No dia dos 24 anos da morte de Diana, Glamurama relembra os segredos da “princesa do povo”

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Lady Di e Príncipe Charles no dia do seu casamento || Créditos: Getty Images

A menina Diana Frances Spencer, nascida em Norfolk de uma família da aristocracia e da nobreza britânicas, hoje, se viva, divorciada de Charles e, quem sabe, casada de novo, aos 60 anos, mais que tudo, estaria curtindo uma de avó. Sem perder nada do estilo que fez sua marca registrada.

Que turbilhão foi a vida da princesa de Gales, o ícone mais representativo do conto de fadas com final infeliz, que foram as décadas de 1980 e 1990, quando seu brilho extrapolou. Desde a imagem da professorinha ingênua e tímida que, aos 19 anos, conquistou o herdeiro do trono. O namoro, o noivado, o casamento do século – e aquele vestido de noiva new romantic farfalhado de tafetás, a lua de mel em tudo que era céu, o assédio da legião de paparazzi, o vazamento do caso de Charles com Camilla Parker Bowles, enquanto Diana, mãe extremada, levava diariamente os dois filhos ao jardim da infância em Notting Hill. Seu corte de cabelo, no estilo mantido desde sua aparição na mídia até a morte era, então, feito num salão modesto, mas eficiente, ali perto da escola dos filhos.

Lady Diana e Princípe Charles. Por Tim Graham Photo Library/Getty Images

Nada intelectual, no sentido de formação acadêmica, gostava da música pop jovem e estilosa (Duran Duran, George Michael) e de moda. Afinal, seu biótipo era de top model. Gianni Versace era o favorito. E Versace adorava criar exclusivos para a mais “distinguished” entre as espevitadas princesas de sua geração. Rumores, traições, “too much too soon”, a separação. Diana e Charles não mais se entendiam. Jovem, carente e traída, Diana arranjou novo amor. Que também vazou na mídia. Confissões e roupas sujas lavadas em tabloides e programas de televisão.

A embaixatriz do Brasil em Londres, Lúcia Flecha de Lima, era sua “best friend” e confidente. Entre elas segredos que ambas levariam para seus respectivos túmulos. Segredos, a maioria de conhecimento público, mas que só ganharão tona daqui a algumas gerações, já como parte da ficção histórica.

Caridosa e atuante, Diana participou ativamente de várias campanhas. No Brasil foi fotografada com crianças do morro e segurando a mão de um aidético terminal num quarto de hospital carioca. Boa mãe que era, adorava os filhos, os pequenos príncipes William e Harry. E hoje, avó, certamente amaria os netinhos. Pois Diana era assim. Quanto aos filhos, hoje crescidos e bem encaminhados, de acordo com o zeitgeist William será rei assim que a mais longeva das rainhas do Reino Unido decidir passar o trono. Dos filhos de Diana, o caçula, Harry, amadurecido e ajuizado, tem confessado sentir, agora mais que nunca, a falta da mãe. Como se, até então, aprendendo com a vida e o mundo, não tivesse tido tempo pra isso. Harry lembra o órfão tardio daquela música “Mother”, de John Lennon, no LP de sua experiência com o “grito primal”, em 1970. Essa música de Lennon se adapta perfeitamente a Harry e o profundo sentimento da falta da mãe.

Diana Princea de Gales, Princípe William e Princípe Harry em visita ao ‘Thorpe Park’ (Photo by Julian Parker/UK Press via Getty Images)

O funeral de Diana na abadia de Westminster foi transmitido pela televisão e assistido por 2,5 bilhões de pessoas all over the world.

Todos com a TV ligada na transmissão pela Globo, assistimos à cerimônia. Tempos depois, no filme “A Rainha” em que Helen Mirren interpreta a rainha Elizabeth 2ª, na cena em que a ela e o príncipe Philip estão na cama, no retiro de férias lá em Balmoral, na Escócia, quando o primeiro-ministro Tony Blair ao telefone cobrava insistentemente a presença do casal na cerimônia funérea em Londres. Mas o príncipe Philip dizia que não ia, porque iam estar “todos aqueles gays” amigos da morta. De fato, a presença de Elton John já estava confirmada, disso príncipe consorte tivera notícia.

Na cerimônia na catedral, ao piano emocionado, Elton John cantou a versão da letra reescrita para a ocasião. Para homenagear a princesa morta, Elton mudou alguns versos da canção “Goodbye Norma Jean”, composta por ele 25 anos antes, quando, em plena onda nostálgica, com essa música homenageara Marilyn Monroe. Para Elton John e os gays, em termos de destinos trágicos, a Diana dos 90 era comparável a Marilyn dos 60. Daí que o príncipe Philip convenceu a rainha e esposa de não irem à cerimônia. Afinal, estavam de férias. A rainha, 95, não deu sinal de querer se aposentar. Com isso ela prova que, dos sexos, o feminino é o mais resistente. Casadas, viúvas, divorciadas, solteiras, amantes, indubitavelmente as mulheres do nosso tempo têm mais gás vital que os homens. Mas, e Diana, a “princesa do povo”, que no curto tempo de vida foi mulher participante e de opinião, se viva fosse, qual seria sua posição com os dramas do filho Harry e da esposa Meghan Markle e sobre o caminhar do mundo?

Essa matéria foi originalmente escrita por Antonio Bivar para a revista J.P de junho de 2017 e atualizada pela redação do Glamurama.

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