01.08.2018  /  18:28

O pernambucano Irandhir Santos e seu estilo nada convencional: “Os papéis que faço têm muito a ver comigo”

Irandhir Santos na pré-estreia de “O Animal Cordial” || Créditos: Paulo Freitas

Irandhir Santos é um parênteses entre os atores da Globo. E um dos fatores que fazem dele um cara especial é o cuidado que tem na escolha de papeis e a profundidade que imprime em suas atuações, que puderam ser vistas pelo grande público em ‘Onde Nascem os Fortes’, ‘Velho Chico’ e ‘Meu Pedacinho de Chão’. “A questão da escolha é primordial na carreira de um ator, e não estou aqui desconsiderando a dificuldade que é atuar no Brasil. Antes de tudo tem que haver identificação. Os papeis que faço tem muito a ver comigo.”

No dia 9 de agosto, o pernambucano estreia no cinema com “O Animal Cordial”, de Gabriela Amaral Almeida, filme que considera urgente para o Brasil, motivo que pesou bastante na hora de aceitar o papel de um cozinheiro infeliz com seu trabalho em um restaurante de classe média de São Paulo, que um belo dia é invadido por assaltantes no fim do expediente.

No filme, o instinto animal dos personagens é ativado em situações de risco e isso é trazido à tela sem floreios. “Quando li o roteiro fiquei ainda mais impressionado com ela [a diretora Gabriela Amaral] e quis viver essa experiencia. Mas ela é tão boa, que aquilo que a gente viu no papel fica ainda melhor na tela, nos pega por outros sentidos.” Ainda sobre Gabriela, Irandhir comenta: “ela aposta, se arrisca, só por essa postura já vale a pena. É uma mulher nordestina que flerta com o horror na direção de um filme, algo difícil de ver.”

Irandhir Santos na pele do cozinheiro Djair no longa “O Animal Cordial” || Créditos: Divulgação

Sobre o longa, um dos melhores lançamentos nacionais do ano, completa: “Quando li o roteiro de ‘O Animal Cordial’ identifiquei uma reflexão bastante sóbria sobre o Brasil de hoje, que está tão atarracado de agressões aos nossos direitos. Temos um presidente que não foi eleito por nosso voto, mas está nos coordenando, por exemplo. E como se manifestar senão através do instinto da sobrevivência?”

Novos projetos
Para quem é fã do trabalho nada óbvio de Irandhir, fique de olho: ele estreia ainda este ano em “Piedade”, de Cláudio Assis, com roteiro de Anna Muylaert. Daqui a um mês inicia as filmagens de “Fim de Festa”, novo longa de Hilton Lacerda, que o ator define como “aquele que escreveu pra mim os melhores personagens que já vivi no cinema.” Coisa boa na certa!

Cinema e teatro 
“Teatro foi o amor que me apresentou a arte de interpretar, mas o cinema veio como uma paixão arrebatadora, é onde eu me esbaldo. É muito bom conviver entre um amor e uma paixão.”

Novelas
“Na TV tem diretores como Luiz Fernando Carvalho e José Luiz Villamarim que, quando me convidam, me sinto convocado. Os vejo como o que há de mais genuíno na telinha atualmente, por se arriscam a contar histórias de uma maneira distinta e nova.”

Temas urgentes para TV, teatro e cinema 
“Política, religião e a potencia da arte, temas que acabam falando sobre educação. Qualquer obra que abordar esses temas estará fazendo um grande bem para a nossa nação.”