Podcasts no gênero “true crime” fazem sucesso e história do primeiro serial killer brasileiro é contada por Cleo em “A Febre de Kuru”

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Cleo | Reprodução: Instagram

Cada vez mais, os podcasts do gênero “true crime”, que contam histórias reais de bandidos e assassinos que ficaram conhecidos em todo o mundo, fazem sucesso. Prova disso é o investimento que a atriz e cantora Cleo fez para contar a trajetória do primeiro serial killer brasileiro, o  ex-policial José Ramos. A partir de agora, ela também é ‘podcaster’ e narra a série de assassinatos que aconteceu entre 1863 e 1864 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O episódio que ficou conhecido como “Os Crimes do Arvoredo”, caso real cujo personagem central é o ex-policial José Ramos, que com a ajuda da mulher, a húngara Catarina Paulsen, cometeu crimes na Rua do Arvoredo (atual Rua Coronel Fernandes Machado). Intitulada “A Febre de Kuru”, na obra, Cleo empresta sua voz a Catarina, esposa de José Ramos, que é narrado por Silvero Pereira. (por Baárbara Martinez)

Glamurama: Essa foi a sua estreia em séries em áudio. Como foi esse desafio? Muito diferente do preparo para televisão ou estúdios?
Cleo: É um preparo que parece mais de colocar a voz, bem mais do que na atuação. É a entonação, o encaixe de voz, textura…tudo passa pela voz. É bem diferente da preparação como atriz.

G: Como foi o processo de construção de A Febre de Kuru?
C: Eu já queria fazer um podcast há algum tempo, mas a gente realmente não estava com o tempo, o fluxo de trabalho não estava permitindo. Através da Orelo , eu conheci o diretor, o Toni Sader, que me apresentou a história que eu não conhecia. Eu fiquei obcecada, e o processo foi estudar mais sobre a época que aconteceu, como que ocorreu toda história. Eu gosto muito do gênero ‘true crime’, mas não conhecia nenhuma história de serial killer brasileiro, a não ser o maníaco do parque. Foi uma coisa meio em conjunto, o Toni me ajudou a entender sobre a história, sobre as pessoas reais que viveram aquilo.

G: A série fala sobre um serial killer em um momento que estamos presenciando o caso Lázaro, por exemplo. Na sua opinião, porque esse tipo de história gera tanta curiosidade?
C: Eu acho que existe uma coisa chamada ‘abuso transgeracional’. As gerações de hoje em dia vêm de gerações que sofreram muitos abusos psicológicos, mentais, emocionais, e acabam repassando isso, porque entenderam que esse era o jeito certo de ser, porque não se falava dessas coisas na época. Então, eu acho que todo mundo, hoje em dia, sente que tem algo errado acontecendo, mas não entende o que é, porque muitas vezes [o abuso] vem de pessoas que estão próximas de você. Eu acho que tem esse apelo de ver como é que uma coisa dessa chega nesse ponto, de abuso e de terror dentro da sua própria casa […] O ‘true crime’ não é só sobre isso, mas acho que o gênero ativa na gente essa curiosidade, que é do ser humano, de entender como que uma coisa pode dar tão errado […] Eu consumo muito o gênero e tem muitos podcasts que eu ouço sobre isso, tem até o “Innocence Project” (série da Netflix) que é sobre reavaliar provas, investigações que foram feitas e que condenaram algumas pessoas inocentes. Muitas vezes, as pessoas que estão sendo condenadas são próximas da vítima.

G: Você comentou sobre sua paixão pelo formato podcast. Você pretende transitar por esse universo?
C: Eu tenho muitas ideias, de fato é um formato que eu adoro. Eu quero continuar fazendo, mas preciso focar em uma [ideia] primeiro, e vai indo…

G: Você fez muitas coisas durante o isolamento social, como atriz, cantora. Acredita que a pandemia te deixou mais criativa ou também ficou mal em algum momento?
C: Eu tive momentos muito de torpor, de não ter um osso criativo no meu corpo, te prometo isso. Mas, eu tenho uma equipe que está sempre junto comigo. Na primeira quarentena ficamos todos isolados, mas ficamos juntos. Então, trocamos muitas ideias. A gente acabou conseguindo planejar e preparar muita coisa para depois da quarentena. Fomos mais por esse lado.

G: Na carreira musical, podemos esperar novidades?
C: Eu vou lançar meu primeiro álbum, o que eu lancei até hoje foram EPs. Eu não me sentia preparada para lançar um álbum. Acho que o disco precisa contar uma história, tenho que estar muito dedicada e eu não estava conseguindo tempo para esse lado da minha carreira, mas agora estou. Já tenho as músicas, estamos definindo quais vão entrar no álbum, começando a colocar voz em algumas delas e o trabalho sai esse ano.

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