Thomaz Azulay || Créditos: Juliana Rezende

Thomaz Azulay compara sua nova marca com Blue Man e desafia crise

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Thomaz Azulay || Créditos: Juliana Rezende
Thomaz Azulay || Créditos: Juliana Rezende

Glamurama foi conferir o lançamento da The Paradise, nova marca de Thomaz Azulay, em sociedade com seu companheiro há quase 8 anos, o publicitário Patrick Doering, essa quinta-feira no Espaço Movimento Contemporâneo, que fica em um casarão no Horto, no Rio. Nas araras, só peças estampadas. As referências? Natureza, kitsch, tropical, Rio de Janeiro. O símbolo da marca é um unicórnio… “Superkitsch”, define o designer. A gente bateu o maior papo com ele, que não evitou comparações com sua antiga casa, a Blue Man, fundada por seu tio, David Azulay, herdada por sua prima Sharon Azulay e onde ele ocupou o cargo de diretor criativo. Thomaz também contou por que decidiu abrir a empresa em um momento econômico tão desfavorável. “Na crise, quem vai querer comer o mesmo bolo sem graça? É preciso botar tempero. As pessoas vão desejar meu produto”. À entrevista! (por Michelle Licory)

Glamurama: Além de camisas, calças e vestidos, a sua coleção tem biquíni, body, sunga. Em que essas peças se diferenciam das feitas por você na Blue Man?

Thomaz: A Blue Man tem uma etiqueta que faz o biquíni se vender sozinho. A marca está construída. Meu biquíni não está tão focado na etiqueta, e sim no carinho com o produto. A estampa é sempre  ‘localizada’ na peça [em larga escala, acontece da estampa do tecido não ‘encaixar’ perfeitamente na frente e nas costas, ou de um lado e de outro de uma peça] . A Blue Man funciona de uma forma muito acelerada, é uma empresa muito grande. Não tem como fazer uma produção inteira com esse cuidado. Eu consigo me dar esse luxo de oferecer esse luxo para os clientes. É mais artesanal.

Glamurama: Você, na Blue Man, fez coleções bem barrocas, com estampas exuberantes e tropicais, como as peças da The Paradise…

Thomaz: Sim, o DNA não tem como mudar muito. Sou eu, nos dois lugares. O que fiz lá absorvi de família. O caldeirão é o mesmo, o que muda é o nicho, a direção do business.  Não tenho que fazer algo completamente diferente e isso é muito bem resolvido. O que faço, faço de verdade. Quando é de verdade, não tem caô. A parte de praia nunca foi meu lado da moda. Caí na Blue Man, deu supercerto, amei, me apaixonei por moda praia, aprendi a fazer e a gostar. E em uma empreitada sozinho, não tinha como não fazer, é algo que entrou mais ainda no sangue. Mas [beach wear] não é maioria na minha coleção, que tem modelagens superclássicas, básicas, telas em branco pra gente pintar digitalmente . O biquíni é só uma gracinha a mais entre as peças.

Glamurama: Por que lançar uma marca agora, em plena crise econômica?

Thomaz: O momento é péssimo, sim. O que me deu coragem? Eu também sou consumidor e sinto uma carência muito grande. Está todo mundo falando que está ruim, mas está todo mundo fazendo a mesma receita de bolo. Na crise, quem vai querer comer o mesmo bolo sem graça? Tem que botar um pouco mais de tempero nas coisas. Estou confiando no diferencial, na exclusividade e que as pessoas vão desejar meu produto. Não estou ligando pro básico. Não tem uma peça lisa na minha arara. Estou vidrado na coisa do desejo, algo que a estampa faz com as pessoas.

Glamurama: Onde você quer que a The Paradise esteja daqui a cinco anos?

Thomaz: Espero que no mundo, mas em um tamanho não muito maior. Pretendo continuar oferecendo exclusividade. Quero que a marca esteja superestruturada, mas com um número limitado de funcionários para que não seja aquela coisa de empresa gigante, milhares de lojas. Quero ter o produto certo no lugar certo. Ponto físico não está na nossa mente pelos próximos cinco anos. Não uma loja em um shopping, por exemplo. Podemos ter algum ateliê onde a gente possa receber os clientes. Esse formato de varejo [shopping/ loja de rua] eu não acredito mais e nem acho que se encaixe pra gente. Estamos experimentando um outro formato, seminovo. Por enquanto, vamos vender no nosso e-commerce, que entra no ar até o fim do mês, e em trunk shows.

Glamurama: E por que virar sócio do companheiro?

Thomaz: Começou no momento em que a gente se viu pronto pra isso. Estamos juntos há quase 8 anos e percebemos que trabalhávamos com a mesma coisa, cada um na sua área, mas com o mesmo ideal, pensando parecido e com as mesmas frustrações. Então a gente resolveu se juntar pra fazer um trabalho em que acreditava de verdade, com amor. Os dois pensam tudo junto. A estrutura é só a gente, pra não perder as rédeas do cuidado. Pensamos a roupa, a marca, o site, fazemos o pedido, o pagamento. Óbvio que cada um tem seu papel, mas na prática é tudo a quatro mãos.

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