04.12.2017  /  13:07

O artista plástico Vik Muniz para Glamurama: “não quero traçar metas para a carreira”

Vik Muniz || Créditos: Bruna Guerra

Em seus 33 anos de carreira, o consagrado artista plástico Vik Muniz, que se divide entre Rio e Nova York, atualmente se dá ao luxo de trabalhar livremente suas criações, sem traçar metas. Foi o que ele revelou ao Glamurama, em entrevista exclusiva. “Estou sempre criando, mostrando, não tenho estratégia de continuidade de longo prazo, vou fazendo… Tanto que a parte legal de não controlar é que uma coisa vai levando a outra. Deixo isso aberto, não tem um mapa que diga onde quero chegar”, explica ele. E esse método, para alguns um pouco caótico, tem dado supercerto.

Na última quinta-feira, Vik abriu a exposição “Handmade”, na Galeria Nara Roesler, em Ipanema, que reúne cerca de 30 obras que ele acumulou ao longo dos anos, frutos de estudos que fez para exposições passadas. “Sempre funciona de duas maneiras: o que você espera ser uma foto não é o que você espera que seja um objeto, é uma imagem fotográfica. Em uma época em que tudo é reprodutível, a diferença entre a obra e a imagem quase não existe”, conta ele, que como em uma brincadeira, coloca objeto e imagem lado a lado, criando uma ilusão de ótica que fascina o público. Para o ano que vem, já estão programadas as exposições “Vik Muniz” (retrospectiva), no Chrysler Museum of Art, em Norfolk, Virginia, e “Vik Muniz: Verso”, no Belvedere Museum, em Viena, Áustria.

Qual o conceito dessa nova exposição?

Não posso falar que é uma nova exposição, porque foram trabalhos desenvolvidos ao longo dos anos. Quando vou fazer algum trabalho, testo coisas, vejo se funciona, vou acumulando esses testes. Depois de um tempo, percebi que tinha material para criar uma exposição mais sintética. De certa forma, estou mostrando os alicerces de muitas coisas que faço.

Qual o material predominante?

Há muito tempo é o papel. Estamos em um momento em que o papel mudou de papel (risos), deixou de ser um material de disseminação, informação, e passou a ser um contêiner de documentação mesmo. A gente vê o papel de uma outra forma e é uma coisa tão importante na história da fotografia, da informação… É bacana fazer as pessoas olharem para o material que dá suporte a diferentes tipos de informação.

Como foi realizado esse trabalho?

Nesse caso, tem muito mais brincadeira que nos outros. Às vezes, estou fazendo uma imagem, brincando com o papel mesmo. Uma ilusão de ótica não depende muito de crítica, funciona em outro nível, é binária. Tem muita arte ótica ruim. A ideia é criar algo que funcione e te inspire a pensar em outras coisas.

Em que momento da sua arte você está agora? Saberia avaliar?

Não sei dizer, porque estou sempre criando, mostrando, não tenho estratégia de continuidade de longo prazo, vou fazendo. Tanto que a parte legal de não controlar é que uma coisa vai levando a outra. Deixo isso em aberto, não tem um mapa que diga onde quero chegar.

A exposição “Handmade” já esteve no exterior?

Essa série começou em São Paulo, fiz também em Madri, Tóquio, São Francisco e agora aqui.

Para o ano que vem, tem algum projeto novo?

Estou trabalhando em algumas coisas que são desdobramentos dessa mostra aqui. Tem uma obra lá embaixo, no cantinho, que tem várias estratégias juntas, então acho que a próxima mostra grande que eu fizer vai ser um pouco naquele espírito, juntando tudo o que se vê nessa exposição só que em obras mais complexas e maiores. (Por Gisele Cassus)