risos). Também não sou de gastar dinheiro. Guardo. Sou antigo. Não entendo de ações. Prefiro investir em imóveis. Foi assim que aprendi”, ensina.

Fã incondicional de Oscarito, Chaplin e Carmen Miranda, considera Leandro Hassum o mais talentoso humorista da nova geração. Admite que não teria talento para fazer stand-up comedy, e defende a renovação do humor na nova temporada de Os Trapalhões. “Precisamos saber a medida do humor. O mundo mudou. A gente sempre fez palhaçada. Eu concordo que não há mais espaço para humilhar negro, pobre, nordestino, feio, gordo. É até covardia. Porque o outro não tem como se defender. Se a brincadeira vira humilhação, perde a graça. Meu poder, se é que tenho algum, é apenas o de alegrar e de emocionar as pessoas. O que não é pouca coisa. E Renato Aragão sabe disso.