08.07.2018  /  9:00

Quando o feitiço vira contra o feiticeiro: ataques de assistentes virtuais geram debate nos EUA

Problemas do século 21: os ataques de hackers chegaram ao lar || Créditos: Getty Images

Já ouviu falar de “smart home abuse”, um termo novo que se traduz basicamente como “violência doméstica virtual”? Trata-se de algo cada vez mais comum sobretudo nos países do hemisfério norte onde as tecnologias para tornar o lar inteligente e independente avançam a passos largos e já movimentam bilhões de dólares por ano, e tema recente de uma reportagem de página inteira do jornal “The New York Times”, dos Estados Unidos, que está causando ecos na indústria de produtos desse tipo.

Imagina a situação: você instala na sua casa um assistente online ao estilo da Alexa, da Amazon, e passa ao equipamento os controles de todos os seus eletrônicos e até as senhas de internet. Só que, justamente por se tratar de algo que precisa estar conectado à rede mundial para funcionar, a novidade está suscetível a ataques de hackers, e caso isso aconteça o que era pra facilitar a rotina de alguém se torna uma enorme dor de cabeça.

Por ser algo sem precedentes, o problema tem gerado muita discussão a respeito do que se deve fazer para controlá-lo, até porque muitas de suas vítimas são pessoas que simplesmente não sabem mais viver sem o auxílio de gadgets e que, nos casos mais extremos, teriam que abrir mão da privacidade caso busquem ajuda. “É muito difícil dar conselhos amplamente aplicáveis às vítimas nessas ocasiões”, disse ao “Times” Eva Galperin, especialista em segurança cibernética.

No caso daqueles que não moram sozinhos, as coisas podem ser ainda mais complicadas. Como muitos costumam assumir as rédeas das tarefas domésticas e dividem com seus “roommates” e, em alguns casos, cônjuges, as senhas que utilizam para acessar assistentes virtuais para a casa, estes são tanto vítimas como agressoras em potencial e em razão disso enfrentam riscos ainda maiores. A perseguição virtual de um ex-namorado ou ex-bff, por exemplo.

E quando não há mais escapatória, a solução é somente uma – desconectar geral e, feito isso, tentar dominar a tecnologia vilã. “Descubra como funciona, como se configura, como se acessa e como se desliga”, Jonathan Knudsen, estrategista de segurança da gigante Synopsys, sugeriu aos repórteres do “Times”, que ouviram de outros experts dicas como evitar usar até mesmo apps como o Uber a fim de se livrar dos ataques. Todo cuidado é pouco! (Por Anderson Antunes)