13.09.2019  /  19:19

Prestes a estrear em ‘Segunda Chamada’, Debora Bloch desabafa: “As pessoas estão aplaudindo atitudes de desumanidade e violência… É assustador!”

Debora será Lúcia em nova série da Globo / Crédito: Rede Globo

O que faz de Debora Bloch um dos maiores nomes da televisão brasileira é, sem dúvida, o comprometimento que tem com seus personagens. E, na série ‘Segunda Chamada’, a atriz encara o desafio de interpretar Lúcia, uma professora da EJA (Educação de Jovens e Adultos), que precisa se dividir entre o trabalho e os cuidados com o marido. Para interpretar essa mulher, que representa muitas Brasil afora, Debora conversou com profissionais da vida real e entrou de cabeça na experiência. “Eu fui a algumas EJAS (Educação de Jovens e Adultos), conversei com as professoras, diretoras, assisti aulas. E a primeira escola que eu fui abriu ainda mais a minha cabeça, o que foi extremamente importante para eu fazer essa professora. O que me tocou muito foi ver como os professores são comprometidos com o trabalho e especialmente com os alunos. Eles gostam de ouvir sobre a vida de cada um”, comenta a atriz.

Aos 56 anos, talentosíssima e chique no último, Debora fala sobre a preocupação com os próprios filhos em relação à educação, um dos temas centrais da série, e sua visão sobre a situação do país. “A Julia já se formou e o Hugo está para se formar, falta apenas um ano. Acho que se eles fossem menores, estaria ainda mais preocupada. De qualquer maneira, me preocupo com tudo o que acontece nesse país, com o presente e o futuro”, diz. “O pior de tudo é que estamos aplaudindo atitudes de desumanidade e violência contra índios, pobres, negros, LGBTs, mulheres…”, completa. Confira nosso papo com Debora Bloch e saiba mais sobre ‘Segunda Chamada’ que estreia no dia 8 de outubro!

Glamurama: Na trama você vive uma professora que tem um grande trauma no passado e cuida do marido doente. Como foi a preparação para interpretar Lúcia, uma mulher como tantas que existem no Brasil?
Debora Bloch: Fui a algumas EJAS (Educação de Jovens e Adultos), conversei com professoras, diretoras, assistimos aulas. E a primeira escola que fui abriu ainda mais a minha cabeça, o que foi extremamente importante para eu fazer essa professora. O que me tocou muito foi ver como os professores são comprometidos com o trabalho e especialmente com os alunos. Eles gostam de ouvir sobre a vida de cada um. Eles sabem como o aluno foi parar ali, as dificuldades que ele passa, e quando fui à escola, elas queriam me informar sobre como tudo funcionava. Foi lindo de ver porque é um trabalho muito duro e, mesmo assim, eles estão dispostos.

G: Qual foi a maior dificuldade?
DB: A vida da Lúcia não é fácil, então a história em si gerava uma carga emocional muito forte. Ao mesmo tempo em que chegava exausta em casa, sentia que era uma experiência maravilhosa. Gravávamos também à noite, bem além dos horários de funcionamento das EJAS. Às vezes, as gravações terminavam às cinco da manhã. Essa parte foi difícil.

G: O que você leva de mais importante dessa experiência?
DB: Essa série só reforçou a minha esperança de ver, cada vez mais, esses professores ensinando. Saber que tem gente que acredita que este trabalho vai transformar o país em algo melhor só me fez bem. Acredito que essa seja uma série a ser dedicada aos professores, a esses heróis. Eles precisam ser mais valorizados.

G: Qual cena foi mais marcante para você?
DB: Tudo foi muito relevante, então não teve uma cena em específico. Acredito que todo o processo de construção foi ótimo: ir até as escolas, assistir as aulas, conhecer professores, alunos. Também conhecemos e gravamos em comunidades, uma realidade muito dura. Estamos acostumados a ignorar essa parte da sociedade, torná-los invisíveis. E não pode ser assim.

G: A série retrata a vida nas escolas públicas justamente em um momento em que a educação deixou de ser prioridade para o governo. Acha importante mostrar essa realidade?
DB: Com certeza. Mas, independente do momento político, sempre é importante falar sobre educação. Esse problema não vem de hoje, é algo antigo. Se as EJAS existem, é porque muitas pessoas não tiveram e ainda não têm condições de estudar. Conseguimos notar o tamanho da lacuna que o Brasil carrega.

G: Você tem dois filhos adultos, Julia e Hugo. Se preocupa com o futuro deles no Brasil?
DB: A Julia já se formou e o Hugo está para se formar, falta apenas um ano. Acho que se eles fossem menores, estaria ainda mais preocupada, mas de qualquer maneira me preocupo com tudo o que acontece nesse país, com o presente e o futuro. Sem educação de qualidade, não tem futuro possível.

G: Existem diversas outras questões que transformam esse cenário em um furacão…
DB: O pior de tudo é que as pessoas estão aplaudindo atitudes de desumanidade e violência contra índios, pobres, negros, comunidade LGBT, mulheres. É assustador ver que, enquanto alguns comemoram, nós temos que resistir.