05.06.2019  /  8:53

Por causa do #MeToo, novo filme de Woody Allen será rodado na Espanha e sem elenco hollywoodiano

Woody Allen || Créditos: Reprodução

O próximo filme de Woody Allen terá um elenco formado por vários atores internacionais mas nenhum que mereça ser chamado de astro ou estrela de Hollywood. Isso é resultado direto do movimento #MeToo, que estourou em outubro de 2017 nos Estados Unidos e transformou o diretor americano, outrora festejado por lá, em uma espécie de persona non grata na meca do cinema em razão das históricas alegações dando conta de que ele teria abusado sexualmente de Dylan Farrow, a filha adotiva de Mia Farrow, com quem foi casado, e que àquela altura já não podiam ser ignoradas como foi a regra em outras épocas. Allen até tentou convencer alguns figurões americanos da telona a atuarem em seu novo projeto cinematográfico, mas no fim só atraiu nomes pouco conhecidos do grande público como Gina Gershon e Wallace Shawn.

Os europeus Elena Anaya (espanhola), Louis Garrel (francês) e Christoph Waltz (austríaco), esse último sendo o mais famoso dos três e dono de um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (por “Bastardos Inglórios”), também estarão no longa que será rodado ainda nesse ano na Espanha. No auge do #MeToo, as atrizes Mira Sorvino e Ellen Page, ambas já dirigidas por Allen, expressaram arrependimento por terem topado trabalhar com ele, enquanto seus ex-colaboradores Greta Gerwig, Evan Rachel Wood, Colin Firth e Michael Caine afirmaram que jamais voltariam a dividir um mesmo set de filmagens com o cineasta.

Vale lembrar que a comédia romântica “A Rainy Day In New York”, finalizada por Allen em 2017 e produzida pela Amazon Studios, teve a estreia abortada no ano passado justamente por causa das polêmicas dele, e mesmo tendo como protagonistas Elle Fanning, Selena Gomez, Timothée Chalamet, Jude Law, Diego Luna e Liev Schreiber. Apesar de a fita ter chances de estrear ao menos nos cinemas da Europa em setembro desse ano, Allen está processando a gigante do streaming em US$ 68 milhões (R$ 262,3 milhões) pelo que considera ter sido uma quebra de contrato – a Amazon, no entanto, afirma que agiu dentro da lei para evitar ter sua imagem manchada. (Por Anderson Antunes)