Como está sendo a quarentena da atriz Dani Calabresa, do artista plástico Guto Lacaz e do escritor Santiago Nazarian? Eles – e outros – abrem o jogo

01.05.2020  /  9:00

Dani Calabresa, Santiago Nazarian, Cris Rosenbaum, Guto Lacaz // Reprodução/Divulgação

Como está sendo sua rotina na quarentena? Nove personagens que são destaques em suas áreas contam o que têm feito em casa neste período de isolamento

Por Carol Sganzerla

“Estou confinada com o meu namorado, vivendo uma quarentena digna de comédia romântica. A gente se conheceu e se apaixonou em dezembro, estamos numa fase de encantamento e empolgação sem fim. Ele é publicitário, mas já trabalhou com produção e tem me ajudado com os vídeos que preciso fazer para a Globo, para o ‘Se Joga’ e para as lives. Estamos unidos e, apesar de preocupados com nossos pais, conseguimos nos divertir. Todas as noites, jogamos jogos de tabuleiro, gravei um vídeo com ele me maquiando, tentamos fazer um bolo mas meu liquidificador estava quebrado (rs). Essa quarentena está servindo como um teste pré-casamento, nosso convívio está sendo muito gostoso, mas torcemos para tudo melhorar logo.” DANI CALABRESA, ATRIZ E HUMORISTA

“Minha rotina não mudou muito, tendo em vista que meu estúdio é minha casa. Então, continuo regando as diversas plantas que tenho, ando cozinhando muito, vendo filmes que não tive tempo de assistir, lendo dois livros que estava enrolando para começar e fazendo umas colagens para passar o tempo. Arrumei metade do meu acervo de fotografias (espero arrumar a outra metade até o final da quarentena). Minhas sensações e emoções estão à flor da pele. Ansioso e triste pelos humanos, feliz pelo planeta e pelos animais selvagens. Uma sensação estranha que não consigo verbalizar.” FELIPE MOROZINI, ARTISTA E ATIVISTA

“Estou me adaptando junto com a minha equipe a essa nova maneira de trabalho à distância. Somos 10 arquitetos, cada um na sua casa, mas seguimos firme, em frente com bastante trabalho. Não diminuímos o ritmo, só mudamos a logística. Sinto falta deles, do convívio e a troca no escritório. Ao mesmo tempo, estou aproveitando para curtir minha família na nossa casa nova. Uma casa modernista que fiquei um ano restaurando e nos mudamos no fim do ano passado. É a primeira vez que estamos conseguindo curtir ela de fato, e finalmente, com a chegada do outono, acender a lareira.” FELIPE HESS, ARQUITETO

“Na primeira semana, fiquei bem perdida, arrumando a casa, tudo mudou muito, mas depois me adaptei. Agora já tenho um ritmo, e aprendi a cozinhar feijão, coisa que não fazia, tinha medo da panela de pressão. Comecei a arrumar cada cantinho da sala, arrumei meu escritório, imprimi imagens do pinterest e pendurei, coloquei plantas e luzinhas. Levanto, tomo banho, medito e começo o dia. Sou bem regrada, não fico de pijama. Paro, faço almoço, tomo café e volto a trabalhar até o fim do dia, às 18h30. Três vezes por semana, faço ginástica localizada. Estou fazendo uma meditação de 21 dias, às 23h. No meio do dia, lavo roupa. Achei que ia sofrer mais, e o fato de não sair de casa me deixa menos cansada. A gente acalmou, a natureza acalmou, aqui em casa apareceram uns passarinhos novos. As ‘lives’ viraram uma loucura, as pessoas rapidamente entenderam isso e acho que é um caminho sem volta. Talvez não precisemos mais de deslocamento físico para tudo. Quando isso acabar, talvez esteja em outro formato de vida. Vamos sair disso de outro jeito, é um silêncio para refletirmos dentro da gente, estou vendo coisas que não quero mais fazer. Pretendo não desistir da feira, a feira vai acontecer no Dia das Mães. CRIS ROSENBAUM, IDEALIZADORA DA FEIRA NA ROSENBAUM

“Eu moro sozinho, trabalho em casa, então a quarentena e o isolamento não são grande novidade para mim. Mas isso significa que também estou há muito tempo trancado, sozinho, e as pessoas que diziam que eu devia sair mais, ver gente, hoje hashtagueiam #FicaEmCasa. Não sei se tenho inveja ou pena daqueles que estão trancados em casaizinhos: copulando na quarentena ou preparando o desquite? Sigo aqui apenas com minha coelha de estimação, e ela começa a me pronunciar suas primeiras palavras…” SANTIAGO NAZARIAN, ESCRITOR

Mauro Freire, Felipe Morozini, Paulina Arenda, Felipe Hess e Paula Ferber // Reprodução/Divulgação

“Minha quarentena começou um dia depois da festa de inauguração da loja da rua da Consolação. Antes do pedido de isolamento por parte das autoridades, a festa já estava programada havia meses e decidimos fazê-la respeitando as pessoas que não quisessem arriscar a sair de casa pois o vírus já estava começando a nos assombrar. No dia seguinte, bateu uma lufada de consciência e comecei a pensar nestes novos tempos, em tudo que ele poderia representar de negativo e de positivo durante e depois destas mudanças. Tenho uma atração enorme por mudanças, acho interessante a experimentação, inclusive em tempos difíceis. Claro que, à medida que as consequências da crise começaram, entendi a necessidade de me manter positiva, produtiva e ainda ajudar a todos, este sentimento foi ficando cada vez maior. Estou aprofundando alguns conhecimentos que, fora da quarentena, o nível de ansiedade não permite. Sempre quis entender melhor sobre biomimética, e estou lendo o livro da espetacular Janine M. Benyus, tudo a ver com este momento. Li de novo e assisti a aulas sobre o “mito da caverna”, de Platão, que ajuda a entender o momento e é de uma importância enorme para entendermos a relatividade da vida e como ela funciona. Tenho meditado, embora sem disciplina e consegui fazer lindos passeios por lugares desertos; visitei cachoeiras nos arredores de Campos de Jordão, onde passei quase um mês. Sempre quis ter mais paz de espírito para cozinhar e estou conseguindo, sempre acompanhada de alguém da família que tem passado a quarentena comigo. Adoro fazer principalmente sobremesas e risotos. Mando aqui a receita maravilhosa de pão de mel da Rita lobo, o melhor que já comi.(www.panelinha.com.br/receita/Pao-de-mel)”. PAULA FERBER, DESIGNER DE SAPATOS

“Como moro sozinho há mais de 30 anos, não vejo muita diferença, mas me incomoda muito não poder sair para nada. Minha filha e meu assistente fazem as compras para mim e tento enganar o tempo vendo as redes sociais, youtubes e muita TV – Smithsonian, Discovery, Film & Arts, Anima, History, entre outros. Revejo arquivos de poucos trabalhos que estavam em andamento, respondo um ou outro email e atendo uma ligação por dia. Fiz dois trabalhos para iniciativas coletivas, um para revista NABORDA e outro para o projeto Quarantine, ambos reflexões sobre o momento atual. Como todos, estou chocado com tudo isso e mais ainda quando escuto dizerem que vai demorar a passar, se passar. Parece a quarta Guerra Mundial. No mais, aguardo a hora de tudo voltar ao normal.” GUTO LACAZ, DESIGNER

“Acordo cedo, às oito da manhã, faço meu café, lavo a louça, dou comida para os dogs. A vida não está horrorosa, sou caseiro, moro em uma casa bacana, que adoro, os seis cachorros me fazem companhia, sou casado, minha filha está aqui, me ajuda a limpar a casa. Temos que fazer do limão uma limonada, estou cuidando das minhas plantas, que adoro, varro meu pátio, e estou tirando cera do meu sinteco. Estou levando o maior baile, mas agora está tudo novo, limpinho. Acho que tem uma coisa de infância nisso tudo… Gosto de música, de ver filme, então, coisa para fazer em casa não me falta. Começo a ficar preocupado com grana, abri um salão no fim de março (o Jacques Janine Casa Conceito por Mauro Freire) e já fechei. Tô louco para trabalhar. Mas não sou uma pessoa que tem pensamentos ruins. Vida que segue.” MAURO FREIRE, CABELEIREIRO

“Como meu ateliê de formulação é em casa, tenho dado um gás em novas formulas e muito estudo. Acho que a quebra na velocidade das nossas vidas pode, de uma forma um pouco traumática, trazer um entendimento mais profundo sobre ‘o tempo’. Estamos acostumados a ir fazendo, agora é a hora de ponderar e entender nossas prioridades e as prioridades do todo.” PAULINA ARENDA, FUNDADORA DA SABOARIA BRASIL