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Sergio Marchionne || Créditos: Getty Images
Sergio Marchionne || Créditos: Getty Images

“Infelizmente, aquilo que temíamos aconteceu. Sergio Marchionne, homem e amigo, se foi”. Foi assim mesmo, sem muitos rodeios, que a famosa família Agnelli, fundadora da FIAT, anunciou na manhã desta quarta-feira a morte de Sergio Marchionne, que durante 14 anos comandou a montadora italiana e é creditado por tirá-la de uma de suas piores crises em décadas.

O fato de que os Agnelli vieram a público para lamentar a perda de Marchionne diz muito sobre o executivo ítalo-canadense de 66 anos, que era admirado pelos descendentes de Gianni Agnelli e visto por muitos funcionários da FIAT como o melhor sucessor do lendário magnata italiano.

Foi de Marchionne a ideia de comprar a Chrysler em 2009 pouco tempo depois da fabricante de carros americana decretar falência. O negócio foi controverso na época, mas acabou transformando o FIAT Group em um dos maiores players mundiais no segmento automotivo, com faturamento de US$ 133 bilhões (R$ 497,4 bilhões) em 2017.

Conhecido pelo bom humor e pelas tiradas certeiras, ele respondeu um repórter que o questionou em 2013 sobre o grande número de novos lançamentos que a FIAT havia recém-anunciado dizendo que tinha todos os dados relativos ao tema “tatuados em suas partes íntimas e com precisão de detalhes”.

Workaholic assumido, Marchionne fazia questão de visitar o maior número possível de fábricas e por causa disso vivia em aviões executivos, sempre com vários celulares nas mãos e delegando tarefas aos seus assessores. Ele entrou na FIAT em 2004 depois que Umberto Agnelli, filho de Gianni, morreu de câncer.

No último domingo, a montadora anunciou de maneira abrupta que o executivo estava deixando o cargo de CEO, citando “complicações inesperadas”, semanas antes de ele ter sido visto em público ofegante. A partir daí, Marchionne foi internado em um hospital de Zurique e seu estado de saúde só fez piorar.

Líderes políticos italianos de todas as frentes lamentaram a morte dele, incluindo o primeiro-ministro da Itália Giuseppe Conte e Silvio Berlusconi. John Elkann, outro herdeiro do clã Agnelli, resumiu bem o clima no país neste momento de luto. “É aquele tipo de notícia que só pode ser descrita como injusta”, disse em nota. (Por Anderson Antunes)

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