Sexo, festas e bundalelê no repertório de Latino: “Pode vir que eu dou cinco”

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Créditos: André Giorgi/Revista J.P

Ele se queixa de que mulher alguma consegue satisfazer sua necessidade de transar três vezes ao dia. Chegou a morar com duas, “mas aí elas brigaram”. Ex-menino de rua, Latino dormiu debaixo da ponte, cheirou cola, foi “ninja” do mágico David Copperfield nos EUA e, então, na volta, estourou como cantor símbolo do bundalelê. Foca na sedução do cara

Por Paulo Sampaio para a Revista J.P de dezembro

Atrasado mais de uma hora para a entrevista, Latino não apresenta nenhum sinal de afobação. Nem mesmo para disfarçar. Vestindo um jeans escuro e uma camisa social preta, ele começa a conversa já do meio, explicando que teve de orientar sua assistente sobre o que pretendia comer. “Perdi 5 quilos”, afirma, levantando a camisa para mostrar o abdome magro (não sarado). “Cortei farinha branca, doce e bebida, tô vivendo basicamente de proteína.” Longe de comprometer sua imagem, o atraso até combina com o estilão manifestamente abusado dele. São 16h e, pelo que se percebe, Latino ainda não tomou café da manhã. A entrevista foi marcada na casa construída em um terreno de 1.500 metros quadrados que o cantor comprou há cerca de um ano, na Chácara Flora, zona sul de São Paulo. Logo à entrada, ladeando a porta, há um par de colunas “jônicas” pintadas de dourado. Latino, que em seu último casamento usou um terno platinado, diz que aquilo “já veio com a casa”, assim como os sofás pesadões que parecem estar na sala apenas para evitar que as visitas se sentem no chão. A sala dá para um grande gramado, nos fundos, onde há uma piscina. Usa muito? “Só para putaria”, diz o cantor, com um gesto de desprezo.

Sexo é um assunto recorrente. O maior problema de Latino com as mulheres, além de ter de pagar pensão alimentícia para nove filhos, é que dificilmente ele encontra uma que consiga satisfazê-lo na cama. Chegou a morar com duas ao mesmo tempo, “mas elas brigaram, não deu certo”. “Tenho necessidade de transar pelo menos três vezes ao dia. E meu médico disse que faz bem pra pele.”  Solteiro no momento, Latino até aventa a possibilidade de reatar o casamento com a modelo e atriz Rayanne Morais, 27 anos, que está presa no reality show “A Fazenda”, mas, enquanto ela não sai, ele não empurra ninguém para fora de seu edredom. “Não existe homem fiel. O cara pode até estar, mas ninguém é”, acredita. Melhor avisar às pretendentes que a voraz voracidadite dele só se manifesta no período noturno. “Tem mulher que quer uma paradinha logo de manhã, vem se encostando, mas comigo não funciona. Eu brocho. À noite, pode vir que eu dou cinco.” Os espasmos orgásticos eclodem também na forma verbal. Quanto mais o astro de hits como “Dança Kuduro”, “Me Leva” e “Festa no Apê” se sente provocado a falar, maiores são as jactâncias. No auge da empolgação, ele passa a buscar as histórias mais impactantes de sua biografia. Revela o que fez, mas se recusa a arcar com o que não fez.

NEM BEIJO

“A Lucilia (Diniz) me dava presentes caros, mas nunca dei um beijo nela”, diz ele, referindo-se à filha do fundador do Grupo Pão de Açúcar. “Talvez ela misturasse o sentimento de fã com o de amiga, mas tem situações em que rola, e outras em que não.” Latino e Lucilia fizeram até viagem com cobertura da revista “Caras”, e isso despertou a suspeita de que estariam juntos. Porém, quem acompanhou o “romance” de perto, afirma que tudo não passava de um “namoro de conveniência”.  Latino dá a sua versão: “Quando a Lucilia me assistiu em um show no Rio, ficou encantada, disse que a sociedade paulistana precisava saber quem eu era. ‘O meu pessoal não te conhece’, falou. E aí, deu uma grande festa na casa dela para me apresentar aos amigos”. O cantor diz que não a tem visto porque o atual namorado dela a proibiu de falar com ele. “A Lucilia simplesmente me cortou. Fico chateado.” O namorado é o empresário Albert Bressan. O assessor de Lucilia informou que ela estava viajando, e acabou não respondendo o e-mail da reportagem.

“Não me adapto com mulher rica”, lamenta o cantor, dizendo que acaba tendo de pagar um preço alto por isso.  Segundo ele, as mães de seus filhos o exploram na hora de cobrar pensão alimentícia. “Todas pensam que eu sou biliardário, e querem que eu pague pensão para elas também. Eu acho que todo mundo tem de trabalhar. Por que a mulher vai ficar em casa, e o homem trabalhando?” Recentemente, Latino chegou a ter prisão decretada por causa de uma dívida de R$ 450 mil, referente à pensão alimentícia da filha de 2 anos e 8 meses que teve com a advogada Gláucia Deneno. “Ela queria R$ 30 mil por mês de pensão”, espanta-se. Procurada pelo Facebook, Gláucia não retornou. A se crer no músico, a pensão alimentícia instituída para cada filho varia de acordo com a misericórdia que o pai da criança desperta no juiz. “É rezar para ele ir com a tua cara”, diz. Quando fala dos nove filhos, Latino explica que três são com mulheres com quem ele manteve um relacionamento, os outros… (faz expressão de contrariedade). Ao tentar lembrar-se da idade dos meninos, o cantor se perde, diz que pelo menos três deles têm 4 anos, e então se entende que ele não quer que o interlocutor descubra, fazendo as contas, a idade dele próprio. Declara 42 anos, mas avisa que está mentindo.

MEDO DE AVIÃO

Um dos motivos que o levou a comprar uma casa em São Paulo foi o medo de viajar de avião.  “Até 500 quilômetros, eu vou pela estrada. Tenho um ônibus superbem equipado para viagens longas.” Recentemente, ele declinou do convite de Angélica para se apresentar em Las Vegas porque teria de ir e voltar em três dias. Preferiu alegar agenda cheia. “Você acha que, com essa crise, esses caras fazem manutenção de jatinho?”, pergunta, meio paranoico. “E, depois, imagina, eu chegaria para cantar dopado, perguntando ‘Onde é que eu tô?’” Quando não está com vontade de ir de ônibus, vai em um Porsche Panamera Turbo laminado, que “esconde” na garagem. Não quer expor o carro de R$ 700 mil para não correr o risco de o juiz perder a misericórdia na hora de decidir a pensão alimentícia…

Enquanto caminha pelo jardim dos fundos da casa, Latino é seguido pela cane corso Cristal, que ganhou de Fausto Silva. A cadela é grande, mansa e desengonçada. Seu outro animal de estimação, o macaco Twelves, foi passar uma temporada na casa do empresário Dinho Diniz, que por sua vez cria uma fêmea. Por que Twelves (com ‘s’ mesmo, “para ficar diferente”)? “Porque tudo na minha vida tem de ter 12.” Ele mostra o número tatuado no braço, depois aponta para uma dúzia de garrafas de uísque 12 anos (ou 24: 2×12) enfileiradas em uma espécie de vitrine arredondada, cor de laranja; e diz que só lança disco nesse dia. Brinca que faltam só mais três filhos para completar 12.

Dinheiro é o segundo assunto mais abordado pelo entrevistado, depois de sexo. “Quero vender de 100 a 120 mil macaquinhos! Vamos conversar sobre isso ainda hoje!”, diz ele para a assessora, referindo-se à réplica em miniatura de Twelves, que ia ser lançada antes do Natal. Latino conta que o bicho tem 200 mil seguidores no Instagram, e que a pré-venda da versão inanimada do macaco já registra 4 mil pedidos. “As crianças adoram”, acredita. Muito acelerado e, ao mesmo tempo, dispersivo, ele se ausenta da conversa periodicamente, apresentando sintomas clássicos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Em um tom autoelogioso, afirma que é “o único cara que ‘quebrou’ quatro vezes e ressuscitou das cinzas em todas elas”. “Sabe por quê? Porque não sabia ganhar dinheiro.” Então, ele passa a falar de seus avanços no campo empresarial. Diz que faz muita “festa para bacana” e que “o que mais dá dinheiro hoje é evento corporativo, casamento e formatura”: “Outra coisa que tá em alta agora é ‘bar mitzvah’ [ele pronúncia apenas metade do nome, resolvendo o resto com um farfalhar de língua]”. Mas o forte de Latino, de uns tempos pra cá, tem sido vender “relacionamento”. Com o indefectível tom de carioca “experto”, ele fala com entusiasmo sobre as aproximações que promove entre executivos com interesses comuns. Quem o vê pregando, acha que ele inventou o lobby. “Com essa história de fazer show para rico, conheci muita gente poderosa. Apresento os caras, coloco um conversando com outro e ganho 10% do negócio fechado entre eles. Capaz de eu não ganhar isso com um mês de trabalho”, calcula.

KOMBI DA PAMONHA 

Não é de hoje que Latino se especializou em aplicar o que chama de “golpe de mestre”. No início da carreira, quando fez a versão para português de “Me Leva”, ele pagou a um vendedor motorizado de pamonha para que tocasse a música no alto-falante de sua Kombi, em frente ao restaurante onde um grupo de executivos da gravadora Sony costumava almoçar. “O cara fez isso durante três meses. Aí, quando eles já tinham decorado a música, consegui marcar uma entrevista na gravadora, e contei a história. Eles ficaram tão impressionados que me deram uma chance.” A essa altura, Latino já tinha passado fome, dormido debaixo da ponte e cheirado muita cola. Nascido em uma comunidade no subúrbio carioca da Abolição, filho único (de mãe), ele estudou até a quarta série e tornou-se menino de rua. “Eu lavava carros com a água do chafariz de uma praça, e as pessoas me davam dinheiro se quisessem. Não pedia.” Latino acredita que “ia ser bandidinho, com certeza”. Foi salvo pela ousadia com que se lançava em projetos grandiosos. Na pós-adolescência, morou clandestinamente nos EUA, onde trabalhou em restaurantes e foi ninja do mágico David Copperfield. Batizado Roberto Souza Rocha, ele passou a ser chamado de Latino por causa da dificuldade que tinha de falar inglês sem sotaque. Um dia, envolveu-se em uma briga de gangues de pichadores hispânicos e acabou sendo deportado. “Tomei uma facada nas costas, fui preso e me mandaram embora.” Ficou dez anos sem pisar nos EUA, até que, “depois de virar artista”, conseguiu com o então ministro da Cultura Gilberto Gil uma ajuda para recuperar o visto. De volta ao Rio, passou um período vendendo sanduíche natural na praia, até que “aconteceu” como cantor.

Conhecido por criar letras que rimam “apê” com “bundalelê”, Latino conquistou uma legião de fãs, de crianças a socialites, só focando na sedução. Sua coreografia é composta por giradas de quadril, passinhos em dupla (ou grupo) e movimentos de agacha e levanta. No clipe de “Fala com Meu Umbigo”, ele aparece com Twelves nos ombros, vestindo uma camisa com o logo do Batman. Explica que “a música mistura passinho com sentimento”: “Olha que coisa ousada gente!”, diz ele,  alegremente. Em fotos postadas nas redes sociais, está sempre com expressão de safadinho, o boné virado para trás e os dedos indicador e polegar em forma de “L”. “Faço música todo dia”, afirma. E revela seu “processo de criação”: “Um dia, um cara me contou que desenvolveu um papo com a mulher que se sentou ao lado dele na sala vip do aeroporto e perdeu o voo. Os dois se apaixonaram. Só que, aí, descobriram que tinham o mesmo pai. Isso virou música, entende?” Em seu disco mais recente, De Latino para Latino, ele gravou músicas com um misto dos ritmos zouk e bachata, “que não têm tradição no Brasil, porém todo mundo gosta”. Ele conta orgulhoso que o videoclipe foi assistido por 150 mil pessoas em três dias. “A produção é gringa, mas a essência é brasuca, com o nosso jeito de amar e seduzir.” Nosso. Claro.

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