Para o artista Damien Hirst, não existe beleza se não houver o horror

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Damien Hirst durante festa de abertura de sua exposição

Pinturas com instrumentos cirúrgicos como bisturis, lâminas e ganchos integram a nova e primeira exposição de Damien Hirst no Brasil, “Black Scalpel Cityscapes”, que abre neste sábado na galeria White Cube, em São Paulo. O artista vivo mais rico do mundo e um dos mais polêmicos de sua geração [é dele a obra do tubarão mergulhado em um tanque de formol], ganhou uma festa de recepção na noite desta sexta na Casa Panamerica, regada a cachaça, acarajé, moqueca e uma trilha sonora que foi de Caetano Veloso a Valesca Popozuda.

Em conversa com o Glamurama, Damien explicou o seu trabalho, que reproduz visões aéreas de lugares como São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e Vaticano, e revelou que elas trazem a visão do terror, mas também da esperança. “Acho que a arte é a moeda mais poderosa do mundo. As pessoas precisam de esperança”, completou. Confira a entrevista, que só a gente tem!

Por Denise Meira do Amaral

Glamurama – Damien, o que você quis transmitir com a exposição “Black Scalpel Cityscapes”?

Damien Hirst – Sempre quero dizer alguma coisa e negá-la ao mesmo tempo. Acho que, por isso, essa minha exposição traz uma mensagem de esperança, mas é terrível ao mesmo tempo. As lâminas de bisturi são assim: elas podem te matar ou elas podem te salvar. Assim como a vida é.

Glamurama – Por que escolheu São Paulo e Rio de Janeiro em sua obra?

Damien Hirst  São Paulo porque o show está aqui, não poderia não falar de São Paulo. E o Rio porque mesmo as pessoas que nunca foram, vão entender. Mesmo quem não conhece, imagina como a cidade é.

Glamurama – O que é beleza pra você?

Damien Hirst – Acho que não existe a ‘Bela’ sem a ‘Fera’. Não existe a beleza sem o outro lado.

Glamurama – Acredita que a arte pode transformar o mundo?

Damien Hirst  Sim, acho que a arte é moeda mais poderosa do mundo. As pessoas precisam de esperança. As propagandas tentam te vender porcarias que você não precisa. A arte te liberta.

Glamurama – Para você, que trabalha com arte tão forte e polêmica, o que é realmente chocante?

Damien Hirst  Mentiras de governos. A ganância também é uma coisa que me faz ficar triste. Mas, na verdade, acho que nada me choca muito. Aliás, você pode também se chocar por coisas boas. Acho chocante ver como as pessoas podem ser horríveis, mas como também podem ser incríveis. O horror e a escuridão fazem com que a esperança e a luz fiquem ainda mais claras e luminosas.

Glamurama – Suas obras estarão à venda na exposição. Acredita que isso pode aproximar o público da arte?

Damien Hirst – A compra da arte é um tema complicado. Qualquer um pode olhar a arte. Eu prefiro ir a museus. Acho que a arte e o dinheiro são assuntos diferentes. Como artista, você precisa ter cuidado e a certeza que seu objetivo é a arte, não o dinheiro.

Glamurama – É a sua primeira vez no Brasil? O que está achando?

Damien Hirst É minha primeira vez. Cheguei ontem [sexta-feira] e já estou amando. Quero voltar de novo quando não estiver trabalhando. É um lugar realmente feliz.

*

O cineasta Bruno Barreto, presente na festa de abertura da exposição, havia participado ainda de um almoço para poucos, com Damien, e deixou suas impressões. “O que eu mais gosto na obra dele é o lado lúdico. Acho que o melhor lado de todo artista é o seu lado criança. Ele é tão bem-sucedido, mas ao mesmo tempo, é um artista que não se leva a sério. Conheci ele no almoço e é um cara que ri de si próprio, com uma espécie de humor auto-depreciativo… Fiquei ainda mais fã dele”.

Já o pintor e artista gráfico Rodrigo Andrade disse que gosta bastante, apesar de “não gostar de tudo em sua obra”. “É um artista que desde sempre me instigou. Ele é pop, mas com um senso escatológico e uma noção do jogo da arte, que eu tenho a maior admiração”.

A festa contou com mailing de Fernanda Barbosa e buffet da Neka Mena Barreto.

 *

Exposição “Black Scalpel Cityscapes” de Damien Hirst

Vernissage:  8 de novembro de 2014, de 15h às 19h

Exposição: 11 de novembro a 31 de janeiro de 2014, de terça-feira a sexta-feira das 11h às 19h e sábado das 11h às 17h

White Cube São Paulo

Rua Agostinho Rodrigues Filho, 550 – São Paulo

Tel (11) 4329.4474

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