22.03.2021  /  14:17

Revista J.P faz uma ode às mulheres que reafirmam a potência feminina na luta por igualdade e respeito

Conceição Evaristo, Marjorie Estiano e Beatriz Milhazes || Créditos: Reprodução

Especial Mulheres que Amamos da Revista J.P. Na edição de março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a publicação lembra da atuação de cantoras, atrizes, escritoras, artistas, esportistas, médicas e empreendedoras que, com muito talento – e trabalho –, reafirmam a potência do gênero feminino e seguem na luta para a construção de uma sociedade mais igualitária. Confira na galeria quem são elas e quais seus feitos.

Por Nina Rahe para Revista J.P

 

MARY DEL PRIORE, ESCRITORA E HISTORIADORA

J.P: O que o ano de 2020 significou para as mulheres?

MARY DEL PRIORE: A história ensina que cada crise é também uma oportunidade. A pandemia reforçou a urgência de compreendermos a sociedade a partir das diferenças não só de gênero, mas, também, sociais e simbólicas. Será preciso construir uma agenda que dê conta das necessidades de uma sociedade que empobreceu e fragilizou a todos, homens e mulheres. Se 2020 foi sinônimo de resiliência e flexibilidade, 2021 deverá ser o ano da negociação e da renovação.

J.P: Você argumenta que as mulheres precisam chamar os homens para a conversa. Qual é a posição a ser adotada?

MDP: É importante entender como o mito da virilidade e da dominação modelou os homens. Historicamente, esse mito legitimou a opressão do homem pelo homem e sua violência contra a mulher. Há tempos, porém, o modelo do todo-poderoso guerreiro começou a derreter. Ao fazer do mito da superioridade do macho o fundamento da ordem social e ao valorizar a força e o apetite pela conquista, o homem justificou e organizou a submissão delas. Mas, com isso, foi condenado a reprimir suas emoções, temer a impotência, odiar a feminização e cultivar o gosto da violência. O dever de virilidade se tornou um fardo e “tornar-se homem”, um processo difícil e cruel. Entender os dois lados é fundamental para combater o machismo, integrando a voz dos homens.

J.P:Qual o papel do letramento e da educação no combate ao machismo?

MDP: A educação e o letramento são os instrumentos mais eficientes para reduzir a pobreza e promover a igualdade entre homens e mulheres. Eles contribuem para desenvolver o respeito por si mesmo e para reforçar a liberdade e autonomia indispensáveis para crescer como ser humano. Poucos investimentos trazem tantos ganhos quanto a escolarização de meninas que, educadas, se tornam agentes de transformação da sociedade em que vivem