Por dentro da rotina de Tomie Ohtake, que expõe no Rio de Janeiro

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Beny Palatnik, Nara Roesler e Ricardo Ohtake

Glamurama foi ao vernissage da exposição de Tomie Ohtake, nessa quarta-feira na Galeria Nara Roesler do Rio, em Ipanema. A artista plástica, aos 100 anos, não compareceu, mas prometeu considerar a possibilidade de comemorar seu próximo aniversário, em novembro, por lá. Será? Aproveitamos para saber mais sobre ela conversando com Nara, e também com Ricardo Ohtake, filho de Tomie.

“Frescor e vigor”

Com a palavra, Nara: “Ela continua muito ativa. Tem tela aqui de 2014. E, pela primeira vez, explora a monocromia. Mudou bastante, e nessa idade! Ela me disse: “É muito difícil fazer um quadro todo branco.’ São pinceladas com relevo, em formas geométricas desconstruídas. Uma série com frescor e vigor. Você sabe… Ela trabalha com os quadros na horizontal para conseguir pintar. Incrível, um exemplo a ser seguido de quem realmente tem paixão pelo que faz. Outro dia ela falou: ‘O que pode uma pessoa de 100 anos fazer senão ser artista?’ Para um colecionador, além de investir nessas maravilhas, ainda tem essa questão de conviver com a paixão pela arte de uma mulher dessa idade que não se acomodou.” Claro que a gente fez uma cotação: “As telas em exposição aqui vão de 200 mil a 500 mil reais.”

“Radicalizou”

A visão de Ricardo? “Ela sempre beirou a monocromia.” Então ele abre uma porta da galeria e mostra um quadro antigo de Tomie, que não está em exibição. “É [quase todo] amarelo, mas não monocromático [porque há espaços em branco na tela]. Acho, nesse quesito, muito próximo desta série atual. Onde ela radicalizou agora foi na luz, a luz provocada pelas texturas. Mas ela considera esta série terminada. De qualquer forma, nunca se sabe. Tomie pinta quase todo dia, ou trabalha com esculturas, mas não tem regra. Quando era tinta a óleo, ela tinha alergia, ficou com manchas na pele. Com essa tinta acrílica, não tem cuidado extra nenhum. Realmente ela pinta com a tela na horizontal, mas não pode ser um quadro muito largo. Comprido tudo bem, mas muito largo ela não alcança. Uma tela de 2m x 2m não dá mais. Neste momento, ela está fazendo um troféu para um prêmio promovido pela secretaria de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo. Não é a primeira vez que ela faz um troféu. Ela já fez de tudo…”

“Sem muita vontade”

Ricardo continua… “De quinze em quinze dias, pelo menos, ela recebe um convite para algum evento. Você conhece o João Dória? Quer que ela entregue um prêmio para empresários. O local fica a uma hora e meia de São Paulo. Não é uma viagem tão complicada, mas ela está sem muita vontade. Acaba sendo uma trabalheira. A Nara está tentando organizar para ela comemorar o aniversário aqui na galeria. Não sei… Tomie gosta de comemorar, sim, mas não gosta da trabalheira. E de dar trabalho para os outros.” (Por Michelle Licory)

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