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“Flores para os refugiados”: mãe e filha, Kety e Gabriela Shapaizan se uniram em projeto que reverte venda de flores em ajuda voluntária || Créditos: reprodução Facebook

Para Kety e Gabriela Shapaizan, mãe e filha, viajar pelo mundo tem um significado que vai muito além de fazer turismo. Em 2015, primeiro pico da crise de refugiados que chegavam à costa da Europa vindos do Oriente Médio e da África, Gabriela, na época com 16 anos, sugeriu para Kety: “Vamos até lá ajudar estas pessoas!”. E lá foram elas. Ficaram 45 dias na Grécia recendo as pessoas que chegavam de barco na praia de Lesbo. A experiência mudou a vida de ambas: Gabriela decidiu que queria continuar servindo como voluntária e Kety, que iria ajudá-la a concretizar esse desejo. A mãe, jornalista, começou a fazer arranjos de flores e vendê-los nos semáforos. Com o dinheiro, sustentava o voluntariado da filha. Começava ali o projeto “Flores para os refugiados”. “No começo não era nada. Hoje somos sócias, temos vários clientes. Fazemos arranjos personalizados, para eventos particulares e corporativos, casamentos… E as flores sustentam nós duas”, explica Gabriela, que voltou de sua última incursão como voluntária há duas semanas. Hoje, com 19 anos, ela se dedica a missões entre Grécia e Turquia a cada seis meses, passando sempre três meses por lá.

Em entrevista ao Glamurama, Gabriela conta que no momento está em casa, fazendo arranjos de flores com a mãe, a avó e a tia, mas a cabeça está do outro lado do mundo: em abril ela embarca para a Turquia para visitar uma família de amigos refugiados sírios, que também são voluntários, e claro, ajudar no que precisar. Em maio volta à Grécia para nova missão de voluntariado, trabalhando em centros de apoio para habitantes de Moria, considerado um dos piores campos de refugiados do mundo. Construído para 2 mil pessoas, o local já chegou a abrigar mais de 10 mil. “É quase uma detenção. Atualmente 5.600 pessoas vivem lá. É um lugar pequeno pra muita gente, onde chove, venta e faz muito frio.”, conta. Em sua última viagem,prestou serviço em uma escola da Unicef para as crianças, filhos dos refugiados. Tipo pau pra toda obra. Gabriela fazia de tudo, desde levar as crianças para aula e distribuir mantimentos até dar aulas de inglês ou música.

Gabriela ainda não decidiu que tipo de faculdade cursará, mas tem uma certeza: quer seguir com voluntariado. “Aprendi muita coisa. Na minha cabeça é muito claro que ganhei muito mais do que dei. Os refugiados me deram muito mais do que dei a eles. São pessoas que não têm nada, mas que te convidam para jantar na barraca deles. Alguém que não tem nada, mas quer fazer algo por você. Obviamente temos mais dias difíceis que fáceis, mas mesmo nos dias difíceis coisas boas acontecem. Meus dias têm sempre muito amor, apesar de cenário triste”.

O ‘Flores para os Refugiados’ é um negócio com um propósito maior. Mãe e filha são sócias, e é assim que Gabriela pode se sustentar e seguir ajudando. Mas o sonho da dupla é montar uma empresa onde refugiados e brasileiros trabalhem juntos, integrados em uma mesma comunidade, bem remunerados, com dignidade. A causa é tão linda quanto os arranjos de Kety. E para aqueles que querem fazer algo por um mundo melhor, mas não sabem como começar, o conselho de Gabriela é simples: “Tem muitas coisas que as pessoas podem fazer. Não é para todo mundo estar lá. É difícil, eu sei. Mas o mundo todo deveria ter mais empatia. Talvez começar buscando mais informação sobre o que está acontecendo pelo mundo. As notícias estão aí em todos os sites e jornais para quem quiser ler. As pessoas têm que entender que refugiado é gente como a gente. São médicos, engenheiros, professores, gente que tinha pai, mãe, filho, um restaurante favorito… Se fosse como a gente, íamos querer ajuda”, finaliza. (Por Morgana Bressiani)

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