10.03.2020  /  12:42

Príncipe saudita que gerou guerra pelo preço do petróleo com a Rússia já mandou prender até a própria mãe

Mohammed bin Salman || Créditos: Reprodução

Um novo livro sobre Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita que de fato é quem manda no país atualmente, dá uma ideia sobre seu estilo “tolerância zero”. Escrita por Ben Hubbard, o correspondente do “The New York Times” em Beirute, a obra intitulada “MBS: The Rise to Power of Mohammed bin Salman” (“MBS: A Ascensão ao Poder de Mohammed bin Salman”, em tradução livre) traz um relato sobre a ocasião em que o “royal” mandou colocar a própria mãe e duas de suas irmãs em prisão domiciliar por medo de que as três estivessem conspirando contra sua escalada ao topo da Casa Real de Saud, que em termos de poder e de dinheiro é a número um do planeta e deixa os Windsors comendo poeira.

Tratado pelas iniciais na imprensa internacional, Salman, de 34 anos, deixou elas durante semanas trancadas em casa e chegou a esconder o paradeiro do trio do próprio pai, o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, que de 2017 pra cá delegou seus poderes ao filho, que não é nem sequer seu primogênito. Justamente esse “empecilho técnico” na hierarquia dos Saud que fez MBS adotar a medida drástica, já que sua mãe, a princesa Fahda bint Falah Al Hathleen, era contra a alteração na linha de sucessão da família real saudita. Frise-se que ninguém jamais ousou perguntar onde ela esteve no tempo em que ficou presa.

Salman já causou outras polêmicas no passado, como a ocasião em que mandou prender vários parentes há três anos, inclusive o primo Alwaleed bin Talal al Saud, um dos homens mais ricos do mundo. Recentemente, outros três príncipes sauditas foram detidos a mando dele, todos sob suspeita de conspiração contra a Arábia Saudita, que é a maior exportadora de petróleo do mundo. E também foi de MBS, cujo temperamento já foi descrito como “explosivo” e “instável ao extremo”, a decisão de enfrentar a Rússia de Vladimir Putin na guerra de preços da commodity que levou os mercados mundiais ao seu pior dia de cão em mais de uma década nessa segunda-feira. (Por Anderson Antunes)