Paolla Oliveira é capa e recheio da Revista J.P e confessa: “Quero ter mais coragem de ser imperfeita”

06.06.2019  /  12:10

Paolla Oliveira está passando por uma fase mais introspectiva. Um dos rostos mais bonitos da televisão, ela quer agora desconstruir o mito da perfeição. São 37 anos de vida, 20 deles aos olhos do público, além de 17 milhões de seguidores e dezenas de fã-clubes, que podem aumentar, e muito, nos próximos meses com Vivi Guedes, o novo papel da atriz, uma digital influencer na novela A ‘Dona do Pedaço’, da Globo.

Para a J.P, ela posa para estas fotos quase poéticas de Maurício Nahas e fala sobre sua vida virtual, sobre ser vulnerável em tempos tão confusos, em parar um pouco para olhar o outro e aceitar a si mesma.

por Thayana Nunes fotos Maurício Nahas

J.P: Paolla, já se deu conta de que são 17 milhões de pessoas te seguindo?
PAOLLA OLIVEIRA: Sim! Até comemorei. Mas acho que o mais legal é esquecer. Claro que dou uma superimportância, mas não posso ficar apegada a isso. Nesse processo da Vivi, descobri que sou uma influenciadora também e sou feliz com a minha rede, que é muito espontânea, muito real. Já ouvi algumas vezes: “Você tem de postar mais isso, mais aquilo”. Mas se as pessoas se interessam, acho que estou no caminho certo.

J.P: É um ambiente muitas vezes de ódio, mas sinto que você não passa por isso…
PO: Passo sim, existe muito hater, claro. E se tenho a possibilidade de responder, respondo. Não posso impedir que as pessoas falem de mim e se disser que não me importo, vou estar mentindo. Mas eu posso dar a importância necessária, senão vira um sofrimento.

J.P: São 20 anos aos olhos do público, quando você começou, lá em 1999, como assistente de palco do SBT. O que mudou nesse tempo todo?
PO: É inquestionável que a gente aprende ao longo do tempo, porém o que eu sempre gostei é que minha alma inquieta me levou para esse lugar do teatro. Sempre me fez bem abrir um espaço dentro de mim para dar vida a uma personagem. Isso me encanta: me tirar de cena, me anular para colocar o outro em evidência. Essa para mim é a arte do ator. Quando estou atuando, não está mais a Paolla. É muito intenso… mas juro que esse look é meu, não da Vivi! (risos)

J.P: Estamos em junho e queria saber como andam as suas paixões…
PO: Amo estar apaixonada, é algo que me alimenta, mas podemos estar apaixonadas pelo trabalho. A gente vai mudando o foco das paixões. Hoje, estou mais solta. As pessoas me perguntam muito sobre estar solteira, mas agora existe um espaço meu e estou feliz.

J.P: E como está com o fim do namoro [Paolla terminou recentemente a relação de quatro anos com o diretor Rogério Gomes]?
PO: Sempre evito falar sobre assuntos mais íntimos… O namoro com Rogério terminou, mas o que fica são os encontros que a vida proporciona. Ele é umas das pessoas mais incríveis que conheço.

J.P: Você se apaixona muito?
PO: Acho que é tão bom a gente estar aberto, ser vulnerável. Uma busca minha é tentar ser mais vulnerável, achar a ponte para o outro. Não falo só de amor, de homem e mulher, mas das pessoas que a gente perde, perde para celular, para a vida maluca que a gente leva. Não faço novela se não for pelo outro. Claro que gosto de fazer, mas quero que as pessoas assistam. Nesses tempos parece que a gente é tão polarizado, é tão agressivo… As pessoas estão colocando as coisas de uma maneira tão dura.

J.P: Você fala em vulnerabilidade. Quando a Paolla se sente vulnerável?
PO: Falo sobre coragem. Estou com 37 anos e não tenho nenhum problema com a idade, não tenho vontade nenhuma de voltar 20 anos atrás, me gosto agora. Gosto das minhas transformações, gosto de quem sou hoje. Mas quero parar de ser muito dura, apegada a determinada coisas, sendo que elas mudam e não dependem da gente. Quero ter mais coragem de ser imperfeita. As pessoas estão cobrando o tempo inteiro perfeição. Isso aqui é uma coisa [mostra o celular] e rapidinho alguém escreve três palavras e acaba com você. O.k., mas cadê o meu espaço para errar, para não estar com a roupa perfeita, com o cabelo perfeito e para vocês não gostarem do que eu fiz também? Não é fácil, é um exercício: ter o meu espaço para não ser perfeita o tempo inteiro e ser corajosa para a vida, porque a gente está precisando de coragem para estar nela.

J.P: E olha que muita gente deve achar que você tem uma vida perfeita.
PO: Não mesmo! Não tenho uma vida perfeita. E se tivesse, ia encontrar alguma coisa para reclamar.

Confira o ensaio de Paolla aqui: