22.07.2014  /  20:11

Pablo Atchugarry abre exposição no MuBE e conversa com Glamurama

Pablo Atchugarry e uma das obras, criada especialmente para a exposição do Mube

Por Verrô Campos

Glamurama foi conferir em primeira mão a exposição do artista e escultor uruguaio Pablo Atchugarry, que abre nesta sexta, no MuBE, em São Paulo. Reconhecido no mundo, para a mostra no Brasil, trouxe obras de coleções de museus e particulares dos Estados Unidos, Itália, Inglaterra e Bélgica, além de algumas criadas especialmente para cá. Ninguém melhor que o próprio, para nos descrever o seu trabalho: “Estão muito presentes nas minhas esculturas as aberturas, os buracos. A obra não pode ser como um muro, uma parede, tem que se ver através dela, ver o que acontece do outro lado, o espectador pode entrar dentro da escultura”.

Vivendo na Itália há 35 anos, onde ainda mantem ateliê e casa no Lago de Como, Pablo abriu com a mulher uma fundação que leva o seu nome em Manantiales, balneário hypado do Uruguai, pertinho de Punta del Leste. Além de um museu e de um jardim de esculturas, a fundação abriga o segundo ateliê de Atchugarry. Mas é na Itália que o escultor escolhe pessoalmente, na Cava Michelangelo, em Carrara, o mármore para transformar em arte. Como o nome sugere, era lá que Michelangelo também escolhia suas pedras. “Quando vou buscar os blocos de mármore, tenho a sensação de encontrá-lo, pois ele fazia a mesma coisa. Para começar a fazer uma escultura de mármore tem que escolher o bloco entre centenas de outros, primeiro pela qualidade, tem que ser muito branco, luminoso, mas também por ter uma relação especial. É como se o bloco estivesse chamando o escultor. Antes eu levava o projeto e escolhia a pedra, mas agora escolho primeiro o bloco e depois faço um desenho para ele. Assim o trabalho é mais orgânico, respeita a presença da natureza”, conta o artista que trabalha todas as suas esculturas grandiosas sozinho, com a ajuda de assistentes apenas para o trabalho de finalização.

Quanto à arte brasileira, Atchugarry é fã e teve um encontro especial na juventude: “Em 1975, quando eu tinha menos de 20 anos, fui a Porto Alegre para minha primeira exposição e conheci Iberê Camargo. Ele pintava na minha frente e me deu muito entusiasmo, era um grande mestre dando atenção a um jovem artista. Não os conheci, mas também admiro o trabalho de Sérgio Camargo e Lygia Clark, muito vital e criativo, e Bruno Giorgi, que fez as esculturas de Brasília. Oscar Niemeyer foi um escultor que fez arquitetura, lembro de minha primeira visita a Brasília e de como as obras dele me influenciaram: a presença da curva, a Catedral. Tenho um sentimento muito especial pelo Brasil e sua cultura, há por aqui muitos colecionadores que admiram o meu trabalho, tenho uma relação muito íntima”.

Para terminar, um pouco de futebol: “Eu estive presente nas partidas do Uruguai na Copa, mas depois, infelizmente, aconteceu o episódio do Luisito Suarez e temos uma grande pena, ele tem um problema, deve ser ajudado por um psicólogo, mas é um gênio excepcional. Foi uma Copa muito emotiva”.

Em tempo: A galeria Paulo Darzé, em Salvador, pretende realizar uma exposição de Atchugarry no ano que vem, mesma época em que ele planeja uma grande exposição a céu aberto em Paris, na Avenue Matignon.