Monique Gardenberg: tolerância, aceitação e liberdade, mas sem bandeira feminista

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Monique Gardenberg está de volta às telonas – após um hiato de oito anos. É dela a direção de “Paraíso Perdido”, que ganha pré-estreia logo mais, nesta segunda-feira, em São Paulo e traz ninguém menos que Erasmo Carlos outra vez para o cinema depois de mais de 30 anos.

“Ele foi o último ator a ser escalado. Eu não conseguia achar esse patriarca, ninguém encaixava para o personagem… Pensei: e se eu procurasse entre os cantores [no longa os atores cantam]? Graças a Deus não me dei por vencida.. E lembrei dele. Nos filmes que o Erasmo fez, dá pra sentir sua paixão pelo cinema, que é uma coisa viciante. Se ele foi mordido lá atrás, aquilo estava lá… Confiei que ele teria vontade de fazer. O Erasmo é muito jovem, tem um jeito jovem e brincalhão… Teria que se transformar em outra pessoa completamente diferente, com outro tom, outra personalidade. Mas fizemos alguns testes e deu certo”, nos disse Monique.

Na história, o personagem do Tremendão abre mão de uma carreira acadêmica para realizar o sonho dos filhos e investe em uma boate de música romântica/ brega na qual a [excêntrica] família se apresenta, soltando a voz. “Eu queria fazer um filme em que o amor fosse abundante, se contrapondo a esse mundo brutal que a gente vive… Que houvesse tolerância, aceitação, liberdade. É aceitar o outro como é, cuidar, dar carinho ao outro. Um mundo que é possível e que no nosso caso está dentro de uma boate”.

E sobre o pano de fundo “dor de cotovelo”… “Queria pagar um tributo à música – brega, não – romântica brasileira. São letras intensas, tipo ‘prefiro morrer que perder você’… Todo mundo tem essa mesma intensidade no filme, é um melodrama”.

No nosso papo com Erasmo sobre o longa, ele falou todo prosa sobre a peruca que usa em cena… “Eu queria que ele estivesse bonitão. Não que ele não seja, mas queria que fosse um homem charmoso, misterioso, e precisava afastar o personagem da imagem do Erasmo na caracterização. Para as pessoas esquecerem mesmo que é o Erasmo ali…”

E por que demorou tanto para Monique fazer cinema de novo? “Já fazia tempo mesmo… Na verdade, fiquei durante muito tempo escrevendo outros roteiros, que dependem de coisas que não de mim… Adaptei durante três anos a obra ‘A Caixa Preta’, história que se passa em Israel, então dependo de produtores e atores estrangeiros para realizar… Depois fiz um trabalho grande em cima do ‘Boca do Inferno’, da Ana Miranda, para uma série de TV… Aí dependo de uma programadora ou TV pra fazer acontecer. ‘Ó, Paí, Ó 2’ passou pela mão de três roteiristas que tinham empregos fixos que acabaram tirando eles de mim… Estava demorando também. Aí eu assumi o roteiro, começamos a filmar na festa de Iemanjá, 2 de fevereiro, e em outubro a gente continua, que é quando o Lazaro Ramos [protagonista] se libera dos outros trabalhos dele… Enfim… Quando vi que já estava há 8 anos sem filmar, disse: tenho que fazer algo que eu dependa só de mim, e de um elenco f… E comecei a escrever o ‘Paraíso Perdido'”.

Sobre a sequência de “Ó, Paí, Ó”, o que dá pra adiantar? “Só que se passa no dia de Iemanjá, como o outro se passava em um dia de Carnaval…”

Em tempo: Monique não levanta bandeiras de maior participação de mulheres por trás das câmeras, por exemplo. “Mulheres… Ah, eu gosto de dissolver os sexos, como fiz em ‘Paraíso Perdido’… Pra mim, tem o artista, e o artista não tem sexo. É isso”. (por Michelle Licory)

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