10.04.2015  /  17:59

Queridinha do NYT, artista Nina Chanel Abney conversa com Glamurama

selo sky
Nina Chanel Abney na residência em Boiçucanga ||Créditos: Divulgação
Nina Chanel Abney na residência em Boiçucanga ||Créditos: Divulgação

A americana Nina Chanel Abney apresenta na Galeria Rabieh, em São Paulo, o resultado de uma residência Boiçucanga, no litoral paulista, a exposição “If You Say So…”, com curadoria de Simon Watson. Apontada pela “W Magazine” como um dos expoentes da nova geração e pelo “New York Times” como das mais importantes artistas figurativas da atualidade, Nina conversou com Glamurama enquanto visitava a SP-Arte nessa quinta, quando mais tarde abria sua individual. Não é a primeira vez dela por aqui, ela foi uma das convidadas a participar da mostra “Made by… Feito por Brasileiros” no Hospital Matarazzo, em setembro de 2014, onde expôs um de seus painéis gigantes e coloridos que trata de assuntos como celebridade, raça e sexualidade. Ao papo!

Glamurama: Como foi o período de residência no litoral e o que a experiência trouxe para o seu trabalho?
Nina Chanel Abney: Foi maravilhoso, fui para a mata, vi cachoeiras, foi bom ir à praia, trabalhar, ouvir música… trouxe muita energia e cores para a minha obra, pude relaxar. Nova York é muito intensa, tive tempo para focar no trabalho com calma. Eu também encontro inspiração em Nova York, por ser muito intensa, assim como meu trabalho,  eu desenho sobre cultura popular, música… Então toda a energia da cidade inspira meu trabalho.

Glamurama: Como é o seu processo?
Nina Chanel Abney: Meu processo é muito intuitivo, eu nunca sei como uma pintura vai ficar antes de começar, eu vejo as notícias, alguma coisa acontece e posso ser movida por isso. Ouço uma música naquele dia… Tudo isso vai para o trabalho enquanto faço ele.

Glamurama: O grafite te inspira?
Nina Chanel Abney: O grafite inspira muito o meu trabalho e fui muita influenciada pelo que vi em São Paulo, para a exposição que apresento aqui. Adoraria encontrar artistas de grafite brasileiros. Quando estive aqui em setembro para a “Made by… Feito por Brasileiros” eu conheci Barry McGee, um artista de São Francisco, sou fã do trabalho dele! São Paulo tem muito grafite, eu amei, é tudo cheio de expressão, colorido, o grafite está em todo lugar, eu gosto disso, acho que tem mais aqui que em Nova York, faz parte da paisagem.

Glamurama: Você questiona a indústria da celebridade. Mas você mesma acabou se tornando uma, não?
Nina Chanel Abney: Eu acho que sim [risos] , é estranho para mim de uma hora para outra me tornar popular, mas na verdade nada mudou, eu não mudei, mas é divertido!

Glamurama: Que figuras você mais desenha e que técnicas usa?
Nina Chanel Abney: Tenho misturado o abstrato com o figurativo, antes era tudo mais figurativo, tem sido divertido combinar os dois elementos no momento. Tenho usado impressões digitais sobre tela, que depois pinto com tinta acrílica em spray.

Glamurama: O que tem achado da SP-Arte?
Nina Chanel Abney: É incrível, tenho gostado muito, tem muito mais espaços para olhar em comparação com outras feiras onde estive e acho também mais relaxada, não tão prepotente como outras feiras podem ser. Vi muita coisa, mas não conheço os artistas brasileiros, então tenho feito fotos das coisas que me interessam e das descrições para olhar com calma quando voltar.

Por Verrô Campos

Siga a seta e confira algumas das obras da exposição.

“If You Say So…”, de Nina Chanel Abney
Galeria Rabieh, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 147, São Paulo
Até 9 de maio