O escritor Santiago Nazarian dá a letra de seus livros favoritos para a Revista PODER. Anote aí

01.12.2018  /  8:00

O escritor Santiago Nazarian // Divulgação

Como era de se esperar, o que não faltou na infância do escritor Santiago Nazarian foram livros. Filho da também escritora Elisa Nazarian e do artista plástico Guilherme de Faria, Nazarian lê desde a infância. As referências literárias daquele tempo viraram, com efeito, títulos noir de alguns de seus livros: A Morte Sem Nome, Feriado de Mim Mesmo e Mastigando Humanos. “Eu não sei exatamente de onde vem essa raiz gótica, lembro apenas que gostava de me fantasiar de vampiro na infância”, brinca.

A adolescência um tanto trivial permeada por videogame, caratê e filmes de terror trash também serviram para dar substrato ao futuro escritor. Some-se a isso o consumo excessivo de clássicos de matriz byroniana. “Quando li Oscar Wilde, com aquela escrita dândi e sarcástica, ironia deliciosa, eu sabia que era assim que queria escrever. Ao mesmo tempo, estava lendo Machado de Assis na escola e não me identificava”, conta Nazarian, que só chegou efetivamente ao terror em seu último livro, Neve Negra. Antes disso, seus escritos estavam estabelecidos na fronteira do suspense, dando vazão a questões existenciais, um estilo que ele mesmo definiu como “existencialismo bizarro”.

Para inocular tensão nas suas tramas, Nazarian prefere escrever ao acordar, “quando os sonhos ainda estão frescos”. “Dá um tom bastante onírico, meio de pesadelo.” O único problema é ter de parar quando o romance pega no breu, já que nem só de escrever vive o autor. Ele ainda precisa se dedicar a traduções, colaborações com jornais e revistas e participações em eventos literários para manter as contas em dia. (Por Aline Vessoni para Revista PODER)

A METAMORFOSE – FRANZ KAFKA
“Um clássico do surrealismo – um homem que acorda no quarto transformado num inseto. O que me seduz particularmente é o minimalismo do texto, como ele constrói uma história com tão poucos elementos , basicamente um personagem num quarto.”

FRANKENSTEIN – MARY SHELLEY
“Drácula e Frankenstein foram os livros de terror que me abriram para a literatura do século 19 na adolescência. A edição recente de Frankenstein, pela Editora Zahar, tem tradução, apresentação e notas minhas.”

A VIDA DE PI – YANN MARTEL
“Sobrevivendo a um naufrágio, um garoto fica num bote à deriva com um tigre. Romance alegórico baseado em novela do Moacyr Scliar, que também me inspirou muito e gerou belo filme.”

RASTROS DO VERÃO – JOÃO GILBERTO NOLL
“Novela com o andarilho típico do autor; um homem com uma sexualidade ambígua, que chega a Porto Alegre e vaga sem rumo entre cenários e personagens. Li exatamente quando eu me mudava para a capital gaúcha, começando minha vida adulta, e refiz muito do percurso descrito no livro.”

O FILHO ETERNO – CRISTOVÃO TEZZA
“Romance com viés autobiográfico muito sincero, masculino e por vezes perverso. Ele trata do nascimento e dificuldade de aceitação do seu filho com síndrome de Down, com lirismo e sem pieguice. Essa visão da paternidade inspirou muito meu romance mais recente, Neve Negra.”

O RETRATO DE DORIAN GRAY – OSCAR WILDE
“A escrita dândi e sarcástica de Wilde foi o que me inspirou a ser escritor, na adolescência. O romance recria o mito de Narciso, retratando um jovem que se apaixona por sua própria imagem e vende a alma para não envelhecer