26.10.2020  /  13:34

Príncipe que desafiou governo homofóbico de Brunei morre de doença desconhecida aos 38 anos

Azim com Mariah Carey, uma de suas bffs famosas || Créditos: Reprodução

Depois de um longo período internado para tratar uma doença ainda desconhecida, o príncipe bruneano Azim, filho do Sultão de Brunei Hassanal Bolkiah, morreu no último sábado, aos 38 anos, em Bandar, capital do estado soberano localizado no sudeste da Ásia. Típico playboy, Azim foi durante muitos anos um frequentador assíduo do jet set internacional, e sua lista de conexões famosas incluía desde grandes nomes de Hollywood como Michael Jackson a políticos poderosos e outros “royals” de todos os cantos do mundo.

Dono de uma fortuna estimada pela mídia internacional em US$ 5 bilhões (R$ 28,1 bilhões), Azim era o segundo colocado na linha sucessória de Brunei, atrás de seu irmão e príncipe-herdeiro Al-Muhtadee Billah. Durante vários momentos da década de 1980, o pai deles foi o homem mais rico do mundo, mas eventualmente deixou de integrar os rankings de bilionários quando as principais publicações que os elaboram deixaram de considerar as fortunas de membros de realezas ricos apenas por conta de suas posições de soberania em seus levantamentos.

Ainda assim, o patrimônio de Bolkiah – que inclui hotéis famosos de Paris, como o Plaza Athénée – é estimado em no mínimo US$ 20 bilhões (R$ 112,5 bilhões). Azim teria caído em desgraça sob os olhos do monarca quando passou a apoiar abertamente a comunidade LGBT – Brunei é um dos poucos países do mundo que pune homossexuais com a morte, nesse caso por apedrejamento. Esse posicionamento dele sempre rendeu rumores sobre sua sexualidade e também sobre uma possível “amizade colorida” com o rei do pop, ambos nunca confirmados.

Sepultado no mesmo dia de sua morte em uma cerimônia de estado porém sem a pompa de outras épocas, por causa da pandemia de Covid-19, Azim foi homenageado postumamente por Bolkiah, que declarou luto oficial de sete dias em Brunei, uma monarquia absolutista. Há indícios de que ele tinha sido diagnosticado com algum tipo raro de câncer algum tempo atrás, devido às viagens frequentes que fez ao exterior de lá pra cá, em geral rumo aos Estados Unidos e à Europa, onde se encontram os maiores especialistas na doença. (Por Anderson Antunes)