||Créditos: ilustração Bruna Bertolacini

Na PODER, quatro homens e o que eles fariam se fossem mulheres

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PODER convidou um político, um empresário, um filósofo e um advogado para contar o que fariam se fossem mulheres

Por Bruna Narcizo para a revista PODER

O ex-senador Eduardo Suplicy gostaria de ter o nome da mãe e acredita que seguiria a carreira política. Romero Rodrigues, fundador do Buscapé e CEO da Buscapé Company, também não mudaria de profissão e garante que não perderia tempo discutindo com homens machistas ou preconceituosos. O filósofo Clóvis de Barros Filho queria ter a capacidade de amar como as mulheres e aposta que estaria profissionalmente muito melhor do que hoje. Sem negar fogo para a polêmica, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que se chamaria Geni e que abraçaria a mais antiga das profissões. Aqui, o que eles fariam se fossem elas.

||Créditos: ilustração Bruna Bertolacini
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CLÓVIS DE BARROS FILHO, filósofo e palestrante

“Me chamaria Hanna, porque me parece um nome forte, curto e que tem tudo a ver com minha maneira de ser”

“Precisaria sair muito de mim para fazer outra coisa. Por isso, seguiria exatamente a mesma carreira que tenho hoje”

“Enfrentaria e denunciaria preconceitos. Não me imagino como uma mulher bonita, já que não me considero um homem assim. E seria feminista, com certeza”

“Profissionalmente falando, estaria muito melhor do que estou hoje. Meu trabalho encarnado em um corpo feminino seria muito mais impactante”

“Mulher tem uma sabedoria afetiva muito grande e uma capacidade de amar diferente do homem. Gostaria de amar como mulher”

“Se fosse heterossexual, teria filhos, sem dúvida”

“Uma mulher por quem tenho especial admiração é Karina Macieira, minha ex-esposa e atual sócia”

“Compraria briga com os mesmos homens com quem brigo hoje. Em especial aqueles que discriminam, que são xenófobos, intolerantes, ou seja, com praticamente todos os homens”

||Créditos: ilustração Bruna Bertolacini
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EDUARDO SUPLICY, ex-senador e atual secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo

“Eu seria Mena, que era como meu pai chamava minha mãe, Filomena, um exemplo de mulher para mim”

“Escolheria uma carreira que me fizesse feliz. Exatamente como fiz, aliás: professor, jornalista, escritor, político, representante do povo. Creio que poderia ser a primeira senadora mulher eleita, do mesmo jeito que fui o primeiro senador eleito do PT”

“Acho bem provável que sofresse preconceito, mas teria ânimo para enfrentar o que fosse”

“Acredito que estaria melhor do que hoje. Porque seria ainda mais confiante e tenho certeza que saberia os caminhos para vencer eleições”

“Continuaria firme na batalha para instituir a Renda Básica de Cidadania (projeto criado por ele para acabar com a pobreza extrema no país), pois conheço muitos textos de mulheres que ressaltam a importância do projeto para o avanço feminino na sociedade”

“Dedicaria muito tempo ao trabalho, mas passaria grande parte do meu dia com meus filhos e filhas, principalmente durante a infância e a adolescência deles”

“Gostaria de ter muita sensibilidade e suavidade aliada à assertividade nos momentos necessários”

“Possivelmente, me casaria aos 25 anos e teria cinco filhos”

“Brigaria feio com quem praticasse qualquer tipo de violência contra as mulheres”

||Créditos: ilustração Bruna Bertolacini
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ROMERO RODRIGUES, CEO da Buscapé Company

“Gostaria de ter um nome feminino marcante e com personalidade – talvez me chamasse Sofia”

“Provavelmente seria empreendedora. As mulheres têm uma sensibilidade enorme para perceber novos nichos e oportunidades”

“Algumas parcerias de trabalho são baseadas na boa relação que os homens têm entre eles. Considerando isso, acho que seria mais difícil participar de negociações importantes, de ter mais poder para defender minhas opiniões”

“Acho que trabalharia com tecnologia, pois me sinto muito à vontade nesse meio. Mas não sei se estaria na mesma posição de hoje. Se tivesse um filho nos momentos mais importantes da construção da minha vida profissional, a carreira ficaria em segundo plano e talvez perdesse algumas oportunidades”

“Também acredito que sofreria preconceito. Ainda há homens que subestimam a capacidade profissional das mulheres, principalmente das que trabalham com tecnologia”

“Se eu tivesse nascido mulher gostaria de ter uma habilidade que só elas têm: conseguir tudo o que querem com jeitinho”

“Pensando em pessoas conhecidas, me espelharia em mulheres inspiradoras, como Sheryl Sandberg, COO do Facebook”

“Certamente compraria briga com um homem que admirasse, que fosse intelectualmente desafiador. Mas não perderia um segundo com um cara machista ou preconceituoso”

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ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, KAKAY, advogado

“Eu me chamaria Geni e seria prostituta”

“O preconceito existe nessa profissão, mas eu procuraria mostrar que as prostitutas fazem menos mal ao país do que muitas profissões ilustres. Muitos dos que a criticam, celebram intimamente sua existência”

“O dom de iludir é a característica feminina que mais me impressiona”

“Lutaria para ter os mesmos direitos de todos os trabalhadores e, se o Congresso não respeitasse e valorizasse esses direitos, faria uma delação premiada contra congressistas – sobretudo os que frequentam estabelecimentos típicos da minha carreira”

“Dedicaria muito mais tempo à família, aos amigos e aos amores, que poderiam até mesmo surgir inesperadamente em meio ao exercício profissional. E, depois de certo tempo, me casaria”

“Brigaria com todos os homens machistas que criticam as prostitutas e usam seu trabalho, que criticam os gays e, geralmente, são enrustidos, que são racistas e se consideram superiores”

“Teria vários clientes polêmicos. Muito mais do que os que tenho hoje como advogado, já que tenho a sorte de, como advogado, pegar apenas clientes inocentes”

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