14.08.2020  /  14:47

Para entrar na vibe do Carnaval baiano sem sair de casa, o doc ‘Axé – Canto do Povo de Um Lugar’ é a melhor pedida

Cena do doc “Axé” // Reprodução vídeo

Quem mais já está com saudades do Carnaval, que não vai rolar no início de 2021 por causa do coronavírus? Nossa dica para os carnavalescos orfãos e até mesmo para quem não é lá muito fã da folia é o documentário “Axé – Canto do Povo de Um Lugar”, de 2016, dirigido por Chico Kertész, que acaba de entrar no catálogo da Netflix.

Premiado em 2017 na 8ª edição do Festival de Filme Independente da Áustria, na categoria “Melhor Documentário”, o longa foi resultado de uma profunda pesquisa que reuniu imagens raras de arquivo e participação de grandes nomes da Axé Music.

Imagens de velhos carnavais embaladas por uma interpretação de Ivete Sangalo para “Baianidade nagô”, da Banda Mel, dão um ar saudosista e sentimental à abertura do doc que conta a história do ritmo musical que surgiu em Salvador e se tornou um grande fenômeno no Brasil inteiro. A explosão nacional, a partir de 1985, do som feito exclusivamente para a folia baiana — e que, em pouco mais de 10 anos, chegaria a um auge de popularidade capaz de elevar o Brasil ao posto de um dos maiores mercados de música do mundo — dá início à história que o publicitário baiano, em sua primeira incursão na  direção de longas metragens, consegue contar em pouco menos de duas horas.

Inúmeros personagens que fizeram parte do surgimento e da popularização do axé desfilam pela tela, em depoimentos e cenas de arquivo que remontam aos anos 1950, quando Dodô e Osmar inventaram o trio elétrico, até os anos 2000. Em 1985, Luiz Caldas e seu mix de estilos ficaria conhecido como ‘filho do axé’, ao exportar seu “Fricote” para o resto do país. A partir daí a axé music surgia para o resto do Brasil e para o mundo, assim como nomes como Gerônimo, Sarajane, Olodum e tantos outros baianos que invadiram rádios, festas, toca-discos e CD players.

Com uma narrativa na qual a história de um astro puxa a do seguinte e validações dadas por Caetano Veloso e Gilberto Gil, o documentário é capaz de transportar quem assiste para guetos baianos, onde surgiram Olodum e Ilê Aiyê, até para o Central Park em Nova York, no icônico concerto de Paul Simon, que reuniu um mar de gente, com direito ao batuque do Olodum, ao vivo e em cores, na música ‘Obvius Child’ (Simon visitou o Pelourinho, ficou encantado com os tambores do grupo e incluiu em seu álbum).

Vieram Bell Marques, Carlinhos Brown, Durval Lellis, Tatau, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, dentre tantos talentos que todos conhecem tão bem.  Uma história e tanto! Uma delícia de ver para deixar o astral lá em cima.