29.12.2020  /  9:00

Retrospectiva 2020: os 10 ‘fashion shows’ mais inovadores das temporadas internacionais de moda

2020 foi um ano atípico em todas as áreas… e globalmente. Ninguém escapou do impacto causado pela pandemia do coronavírus. Com o universo da moda não foi diferente. A ordem entre as marcas mais importantes do pedaço foi se reinventar. E o resultado desse desafio pode ser visto nas fashion weeks internacionais, que apresentaram as coleções online, na maior parte dos casos. A criatividade dos designers foi posta à prova, bem além das roupas e acessórios. Quem se destacou? Confira nossa retrospectiva com os desfiles mais inovadores de 2020. Play!

MOSCHINO
Antes mesmo de ser decretado o primeiro lockdown por causa da pandemia, Jeremy Scott começou a suspeitar que não haveria desfiles nos moldes tradicionais. Inspirado pela natureza de sua pesquisa centrada na alta-costura, ele olhou para o Théâtre de la Mode, trupe de criações de alta-costura em miniatura que os designers de Paris enviaram para a estrada após a Segunda Guerra Mundial para salvar seus negócios da ruína financeira. Em seguida, ligou para Jim Henson’s Creature Shop, empresa criadora dos Muppets. O resultado? Um vídeo em que todos os envolvidos, modelos e fashionistas, foram representados por marionetes feitos à imagem e semelhança dos personagens da vida real.

BALENCIAGA
O sempre surpreendente Demna Gvasalia, diretor criativo da marca, transformou a passarela em videogame. ‘Afterworld: The Age of Tomorrow’ se passa em 2031.  Os jogadores/fashionistas embarcam na aventura de um herói em busca de seu destino, movendo-se por diferentes zonas, cumprindo etapas e interações. Para vencer game, bastava chegar ao fim. O herói então se tornava um “mestre de dois mundos”, o real e o virtual, podendo circular entre eles, como a própria marca parece estar fazendo. Difícil de entender? Então jogue você mesmo.

GUCCI
Pouco antes do coronavírus paralisar o mundo, Alessandro Michelle criou todo um ‘mise-en-scène’ para apresentar o Outono-Inverno 2020 da Gucci. Em um palco giratório, o diretor de criação levou os convidados para um tour virtual pelos bastidores da marca italiana.
Atrás de uma vitrine circular, prateleiras de roupas e balcões de maquiagem foram montados, criando um cenário conhecido apenas por produtores de desfiles de moda e membros da indústria. Tudo embalado pelo Bolero de Ravel.

DIOR
Assim como Jeremy Scott para Moschino, Maria Grazia Chiuri se inspirou no Théatre de la Mode, de 1945, para apresentar, virtualmente, a Alta Costura Outono/Inverno 2020 da Dior. A diretora criativa da maison convocou o cineasta italiano Matteo Garrone para traduzir sua visão artística para um formato audiovisual. O resultado tem um clima de conto de fadas e o cenário remete às obras renascentistas.

BOTTEGA VENETA
No início de dezembro, a mais nova coleção de Daniel Lee, intitulada Salon 01, chegou em formato fashion film, com direção e fotografia de Tyrone Lebon, e música e narração da diva Neneh Cherry, rodado em outubro no Saddle’s Wells em Londres, com presença de celebs e fashionistas. Um desfile com distanciamento e uma dinâmica diferente, como pedem os novos tempos.

MIU MIU
Combinando experiência física com digital, a apresentação da coleção Primavera-Verão 2021 da Miu Miu procurou atender às demandas atuais, sem abrir mão do formato tradicional. Um estádio elíptico com várias marcações lembrando listras referenciando o mundo dos esportes, serviu de cenário para os modelos, que desfilaram para uma plateia virtual, que podia ser vista em paineis instalados na locação. Um mix de realidade e fantasia virtua.

CHANEL
Mais uma apresentação virtual, dessa vez da coleção Métiers d’Art, sempre apresentada em dezembro, que destaca o diálogo criativo entre Virginie Viard, diretora artística da Chanel, e as Maisons d’Art. Dessa vez, a marca prestou homenagem à habilidade dos artesãos: os bordadores de Lesage, os fabricantes de plumas de Lemarié, os curadores de Desrues, os fabricantes de plumas de Lognon, os fabricantes de sapatos de Massaro, os fabricantes de chapéus de Maison Michel, e os fabricantes de luvas de Causse Gantier, em Paris, França e Itália. O desfile foi filmado no Château de Chenonceau, no Vale do Loire.

PRADA
A parceria mais bombástica do universo da moda, que uniu Miuccia Prada e Raf Simons no início do ano, enfrentou um ano inesperado. O coronavírus impediu que os designers começassem a trabalhar no dia marcado, 1º de abril, o que condensou o tempo que tinham para produzir a coleção de estreia. Por conta de todos os protocolos de segurança que foram impostos pela pandemia, um desfile bafônico na Fondazione Prada também ficou fora de questão. A saída encontrada pela dupla foi fazer um desfile virtual, com 40 looks que mostram a mistura de gênios criativos, enquanto Miuccia e Simons respondiam perguntas enviadas online.

ISABEL MARANT
Ao som de um remix do clássico das discotecas ‘I Feel Love’, de Donna Summer, a designer francesa encenou no Palais Royal o que pode ser descrito como uma noitada de tempos mais felizes. O coletivo de dança (La) Horde deu o tom frenético da apresentação enquanto as modelos circulavam entre eles com roupas dignas das ferveções nas boates dos anos 1980-1990.

SAINT LAURENT
A Saint Laurent levou a questão do isolamento por causa do coronavírus a sério. Antony Vaccarello escolheu as paisagens desérticas do norte da África, região com a qual a maison sempre teve grande conexão porque monsieur Saint Laurent nasceu na Argélia, para filmar sua coleção Primavera-Verão 2021.