“Tubby não vai vingar”, diz uma das responsáveis pelo Lulu no Brasil

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Com apenas duas semanas desde seu lançamento no Brasil, o aplicativo Lulu ficou em primeiro lugar na Apple Store e em terceiro no Google Play em número de downloads. Já teve 5 milhões de visitas, 1 milhão de avaliações – isso mesmo, 1 milhão de homens já passaram pelo crivo da mulherada -, e os usuários entram pelo menos nove vezes ao dia para checar o que está rolando por lá.

Bom, se você vive em um mundo alheio à internet e afins e nunca ouviu falar no tal Lulu, a gente te atualiza. Trata-se de um aplicativo para avaliar o comportamento – e isto inclui entre quatro paredes – de homens. Nele, as usuárias podem dar notas aos rapazes que têm em seu Facebook, com hasthags “do bem” como #lindotesãobonitoegostosão e “do mal” tipo #filhinhodamamãe. Na verdade, tudo era para ser uma brincadeira, mas o auê foi tamanho que teve até noivado desfeito.

Eles, claro, resolveram se rebelar. Tragédia anunciada. Agora é a vez do Tubby vingar os moços ofendidos, que poderão dar notas ao desempenho sexual da mulherada. O conteúdo, como era de se esperar, não é nada leve. Por conta disso, um juiz de Belo Horizonte está querendo vetar o app, que ainda não foi lançado, afirmando que o próprio incita a violência contra as mulheres.

Resumo da ópera? A gente conversou com dois responsáveis pelo Lulu no Brasil: Helene Hermes, gerente de marketing, e Felipe Pacheco, redator que adaptou e traduziu para o português as avaliações do aplicativo, lançado primeiro nos Estados Unidos.

– Como surgiu o Lulu?

Helene: “Foi durante um Dia dos Namorados de 2011. Conversando com amigas, Alexandra Chong, uma jamaicana que mora em Londres, surgiu com a ideia: se temos opinião sobre tudo, porque não damos as nossas referências sobre os homens? Aí lançamos nos Estados Unidos em fevereiro deste ano, onde já temos mais de 1 milhão de usuários fixos? O Lulu dá mais poder para as mulheres”

– Por que o Brasil e por que já fez tanto sucesso por aqui?

Helene: “As brasileiras são descoladas, seguras, gostam de festa. Estão cada vez mais independentes. Tem tudo a ver”

Felipe: “Não pensava que iria repercutir assim. São só duas semanas. Mas é positiva toda essa repercussão. Estamos colocando em pauta a igualdade entre homens e mulheres, e colocando o homem em posição de constrangimento pela primeira vez”

– Se o Tubby realmente for lançado, vocês acham que dará certo?

Helene: “Não acho que dará certo. Nos Estados Unidos, tentaram criar vários assim, mas nenhum vingou. Homens discutem esses temas de uma maneira muito diferente”

Felipe: “Fiquei assustado com as avaliações que  os homens podem fazer. Os comentários do Lulu são divertidos, nós falamos a linguagem das mulheres, já o Tubby terá coisas como #elatransadequatronoprimeiroencontro.  Se tivesse uma linguagem bacana, daria certo, sim”

– E a pergunta que não quer calar: de onde vêm todas aquelas hashtags?

Felipe: “Eu e minha namorada fizemos uma adaptação das hashtags que têm no aplicativo dos Estados Unidos. Por exemplo, o #curteromerobrito veio de #wearedhardy (Usa Ed Hardy), que faz menção a uma marca de roupas americana. Significa alguém que não tem noção de estética. Mas é tudo brincadeira, viu? As hashtags mais ofensivas saíram. Você pode falar bem sexualmente da pessoa e não mal. Por exemplo, #trêspernas ficou, enquanto que #nãofaznemcócegas saiu”

– E você Felipe, tem muitas avaliações?

Felipe: “Tenho avaliações pra caramba! Minha nota é 7,8″. (Por Thayana Nunes)

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